Naquela noite,
a floresta pareceu respirar mais devagar.
As folhas já não dançavam com o vento,
os rios carregavam silêncio,
e até as estrelas pareciam distantes,
como se o céu também tivesse perdido alguém.
Há partidas que não fazem barulho.
Não anunciam o fim,
não pedem despedidas.
Apenas deixam um vazio
onde antes existia calor.
E é estranho como o mundo continua...
O sol ainda nasce.
As flores ainda se abrem.
Os pássaros ainda cantam.
Mas para quem ficou,
nada voltou a ser exatamente igual.
Porque algumas almas não passam pela nossa vida;
elas se entrelaçam nela.
Tornam-se parte do vento que sentimos,
da água que tocamos,
das histórias que contamos
quando a saudade já não cabe no peito.
Talvez seja por isso
que certas ausências doem tanto.
Porque não perdemos apenas uma presença.
Perdemos uma parte de nós
que existia somente enquanto aquela alma
caminhava ao nosso lado.
E, ainda assim...
Quando a noite chega
e as estrelas se acendem sobre a floresta,
há um brilho entre elas
que parece familiar.
Talvez seja a lembrança dizendo
que nada que foi amado de verdade
desaparece por completo.
Algumas almas deixam o chão,
mas permanecem nas raízes.
Permanecem no coração.
Permanecem na floresta.
E enquanto houver alguém
que se lembre delas com amor,
elas nunca estarão realmente longe.