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SAUDADE DOS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM

guimaraes
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SAUDADE DOS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM

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Conteúdo da publicação

Uma homenagem à infância, à família e aos dias que o tempo levou

Ah... se o tempo pudesse voltar,
eu não pediria riquezas,
nem grandes coisas para possuir.

Eu pediria apenas
mais um dia daqueles tempos antigos.

Um dia sem pressa.

Um dia em que a felicidade
cabia em coisas tão pequenas
que hoje parecem enormes.

Eu queria voltar para aquela casa,
onde a porta estava sempre aberta,
onde a família chegava sem avisar
e ninguém precisava mandar mensagem
para dizer que estava com saudade.

Bastava aparecer.

Queria ouvir novamente
as vozes pela cozinha,
as risadas no quintal,
as conversas compridas
que pareciam não ter hora para acabar.

Queria sentir outra vez
o cheiro da comida feita em casa,
o café passado na hora,
o pão quentinho sobre a mesa
e aquela sensação de que
o mundo inteiro estava bem.

Naquele tempo,
não tínhamos tudo.

Mas tínhamos uns aos outros.

E talvez fosse exatamente isso
que fazia aqueles dias tão felizes.

A televisão era simples,
o rádio tocava música pela casa,
as crianças brincavam na rua
até alguém gritar:

“Já está tarde! Venha para casa!”

E a gente voltava correndo.

Sem medo.

Sem pressa.

Sem imaginar
que um dia sentiríamos tanta falta
daquela vida.

As tardes pareciam eternas.

A bicicleta, a bola,
a rua de terra,
os amigos de infância,
as brincadeiras inventadas
com aquilo que encontrávamos.

Não precisávamos de muito
para sorrir.

Uma chuva de verão
era motivo para festa.

Um pedaço de bolo
era motivo para alegria.

Uma visita inesperada
era motivo para reunir todo mundo.

E quando chegava a noite,
a família se juntava.

Alguém contava uma história.

Outro começava a rir.

As crianças brigavam
e cinco minutos depois
já estavam brincando novamente.

Era uma felicidade simples.

Tão simples...

Que só descobrimos o quanto valia
depois que passou.

Hoje existem casas maiores,
celulares modernos,
tecnologia, velocidade
e tantas coisas que antes
nem imaginávamos.

Mas existe uma coisa
que nenhuma tecnologia conseguiu devolver:

o tempo.

O tempo em que nossos pais
eram mais jovens.

O tempo em que nossos avós
ainda estavam aqui.

O tempo em que aquela cadeira
nunca ficava vazia.

O tempo em que a família inteira
cabia ao redor de uma mesa.

Hoje olhamos fotografias antigas
e ficamos alguns segundos em silêncio.

Porque uma fotografia
é uma máquina do tempo
que não consegue nos levar de volta.

Ela apenas nos lembra
do lugar onde fomos felizes.

E como dói perceber
que algumas pessoas daquela fotografia
já não estão aqui.

Aquele sorriso ficou congelado no papel.

Aquela voz ficou guardada na memória.

Aquele abraço virou saudade.

E nós seguimos...

Seguimos carregando
um passado que não podemos tocar,
mas que ainda consegue tocar
profundamente o nosso coração.

Às vezes eu queria voltar
só para ouvir novamente
uma voz que já se calou.

Queria sentar perto de quem partiu
e conversar sobre qualquer coisa.

Não precisava ser uma conversa importante.

Eu só queria ouvir.

Só queria estar perto.

Porque hoje eu daria tudo
por mais cinco minutos
daqueles tempos.

Cinco minutos
para abraçar quem eu não abracei o suficiente.

Cinco minutos
para dizer “eu te amo”
a quem eu achava
que estaria aqui para sempre.

Mas o tempo não negocia.

Ele passa.

Leva a infância.

Leva os cabelos escuros
e coloca fios brancos.

Leva nossos brinquedos.

Leva nossas casas antigas.

Leva pessoas queridas.

E deixa no lugar
uma coisa chamada saudade.

Uma saudade bonita,
mas que às vezes dói.

Dói porque fomos felizes.

E talvez essa seja
a parte mais bonita da saudade:

só sentimos falta
daquilo que um dia
foi muito importante para nós.

Por isso, quando alguém perguntar
por que você gosta tanto
de lembrar do passado,

não tenha vergonha.

É porque naquele passado
existe uma parte de você
que ainda está viva.

A criança que corria pela rua.

O jovem que sonhava
com o futuro.

A família reunida.

Os amigos que a vida levou
para caminhos diferentes.

Os abraços que o tempo
não conseguiu apagar.

Tudo isso ainda mora
dentro de nós.

E talvez envelhecer seja exatamente isso:

aprender a caminhar para frente
enquanto o coração, de vez em quando,
olha para trás.

Olha para a estrada
e diz:

“Como eu era feliz
e não sabia.”

Se eu pudesse voltar,
eu não mudaria quase nada.

Eu deixaria as mesmas tardes.

As mesmas brincadeiras.

As mesmas conversas.

As mesmas pessoas.

Até os pequenos problemas
eu aceitaria novamente.

Porque hoje eu sei:

aqueles dias imperfeitos
eram perfeitos demais.

E se algum dia
eu tiver a oportunidade
de reencontrar todos aqueles
que fizeram parte da minha história,

não quero falar sobre dinheiro.

Não quero falar sobre o tempo perdido.

Quero apenas abraçá-los.

E dizer:

“Eu senti muita saudade de vocês.”

Depois, talvez,
a gente se sente novamente
ao redor daquela velha mesa.

Alguém fará café.

Alguém contará uma história.

Alguém começará a rir.

E, por alguns instantes,
o tempo finalmente ficará parado.

Então eu vou fechar os olhos
e agradecer.

Porque entenderei que os tempos antigos
nunca desapareceram completamente.

Eles continuam aqui.

Nas fotografias.

Nas músicas.

Nos cheiros.

Nas histórias.

Nos nomes.

Nos abraços.

E principalmente...

dentro do nosso coração.

Ah, saudade...

Se você pudesse falar,
talvez dissesse baixinho:

“Não chore porque acabou.”

E eu responderia:

“Eu não choro porque acabou.
Eu choro porque foi lindo enquanto durou.”

E foi.

Foi lindo.

Foi simples.

Foi verdadeiro.

Foi nossa vida.

E talvez os melhores dias
não sejam aqueles que ainda virão,
mas aqueles que já vivemos
e que jamais poderemos esquecer.

Porque o tempo levou os dias...

mas nunca conseguiu levar o amor
que sentimos por eles.

— João Guilherme
Engenheiro Beltrão – Paraná

Thoughts

  • IsauraBrandao

    Menino, em casa de minha mãe era assim também, porta aberta o dia todo e quem chegava ia direto pra cozinha sem bater. E sempre tinha uma vizinha gritando o nome dos meninos no fim da tarde 🙂

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