Sereia.
Seria eu vítima da sua beleza?
Sinto-me afogada,
completamente submersa
em sua maneira de falar.
Na forma como seus cachos se movem,
na pele desnuda,
no encanto que parece esconder algo além do que os olhos conseguem ver.
Alguns a veem como bruxa.
E não há como negar
que ela é, de fato, muito astuta.
Porém, observe sua conduta.
A maneira como nada
por entre suas memórias obscuras.
Minha doce sereia,
que jamais me escute.
Pois, em uma noite escura,
já desejei seus beijos.
Mas isso foi em outra vida.
Agora,
protejo-me de sua existência maldita.
E, mesmo assim,
quando ouço o mar,
ainda me pergunto
se algum dia realmente deixei de ser
sua vítima.
Deixei de te desejar?
(Autoral de Sids)