Eu gosto de conversar. Nos chats, quase sempre prefiro escrever, talvez porque as palavras no papel, ou na tela, me deem o tempo necessário para organizar aquilo que dentro de mim costuma chegar tão depressa. Há algum tempo tenho andado muito só. E, quando a solidão se prolonga, percebo uma coisa simples e dolorosa: não há para quem escrever.
Minhas notas em redações sempre foram boas. Durante muito tempo, porém, enxerguei a escrita apenas como uma habilidade que eu tinha desenvolvido, uma ferramenta para organizar ideias e me expressar. Foi somente este ano que comecei a enxergá-la como arte.
Quando escrevo, geralmente minha mente está muito acelerada. É como se eu estivesse no meio de um surto criativo: pensamentos, imagens, diálogos e histórias aparecem ao mesmo tempo, pedindo para serem colocados para fora. Mas percebi algo curioso depois de começar a escrever com frequência: os meus surtos psicológicos reais diminuíram.
Não digo isso como quem encontrou uma cura simples para aquilo que me atravessa. Digo como quem descobriu uma forma de expressão que parece transformar o excesso em alguma coisa concreta. A escrita me oferece um lugar para colocar aquilo que antes ficava apenas dentro da minha cabeça.
Sim, a arte da escrita criativa tem me curado.
Passei muito tempo transcrevendo manuscritos, passando para o iPad aquilo que antes existia apenas no papel. Nesse processo, não estava somente copiando palavras: estava revisitando pensamentos, histórias, sentimentos e versões de mim mesma.
Também exercitei muito a mente quando simplesmente me sentei para criar, sem necessariamente precisar estar em um surto. Descobri que não preciso esperar a cabeça transbordar para escrever. Posso provocar a imaginação, construir personagens, inventar mundos, transformar uma ideia pequena em uma história inteira.
E talvez essa seja uma das partes mais bonitas dessa descoberta: ao descobrir que sei escrever, comecei também a descobrir quem sou.
Cada texto revela alguma coisa. Às vezes uma memória. Às vezes um medo. Às vezes uma fantasia. Às vezes uma parte de mim que eu ainda não sabia nomear.
Talvez eu tenha começado a escrever porque não havia para quem conversar. Mas, no caminho, descobri que a escrita não apenas me deu companhia. Ela me apresentou a mim mesma.