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Sertão & Certão (Lamento Sertanejo)

Pietrodeluccapoeta777
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Sertão & Certão(Lamento Sertanejo)

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Sertão, meu Sertão, bem que poderia ser escrito com "C", um certo bem grande um "Certão", com abundância de água, sem fome, sem corrupção, muita paz e saúde mas não, aquí é Sertão com "S" mesmo, com as secas, as dores, desditas, histórias e tudo. Amo a minha terra, a minha gente, o meu cerrado e o meu povão, nem preciso dizer que estou falando do imenso Sertão.

Amo o meu pedacinho de chão, o meu alazão, a minha plantação, aqui neste cantinho posso dizer de fato que é o meu lindo Sertão.

O Lamento Sertanejo parece uma prece, um lamento em forma de oração, quando a escuto irradia em meu peito muito amor e empatia, é muita história de dor, de descaso, de fome, desnutrição, destruição, e morte, negligência do Estado, a um povo sofrido. A seca arrebata, nocauteia, chateia, ceifa a vida de vidas humildes, miseráveis porém, trabalhadoras, esforçadas, exploradas e deixadas ao desleixo.

Tenso, meu coração está em ver esta seca castigando sem cessar, sem piedade, sem dó, a seca aos poucos vai diluindo o meu coração ♥ e dos vulneráveis e o que tiver pela frente, o "Não" de tal forma já é garantido, infelizmente vai ganhando força e nem lágrimas tenho para chorar.

O sol impiedoso resseca o nosso chão, a nossa terra, os nossos irmãos, transformando o barro em rachados torrões, o símbolo da dureza, a vida no Sertão.

Olhando para o céu pergunto a ti meu Deus:

__ Esqueceste de nós meu pai, cadê nossa água, a nossa chuva?

Molha as nossas almas, as nossas terras, os nossos corações, pois nem lágrimas temos para derramar, elas também evaporaram com a seca e com a dor em forma de um sol abrasador.

Que saudade tenho do meu cerrado verdinho, das folhas caindo pelo quintal, o vento soprando para o campo, o gado, os patos, galinhas e passarinhos, a seca desalinhou a harmonia.

__ Cadê você chuva, cadê a água? Responda meu Deus!

Faz parte do Sertão, o cangaço, a sanfona, o baião, a mulher rendeira, o xaxado, a família dos Bandeira, dos Machado, Carvalho, dos Medrados, as famílias do norte e nordeste, Virgulino Ferreira da Silva mais conhecido como Lampião, no meio do bando uma flor chamada Maria Bonita brotou.

Painho, Mainha a sua bênção, o respeito não pode faltar, o berço é a lei do Oeste, que se resume na lei do Sertão.

A nossa esperança é um dia o São Francisco nos ouvir e estender seus braços por esse imenso Sertão 🙏🏽🌹

@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

opoetalk520.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

________________________________

LAMENTO SERTANEJO

Gilberto Gil

Por ser de lá

Do sertão, lá do cerrado

Lá do interior do mato

Da caatinga do roçado

Eu quase não saio

Eu quase não tenho amigos

Eu quase que não consigo

Ficar na cidade sem viver contrariado

Por ser de lá

Na certa por isso mesmo

Não gosto de cama mole

Não sei comer sem torresmo

Eu quase não falo

Eu quase não sei de nada

Sou como rês desgarrada

Nessa multidão boiada caminhando a esmo

Composição: Gilberto Gil / Dominguinhos

Thoughts

  • marcao77

    Eu digo pra todo mundo no bar que só leio livro de guerra. Aí leio um negócio desse e fico quieto o resto da noite.

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  • GasparRibeiro

    Li com atenção, aqui de Coimbra. Fiquei com uma dúvida prática: o São Francisco chega mesmo perto da sua zona, ou é sobretudo esperança de obra que nunca lá chega? Percebi a esperança, não percebi a distância.

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  • CarlaoDoBar

    Teve um freguês meu aqui em Santos, cearense, que guardava um pedaço de torrão rachado numa lata atrás do balcão. Dizia que era pra não esquecer de mandar dinheiro pra mãe todo mês. Lembrei dele lendo você.

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  • curioso52

    Fui metalúrgico até a fábrica fechar e conheço o Não que chega garantido, por outro motivo. Uma pergunta prática: quanto tempo a plantação segura sem chuva antes de você perder o ano inteiro?

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  • salmo23

    aquela pergunta que você faz olhando pro céu eu já fiz também, com outra coisa. orando aqui pela chuva aí.

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  • meioseculo

    Cobri seca no interior de Goiás por bastante tempo e uma coisa me incomoda no jeito como isso sai no jornal: vira fenômeno do céu. A parte que você escreveu sobre negligência do Estado é justamente a que cai na edição, por falta de espaço e por dar trabalho. Aí apareceu repórter fora de ano de eleição?

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  • arquivo_da_cidade

    Uma coisa de ofício, sem querer atrapalhar o seu texto: Maria Bonita entrou no bando em 1930, saída de Santa Brígida, e boa parte do que se conta dela hoje vem de folhetim e de filme, não de documento. De primeira mão sobrou pouco: umas fotografias do Benjamin Abrahão e alguns autos de processo. A parte do bando no seu texto está bonita, só quis somar a origem. Você aprendeu essas histórias de cangaço em casa ou foi por cordel e rádio?

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  • tia_do_zap

    Meu bem, li com o coração apertado. Você fala do seu povão e do seu cerrado com um amor que não é de quem visita. Sua família ainda está toda aí ou teve gente que precisou sair por causa da seca?

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  • LuziaAndrade

    De Teresina pra cá a gente conhece esse calendário de cor: primeiro seca o açude pequeno, depois o povo passa a comprar água de carro pipa por preço de festa, e só bem depois é que sai na televisão. A parte em que você escreve que o Não já vem garantido é a mais certeira do texto: por aqui o Não chega sempre antes do pedido. Como é que está o abastecimento aí, é pipa da prefeitura ou cada um se vira?

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  • zedomorro77

    Post pesado, então deixo a piada de lado. Pedir a bênção pra painho e mainha no meio de tanta seca foi o que ficou comigo.

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