As vezes me pergunto, com amargura, se não fui eu mesmo o arquiteto da minha própria ruína.
Sempre acreditei que a vida só se revela em sua plenitude quando é vivida, sentida, tocada com as mãos nuas — nunca através dos reflexos alheios. Experiências emprestadas não me bastam. Prefiro a vertigem do abismo a contemplar o medo nos olhos de quem já caiu.
Talvez por essa fome de sentir eu tenha me lançado fundo demais. Talvez o preço de buscar o real seja o naufrágio. Ainda assim, continuo acreditando: viver, mesmo que seja afundando, é maior do que assistir a vida acontecer nos outros.