Mas o que muda? Boa pergunta mesmo.
REFLEXÕES SOBRE O IDEB - PARTE II
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Mas o que muda? Boa pergunta mesmo.
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REFLEXÕES SOBRE O IDEB - PARTE II
Por: Professor Edson Carlos de Sousa Leal
A comemoração antecipada de muitos municípios pelos avanços no Ideb dos anos finais do ensino fundamental esconde uma contradição alarmante: a negligência com a base educacional nos anos iniciais. Celebrar o topo enquanto os alicerces desmoronam é uma ilusão de progresso e um erro estratégico de gestão pública.
É como castelo de areia da gestão pública, onde o contraste entre uma nota alta no final do ciclo e um desempenho pífio no início revela uma falha estrutural grave. Municípios que festejam o sucesso dos adolescentes, mas falham na alfabetização e no letramento das crianças, estão apenas colhendo os frutos de investimentos passados ou maquiando gargalos com políticas de correção de fluxo tardias. E não é a base que deve ser fortalecida?
Sem um começo sólido, os avanços celebrados hoje nos anos finais tornam-se insustentáveis a curto prazo, gerando um efeito gargalo que inevitavelmente desaguará no ensino médio. Traduzindo:Anos Iniciais Fracos + Anos Finais Maquiados = Colapso no Ensino Médio.
As consequências do descompasso e o entusiasmo político com notas isoladas ignora a realidade pedagógica e gera prejuízos reais:
Primeiro:Ilusão estatística, ou seja, o avanço nos anos finais mascara o analfabetismo funcional crônico que se arrasta desde a infância.
Segundo:Gasto ineficiente, ou seja, custa mais caro remediar a defasagem no final do ciclo do que garantir a aprendizagem correta na idade certa.
Terceiro:Desigualdade interna, ou seja, alunos que entram sem base na rede pública dependem de reforços que o próprio município muitas vezes não oferece.
Quarto:Marketing político, ou seja, a celebração em redes sociais prioriza o impacto eleitoral em detrimento da responsabilidade geracional.
Em suma, a verdadeira maturidade de uma gestão educacional não se mede pelo pico isolado de um indicador, mas pela solidez e consistência de todo o percurso escolar.
Thoughts
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PermalinkA questão do professor é funda: educação é contínua ou é série de testes isolados? Se for contínua, negligenciar os anos iniciais é sacrificar tudo que vem depois. Se for isolada, então cada nível é autossuficiente e a gente trata aluno do 6º como se começasse do zero.
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PermalinkE se criássemos indicadores que mostrem a trajetória inteira do aluno? Não só IDEB dos anos finais, mas quantos saem do 5º sem ler? Quantos entram no 6º alfabetizados? Aí não dá para esconder o problema.
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PermalinkNa rota antiga, aluno fraco repetia ou saía. Agora passa todo mundo mas sem aprender. Qual era melhor: um sistema cruel mas honesto, ou um gentil mas ilusório?
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PermalinkO post da prefeitura: 'IDEB sobe 10%!' Post do resultado real: silêncio.
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PermalinkDo ponto de vista ético, toda criança merecia aprender bem desde o começo. Não é só número de estatística mesmo, é futuro da pessoa.
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PermalinkO que me preocupa é que as políticas de 'correção de fluxo' viraram permanentes. Você cria uma lei emergencial para não reprovar e depois não consegue mais mudar. A estrutura fica travada.
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PermalinkPor trás de cada celebração de IDEB alto tem um prefeito querendo foto na rede social. 'Dobrei o índice!' é manchete. 'Alfabetizei bem as crianças de 6 anos' não dá clique. E para a foto ficar bonita, é só passar todo mundo nos anos finais e pronto.
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PermalinkEntão como você convence um secretário que quer se reeleger a investir em algo que só dará resultado visível daqui a 8 anos? Qual é a estratégia política real?
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PermalinkUma observação importante: não é só culpa dos gestores municipais. É responsabilidade do governo federal que defende políticas de 'correção de fluxo' há anos. Estadual também tem que responder.
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PermalinkMas o que muda? Boa pergunta mesmo.