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Sem Te Ver, Eu Te Amo

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Pensamento

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O título vem quase palavra por palavra da primeira carta de Pedro, aquele amar sem ter visto, e o poema fecha com as últimas linhas do Apocalipse. Entre as duas pontas cabe muita coisa: a Videira de João, a Noiva de Efésios, o nada nos separará de Romanos

O título vem quase palavra por palavra da primeira carta de Pedro, aquele amar sem ter visto, e o poema fecha com as últimas linhas do Apocalipse. Entre as duas pontas cabe muita coisa: a Videira de João, a Noiva de Efésios, o nada nos separará de Romanos. Lê-se como um percurso pelo Novo Testamento.

Conteúdo da publicação

Sei que nunca contemplei Teu rosto, nem toquei as marcas das Tuas mãos; mas, sem Te ver, eu Te amo e creio, pois Tua graça encontrou meu coração.

Não conheço a cor dos Teus olhos, nem o som da Tua voz como será; mas reconheço a verdade em Tuas palavras e ouço Tua voz quando a Escritura falar.

Bem-aventurado é quem crê sem ver-Te, quem Te ama mesmo sem Te contemplar; pois, embora agora eu caminhe pela fé, sei que um dia face a face vou Te olhar.

E que amor é esse, meu Senhor, que me encontrou quando eu estava perdido? Antes que eu Te buscasse, Tu me amaste; antes que eu Te chamasse, foste comigo.

Viste minhas manchas, conheceste meus pecados e, ainda assim, entregaste-Te por mim; na cruz, levaste a culpa que era minha e revelaste um amor que não tem fim.

Eu, que tantas vezes fui infiel, que prometi e tornei a tropeçar, encontro em Ti um amor que me corrige, mas não desiste de me transformar.

Não quero apenas falar que Te amo, nem vestir uma pureza que ainda não alcancei; quero permanecer em Ti, Videira verdadeira, e dar os frutos da vida que em Ti encontrei.

Que a Tua Palavra habite em meu peito, que ela seja alegria ao meu caminhar; pois cada vez que proclamo o Teu nome, meu coração se enche de alegria e paz.

Quando falo de Ti, minha alma se alegra; quando anuncio a Tua salvação, sinto renovar-se dentro do meu peito a esperança que sustenta o coração.

Não quero entregar-me aos desejos deste mundo, nem esquecer o Noivo que por mim se entregou; quero guardar minha vida para a Tua presença, pois foi o Teu amor que primeiro me alcançou.

Sou parte da Igreja que aguarda, a Noiva que anseia pelo encontro final; não por riquezas, coroas ou ruas de ouro, mas por estar contigo, meu Rei imortal.

Cristo amou a Igreja e por ela entregou-Se, para apresentá-la santa diante de Si; e eu aguardo o dia em que, purificada, a Tua Noiva para sempre estará junto de Ti.

E enquanto esse dia não chega, enquanto caminho sem Te contemplar, ensina-me a ser fiel na espera e a não trocar Teu eterno amor pelo que vai passar.

Se a noite for longa, serei perseverante; se o caminho for árduo, não quero recuar. Pois que valor teria dizer que Te amo se, ao primeiro deserto, eu decidisse Te abandonar?

Não peço uma estrada sem lágrimas, nem uma vida isenta de dor; peço que, em meio a todas as coisas, eu jamais me esqueça do meu Salvador.

Que nada me separe do Teu amor, nem a tribulação, nem a perseguição; pois aprendi que, em todas as lutas, somos mais que vencedores em Tuas mãos.

E quando a trombeta anunciar Tua chegada, quando a espera finalmente terminar, que a Igreja, adornada e preparada, se encontre com o Noivo que veio buscar.

Então não haverá mais distância, nem lágrimas para nos separar; a fé dará lugar à Tua presença, e já não será preciso esperar.

Até lá, meu Cristo, conserva-me fiel; que eu não me distraia com o brilho do chão. Que meu maior desejo não seja o céu sem Tua presença, mas estar contigo, em perfeita comunhão.

Porque não amo somente aquilo que prometes, nem Te procuro apenas pelo que podes fazer. Amo-Te porque primeiro me amaste, e sem Ti, Senhor, nada posso ser.

Minha vida já não pertence a mim mesmo, pois fui comprado por Teu sangue na cruz; vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim, e é Tua presença que me conduz.

E se alguém me perguntar por que espero, por que guardo essa esperança comigo, direi que aguardo o dia em que verei Aquele que, sem que eu O visse, já havia me amado.

Aquele cujo nome alegra minha alma, cuja Palavra me ensina a caminhar; Aquele de quem falar é minha alegria e cuja graça nunca deixará de me sustentar.

Até que venhas, permanecerei; até que voltes, Te esperarei. E quando enfim Te contemplar face a face, aos Teus pés, para sempre, descansarei.

Vem, Senhor Jesus.

Aquele que dá testemunho destas coisas diz: “Certamente, venho sem demora.”

Amém.

  • Gabriel Anjos

Thoughts

  • luzDeVela

    A estrofe do primeiro deserto foi a que guardei. Amar enquanto corre bem é fácil, e o poema pede a parte que custa, ficar nas semanas em que não se sente nada.

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  • LordMonroe

    Sobre a finitude humana diante de um Deus que não dorme nem sonha, O privilégio do limite e a plenitude do Absoluto é uma reflexão em prosa aqui no grupo.

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  • religioes_lado_a_lado

    O título vem quase palavra por palavra da primeira carta de Pedro, aquele amar sem ter visto, e o poema fecha com as últimas linhas do Apocalipse. Entre as duas pontas cabe muita coisa: a Videira de João, a Noiva de Efésios, o nada nos separará de Romanos. Lê-se como um percurso pelo Novo Testamento.

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  • LordMonroe

    A Igreja como Noiva que espera tem uma companhia antiga: o Cântico Espiritual de São João da Cruz é inteiro essa espera da esposa pelo Amado que não se deixa ver. E ele também escreveu sobre a noite e o deserto, como a sua estrofe da noite longa.

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Sei que nunca contemplei Teu rosto, nem toquei as marcas das Tuas mãos; mas, sem Te ver, eu Te amo e creio, pois Tua graça encontrou meu coração.

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