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Queda dos Astros

Saturnino

Conteúdo da publicação

Verdadeiro arcano astral: A Torre Branca Reconstruída

Aí, doce universo, quero te fazer uma pergunta sobre o destino.

Afinal de contas, como conseguimos burlar esse caminho?

São tantas escolhas, tantos rumos...

O que nos espera neste imenso mundo?

Sinceramente, não sei como encarar meus problemas,

mas sei que não estou sozinho nessa jornada.

E, entre minhas doces diversidades e poesias,

vou construir minha própria anarquia.

Pois é nesta guerra que eu mesmo irei batalhar.

Preciso encontrar minha paz

e terminar de me reconstruir,

tornando-me digno daquilo que considero meu amor.

E não estou falando de amar outra pessoa.

Estou falando de amar a mim mesmo.

Antes de entregarmos nosso coração a alguém,

precisamos aprender a acolher o nosso próprio.

Afinal, como posso me doar, amar, realizar,

conviver e compartilhar todos os momentos com alguém

se ainda não aprendi a fazer tudo isso comigo?

Então, doce universo, por que viver sozinho

parece ser uma tarefa tão difícil nos dias de hoje?

Se vou ao cinema sozinho, sou criticado.

Se me sento à mesa de um restaurante sem companhia,

sou julgado.

Desde quando a própria companhia

se tornou motivo para condenação?

Às vezes, para encontrarmos a felicidade,

precisamos trilhar um caminho só.

Não um único caminho,

mas um vale inteiro de possibilidades

que, em algum momento, teremos de percorrer por nós mesmos.

E é justamente nesses caminhos

que conheceremos nossos astros,

nossos amores e nossos amigos.

Falo tanto das amizades...

Talvez porque a família seja algo diferente.

A família é algo que vem com a gente,

mas é o tempo, são as escolhas e os sentimentos

que decidem o que ela se tornará em nossas vidas:

uma grande estrela que nos guia

ou um buraco negro que nos consome.

Para mim, família deveria ser um lugar

ao qual sempre pudéssemos retornar.

Um abrigo onde nos sentíssemos confortáveis,

acolhidos e protegidos.

Mas, enfim, doce queda das estrelas,

conte-me o seu segredo.

A reconstrução da Torre Branca

não é realmente sobre a torre, não é?

É sobre encontrarmos nosso verdadeiro caminho.

Quando nos distraímos olhando para os escombros,

esquecemos que ainda podemos reconstruir tudo.

E, às vezes, precisamos começar do zero.

Recupere suas cores.

Recupere sua alegria.

Abrace sua tristeza,

reencontre sua epifania.

Porque reconstruir-se não significa

nunca mais desmoronar.

Significa aprender que, mesmo entre os destroços,

ainda existe algo em nós que merece florescer.

Existe um artista de quem gosto muito.

Sua música me acompanha de um jeito especial,

e há uma canção que considero um verdadeiro auge,

uma daquelas que parecem traduzir

tudo aquilo que as palavras sozinhas não conseguem dizer.

Hoje, entre tantas melodias,

penso em versos sobre entrar no corpo de alguém,

ser água, ser fogo,

e só querer ser feliz novamente,

sem ferir a própria alma por amar demais.

E existe outra canção que amo profundamente,

mas, enfim...

Acontece.

Eu quero te dar um beijo solto,

desses intercontinentais,

capazes de atravessar oceanos

e desafiar a distância entre dois mundos.

Mas, para chegar até você,

preciso primeiro encontrar meu próprio caminho.

Então, doce universo,

me deixe caminhar.

E me diga:

será que esse é o fio vermelho do destino?

Será que a pequena centelha

que ainda briga dentro de mim,

aquela que insiste em dizer

que eu ainda estou aqui,

continua sentindo esse fio?

Uma vez, eu o encontrei.

Vi meu fio vermelho diante de mim

e, por alguma razão,

deixei que ele partisse.

Mas agora ele volta a se enrolar no meu dedo.

E, enquanto observo esse pequeno laço,

percebo que ainda existe um longo caminho pela frente.

Talvez o destino não seja uma estrada pronta.

Talvez seja apenas um emaranhado de possibilidades,

um universo de escolhas

esperando para serem feitas.

Talvez o fio vermelho não esteja aqui

para me conduzir diretamente a alguém,

mas para me lembrar

de que ainda tenho caminhos a percorrer,

pessoas a conhecer

e partes de mim a descobrir.

Então, é isso, doce universo.

A Torre Branca caiu.

E, entre suas ruínas,

encontrei algo que julgava perdido.

Encontrei minhas cores,

minha vontade,

minha pequena centelha de vida.

Ainda não sei aonde todos esses caminhos vão me levar.

Não sei quais estrelas encontrarei,

quais amores permanecerão

ou quais despedidas ainda precisarei enfrentar.

Mas, pela primeira vez em muito tempo,

não preciso conhecer todas as respostas.

Preciso apenas continuar.

Porque a Torre precisa se reconstruir.

E eu também.

E, quando os últimos escombros derem lugar

a uma nova estrutura,

talvez eu finalmente compreenda

que nunca se tratou apenas de reconstruir uma torre.

Tratava-se de reconstruir a mim mesmo.

E então...

Enfim, acontece.

    Thoughts

    • MesaDeTeologia

      O fio vermelho vem de uma lenda chinesa, o velho da lua que amarra um cordão em quem vai se encontrar. No Japão ele foi parar no mindinho, que é onde ele volta a se enrolar aqui, só que sem ninguém na outra ponta.

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    • Ovid

      A Torre Branca caindo e você achando as próprias cores no meio dos escombros me lembrou a carta da Torre no tarô, que todo mundo tem medo de tirar e que fala de derrubar o que já não segurava nada. Aposto que você começou escrevendo um desabafo e foi se acalmando no caminho, porque o fim já chega mais leve que o começo.

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