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SOCIEDADE POBRE NOBRE

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Seu casamento foi visto por muitos como uma fuga — uma tentativa de escapar de um destino inevitável. Afinal, em todo o reino, apenas uma dúvida persistia entre os salões e corredores: por que uma jovem nobre recusaria o amor de um príncipe?

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Pensamento

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Pera, ele agora TEM que voltar pra falar com ela. Tá tipo 'e agora?' e ela já saiu. Boa estratégia de roteiro mesmo.

Pera, ele agora TEM que voltar pra falar com ela. Tá tipo 'e agora?' e ela já saiu. Boa estratégia de roteiro mesmo.

Conteúdo da publicação

Olá, estou escrevendo um romance, gostaria de suas opiniões mais sinceras.

Lembrando que os nomes do lugar e dos personagens são temporários.

Desde já agradeço!

CAPÍTULO 1

 

Palácio Real — Capital de Sieben

Um grande evento se aproximava, cuidadosamente arquitetado por Suas Majestades, o rei Frederico e a rainha Antonella. O reino de Sieben fervilhava de expectativa: seria uma temporada de celebrações luxuosas, dedicada ao aniversário de casamento dos soberanos, cujo desfecho culminaria — ao menos nos planos do casal real — no noivado do príncipe Felipe.

Na verdade, tratava-se apenas de uma tentativa de noivado, idealizada sem o consentimento do próprio herdeiro.

Com a chegada da semana de festividades, a capital tornou-se um mosaico de sons, cores e rumores. Nobres de diversas províncias adentravam os portões da cidade, suas carruagens douradas atravessando as ruas abarrotadas de comerciantes e curiosos. As tavernas e alfaiatarias prosperavam; os mercados pulsavam com negociações e risadas — a prosperidade dos poucos dias de festa prometia sustentar muitos por meses.

Enquanto isso, no coração do palácio, a movimentação era incessante. A alta aristocracia se revezava em visitas diárias, oferecendo presentes, favores e, sobretudo, suas filhas. A cada recepção, a rainha Antonella esperava que o príncipe, enfim, escolhesse uma jovem digna de tornar-se sua esposa. Contudo, Felipe via tudo aquilo com crescente irritação — afinal, já deixara claro que não desejava se casar.

— Felipe, — disse Antonella com voz firme, os braços cruzados diante do filho — não é de bom tom esperar por uma mulher que já pertence a outro.

O príncipe ergueu o olhar, ofendido.

— Antes de partir para o exército, deixei claro a Vossa Majestade que Milena seria minha noiva.

— E eu me lembro bem de suas palavras, — retrucou a rainha, o tom oscilando entre a paciência e a resignação — mas é preciso aceitar que ela não apenas recusou sua proposta, como também se uniu ao duque Santos.

Felipe levantou-se abruptamente, a cadeira rangendo contra o mármore.

— Por que ela escolheria um nobre qualquer, e não a mim? O que aconteceu no tempo em que estive longe?

A rainha desviou o olhar. Havia perguntas que nem mesmo o sangue real poderia responder. Ainda assim, convenceu o filho a comparecer às celebrações. Como único herdeiro, sua presença era indispensável — e, no íntimo, tanto ela quanto o rei sonhavam com algo ainda mais nobre que um noivado: um neto.

— Está bem, — cedeu Felipe, após um breve silêncio — mas se nenhuma jovem me agradar, o noivado será adiado.

Antonella suspirou, já prevendo o resultado. Sabia que o filho apenas fingiria cumprir seu dever, recusando uma a uma as pretendentes. Às vezes, em suas noites mais silenciosas, perguntava-se o que realmente levara Milena a rejeitar o príncipe. Qualquer jovem se encantaria com a ideia de ser esposa de um herdeiro real — ainda mais alguém que crescera ao lado dele. Mas Milena recusara com uma convicção tão fria, tão definitiva, que Antonella preferiu nunca insistir.

Ainda assim, os rumores recentes perturbavam seu coração: diziam que o duque Santos mantinha um romance fora do casamento. E a rainha temia que, se Felipe descobrisse, reacenderia sua esperança — esperança essa que poderia destruir ambos.

Assim que Antonella deixou os aposentos, Felipe mandou chamar seu mais fiel amigo, o tenente Willian.

— Descubra o que realmente aconteceu com Milena, — ordenou, a voz carregada de algo entre desespero e determinação. — Quero saber se ela foi forçada a se casar... e, se for o caso, ajudarei-a a escapar.

No fundo, porém, Felipe sabia que não buscava apenas respostas. Ele buscava uma chance — a última — de fazê-la sua.

 

Residência Santos — Capital de Sieben

— Ah, sua graça, já está de pé! — exclamou Lucil, ofegante, ao cruzar as portas do aposento. — Deveria ter me chamado para ajudá-la a se preparar!

A criada atravessou o quarto com a destreza de quem conhecia cada passo do ritual matinal da duquesa. Milena, sentada diante do espelho, ofereceu-lhe um leve sorriso.

— Obrigada, Lucil. Comecei sozinha... senti-me ansiosa demais para esperar. — Ela endireitou a postura, permitindo que Lucil ajeitasse seus cabelos com o cuidado de quem lida com porcelana. — Na verdade, estou bastante nervosa para o jantar de hoje.

Lucil sorriu, enquanto separava os fios dourados entre os dedos.

— Eu também estou, senhora! Não é todo dia que recebemos os pais de sua graça, o duque.

— Preciso que tudo esteja perfeito para os meus sogros, — respondeu Milena, a voz suave, mas sem emoção alguma.

Logo depois, Lucil anunciou que o duque enviara um recado: chegaria apenas próximo à hora do jantar.

— Obrigada, Lucil, pode prosseguir.

Apesar de o casamento com o duque Vitor Santos ter completado quatro meses, Milena já não nutria ilusões sobre o que chamavam de vida conjugal. Desde o início, soubera exatamente o que a aguardava. A proposta da família Santos fora vantajosa demais para ser recusada — não em termos de amor, mas de conveniência.

No dia do casamento, discreto e restrito à família, ela percebeu, sob o véu e o sorriso contido, o que seria sua realidade: o marido mal a olhava nos olhos. Havia frieza em cada gesto, distância em cada palavra. Casamentos por interesse eram assim — e ela fora educada para suportar isso com dignidade.

A mãe advertira-a de que traições poderiam vir; o pai, mais terno, assegurara-lhe que sempre teria um lar ao qual retornar. Mas Milena sabia que o mundo não acolhe mulheres que desistem. Preservar o nome da família era uma obrigação, não uma escolha.

Por isso, não se incomodava com o fato de dormirem em quartos separados — afinal, nunca haviam partilhado sequer a primeira noite juntos. Na ocasião, Vitor alegara cansaço, prometendo voltar no dia seguinte. Nunca voltou.

Desde então, qualquer notícia sobre ele chegava pelos lábios do mordomo Marcos ou por sussurros dos empregados. No início, Milena o esperava para as refeições, até perceber que sempre comeria sozinha. A rotina se tornou previsível, quase confortável. Depois de dois meses, desistiu de esperá-lo. Passou a se dedicar às tarefas da casa, aos servos e às formalidades do título de duquesa.

Aprendeu a se fazer respeitar. Ganhou o apreço dos empregados, que a viam com sincera admiração — não pela posição que ocupava, mas pela serenidade com que enfrentava o vazio do casamento.

Mas então vieram os rumores. Falava-se de um envolvimento entre o duque e a senhorita Valeria Marques — jovem conhecida pelos olhares insistentes e pela ambição sem disfarces. Milena, ao ouvir a notícia, sentiu algo inesperado: nada. Nenhuma raiva, nenhuma dor, nem mesmo surpresa. Apenas uma estranha paz, quase incômoda, Mas, ainda que o coração permanecesse sereno, Milena não deixava de se inquietar com a delicada situação em que se via presa: recém-casada, estava impedida de buscar o divórcio até que o príncipe tomasse esposa. Precisava assegurar que, até lá, nada em sua conduta despertasse. Era necessário manter o casamento intacto, ainda que apenas em aparência, até que o coração do príncipe pertencesse, enfim, a outra mulher.

Sendo assim, sabia que um escândalo desse tipo poderia manchar o nome das duas famílias — e, pior, reforçar as especulações sobre sua vida conjugal. Não podia permitir isso. O jantar daquela noite, com os pais de Vitor, seria sua oportunidade de mostrar controle, elegância e força.

Ela não queria piedade, nem explicações. — Ela desejava, na verdade, que todos se ocupassem de suas próprias vidas.

Escritório dos Santos — Capital de Sieben

O sol ardia alto sobre os telhados da capital, marcando o início de um verão particularmente abafado. No interior de seu escritório, o duque Vitor Santos lutava contra o desejo de permanecer ali até o cair da noite. Sobre a mesa, pilhas de documentos lhe serviam de refúgio — uma desculpa conveniente para adiar o inevitável retorno ao lar.

Os pais haviam anunciado uma visita. Oficialmente, seria apenas um encontro familiar. Mas Vitor conhecia bem o verdadeiro propósito: uma inspeção velada sobre o estado de seu casamento.

Já esperava por esse momento, embora não tão cedo. Imaginara que Beatriz e Rodolfo apareceriam somente meses depois da cerimônia — tempo suficiente para que Milena se adaptasse à rotina da casa e aos costumes dos empregados. No entanto, uma carta inesperada de sua mãe, escrita com a urgência de quem já sabe a resposta, arruinou seus planos. Beatriz perceberia em um piscar de olhos que ele e Milena estavam longe de ser o retrato de um casal recém-casado.

Suspirou, lamentando não ter pedido a Marcos, o mordomo, que instruísse a esposa sobre as formalidades domésticas. Agora, via-se à beira de um desastre social — e, talvez, pessoal.

— Sua Graça! — chamou um funcionário, interrompendo seus pensamentos.

Vitor ergueu o olhar, aceitando os papéis que lhe foram entregues. Passou a revisá-los mecanicamente, usando o trabalho como armadura contra a inquietude que crescia dentro de si.

Quando o relógio marcou sete horas, não havia mais como adiar. O duque pousou a pena, respirou fundo e dirigiu-se à carruagem. Durante o trajeto, arquitetava desculpas, imaginando como justificaria eventuais falhas na conduta da esposa — ou na dele próprio. Sua mãe, certamente, não deixaria escapar nada.

Ao chegar, foi recebido por Marcos, que mal teve tempo de saudá-lo antes que uma voz autoritária e familiar cortasse o ar.

— Vitor.

Beatriz Santos estava logo atrás, imponente como sempre, o olhar avaliando cada detalhe ao redor.

Antes que o duque pudesse articular qualquer palavra de boas-vindas, uma voz doce ecoou ao seu lado:

— Ah, querido, bem-vindo de volta! Estávamos à sua espera!

O coração de Vitor vacilou. Milena aproximava-se com graça e segurança, vestida com elegância discreta, os cabelos arranjados com perfeição. Havia nela uma serenidade radiante — a mesma beleza que o desarmara no dia do casamento. Quando ela tomou seu braço, ele sentiu o sangue pulsar nas têmporas.

— Minha querida, não o mime tanto, — disse Beatriz, num tom curioso, mais brando do que o habitual. — Meu filho deveria estar ciente da visita e preparado para nos receber.

— Ele tem estado muito atarefado, senhora, e se dedica intensamente ao trabalho. O que importa é que agora está conosco.

Vitor piscou, surpreso. A mulher ao seu lado não era a Milena reservada que ele lembrava. Era confiante, cortês e… convincente.

— Concordo com a minha nora! — acrescentou Rodolfo, risonho. — Vamos, já está na hora do jantar!

Quando entraram na sala, Vitor estacou. A mesa estava impecável: porcelanas reluzentes, cristais cintilantes e um banquete digno de corte. Lançou um olhar interrogativo a Marcos, que respondeu com um discreto movimento de cabeça — não, não fora ele o responsável.

Milena.

Foi ela quem organizara tudo.

— Vamos, querido, — disse ela, sorrindo. — É hora de jantarmos.

A refeição transcorreu em perfeita harmonia, com risadas leves e conversas agradáveis. Beatriz parecia satisfeita; Rodolfo, encantado. Quando, enfim, os convidados partiram, deixando um rastro de elogios e alívio, Vitor convidou Milena ao escritório. Precisava entender o que havia acontecido.

Diante dele, ela parecia outra — a mesma mulher, mas com uma presença diferente. Durante o casamento, fora discreta, silenciosa, quase frágil. Agora, havia nela um brilho sereno, quase desafiador.

— Agradeço por organizar o jantar de hoje, — começou ele, tentando soar natural. — Foi... diferente, e devo admitir, surpreendentemente agradável. Superou minhas expectativas.

Milena arqueou uma sobrancelha.

— E o que o duque esperava, exatamente?

— Eu? Bem, eu imaginei que talvez...

— Que eu ficaria à espera de instruções? Uma peça decorativa, talvez? — interrompeu ela, o tom educado, mas carregado de ironia.

Vitor hesitou. Não era essa a intenção, mas as palavras lhe escaparam de forma tola.

— Não quis dizer isso. Apenas pensei que deveria estar—

— Dispense as explicações, — cortou Milena, erguendo-se. — A noite foi agradável, mas já é hora de descansar. Com sua permissão, duque.

Curvou-se ligeiramente e deixou o cômodo, deixando atrás de si o leve perfume de jasmim e um silêncio desconcertante.

Vitor permaneceu imóvel por alguns instantes. Aquela mulher não era a mesma com quem se casara.

E, talvez pela primeira vez, ele percebeu o quanto realmente não a conhecia.

Os rumores haviam chegado até ela? Seria essa a razão da súbita mudança?

Ele não soube responder — apenas sentiu um impulso inesperado de procurá-la.

Não para discutir, nem para repreender.

Mas para perguntar, com a sinceridade que há muito lhe faltava... quando poderia vê-la em seus aposentos.

 

 

 

Thoughts

  • soleioanoite

    Meu, quando ela sai do espelho pensando em como se fazer respeitar e depois aparece naquele jantar assim... parecia outra pessoa. Que virada.

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  • RenataAlmeida

    Como ela vai manter isso tudo em pé sabendo que ele tá com outra? Essa tensão entre fingir e o que ela quer de verdade... segue aonde?

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  • poeta93

    Aquele jantar é fogo. O duque sai do escritório todo ocupado com desculpas, e aí vira a página e ela tá mandando em tudo. Ele perde a narrativa na hora.

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  • LivroDeCabeceira

    Por que Milena disse não pro príncipe? Com tudo aquele peso do reino em cima... fico pensando, era um não bem pensado mesmo? Quer contar?

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  • rascunhoeterno

    Pera, ele agora TEM que voltar pra falar com ela. Tá tipo 'e agora?' e ela já saiu. Boa estratégia de roteiro mesmo.

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  • MargemDaPagina

    O que me prendeu foi a Milena não sentir nada ao saber do caso do duque; essa serenidade fria diz mais dela do que qualquer confissão. E a virada no jantar, com ela a comandar a casa de repente, deixa o leitor a perguntar quem ela é. Fica-me uma dúvida: vais revelar por que ela recusou o príncipe antes de a própria rainha perceber, ou seguras esse mistério até ao fim? A resposta muda o peso de tudo o que vem antes.

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