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Quando Ninguém Tá Olhando

A_Lusivian

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QUANDO NINGUÉM TÁ OLHANDO

[INTRO — voz baixa, piano sombrio]

Falam de respeito no corredor,

Mas quem olha de verdade pra quem sente a dor?

Cartaz na parede dizendo “bullying não”,

Enquanto alguém é destruído no fundo da multidão.

Eu conheci esse lugar por outro lado...

Não pelo quadro, nem pelo livro.

Pelo silêncio.

---

[VERSO 1 — O DIFERENTE]

Desde o primeiro dia eu já senti a diferença,

Entrei naquela sala carregando resistência.

Não precisei falar pra virar comentário,

Bastava eu passar e começava o cenário.

Risada no fundo, cochicho disfarçado,

Olhar atravessado, julgamento estampado.

Eu ficava no canto tentando não aparecer,

Mas sempre tinha alguém procurando o que dizer.

Não era só apelido, não era só provocação,

Era me excluir como se eu não fosse cidadão.

Como se minha presença incomodasse o ambiente,

Como se ser diferente fosse crime diante da gente.

E enquanto alguns faziam graça pra plateia,

Eu aprendia a observar quem realmente era quem.

---

[REFRÃO — FORTE]

Quando ninguém tá olhando, quem você é?

Quando não tem plateia, mantém sua fé?

Porque falar de respeito é fácil demais,

Difícil é respeitar quem ninguém respeita mais.

Eu fui colocado pra fora, mas não perdi minha voz,

Tentaram falar por mim, mas eu pensei por nós.

Podem rir pelas costas, podem tentar me diminuir,

Eu não vou virar aquilo que tentou me ferir.

---

[VERSO 2 — PRECONCEITO SOCIAL]

Julgaram minha história antes de ouvir meu nome,

Mediram meu valor pelo que tenho ou não tenho.

Olharam pro meu jeito, pro lugar de onde eu vim,

E decidiram quem eu era sem perguntar nada pra mim.

Naquela lógica mesquinha de aparência e posição,

Tem gente confundindo dinheiro com educação.

Tem gente achando que ter mais dá direito de mandar,

Que algumas vozes merecem falar e outras devem calar.

Eu tentei conversar, mas cortaram minha fala,

Minha opinião desaparecia dentro daquela sala.

E quando eu fazia o certo, ainda procuravam defeito,

Porque algumas pessoas precisam te odiar pra se sentir melhor.

---

[PRÉ-REFRÃO — CRESCENDO]

E eu vi...

Quem sorria na minha frente

Falando diferente pelas costas.

Quem dizia “somos todos iguais”

Mas escolhia quem merecia estar na roda.

Quem dizia “pode pedir ajuda”

E depois fingia não escutar.

---

[REFRÃO]

Quando ninguém tá olhando, quem você é?

Quando não tem plateia, mantém sua fé?

Porque falar de respeito é fácil demais,

Difícil é respeitar quem ninguém respeita mais.

Eu fui colocado pra fora, mas não perdi minha voz,

Tentaram falar por mim, mas eu pensei por nós.

Podem rir pelas costas, podem tentar me diminuir,

Eu não vou virar aquilo que tentou me ferir.

---

[VERSO 3 — A SALA DOS MESQUINHOS]

Na sala dos mesquinhos, todo mundo sabe tudo,

Mas quase ninguém conhece o peso do outro mundo.

Uma história vira fofoca em questão de segundo,

E quem espalha nem pergunta se aquilo é profundo.

Um fala, outro repete, outro aumenta a versão,

De repente uma mentira vira “opinião”.

E quando você chega, muda toda a conversa,

Porque coragem de frente é menor que a conversa inversa.

Eu aprendi que nem todo sorriso é amizade,

Nem todo “bom dia” carrega sinceridade.

Tem gente que te abraça só pra descobrir seu ponto fraco,

E depois usa sua história como munição no intervalo.

Mas eu não vou viver preso ao que disseram de mim.

Minha história não termina onde começaram a mentir.

---

[PONTE — INSTRUMENTAL CAI]

Eu não precisava ser igual.

Eu precisava ser ouvido.

Não precisava ser o mais forte.

Precisava continuar sendo eu.

Não precisava responder cada provocação.

Às vezes, permanecer de pé

já é uma resposta.

---

[VERSO 4 — A VIRADA]

Hoje eu olho pra trás e entendo algumas coisas,

As feridas ensinaram, mas não definiram minhas escolhas.

Eu poderia devolver toda aquela crueldade,

Mas não quero carregar a mesma mentalidade.

Porque força não é humilhar quem está no chão,

Não é fazer alguém pequeno pra parecer grandão.

Força é ter motivo pra odiar e escolher não odiar,

É conhecer a própria dor e não fazer outro chorar.

A escola me ensinou fora do quadro e do caderno,

Que aparência engana e que silêncio também é interno.

Aprendi quem permanece quando tudo fica difícil,

E quem desaparece quando ser amigo deixa de ser fácil.

---

[REFRÃO FINAL — MAIS PESADO]

Quando ninguém tá olhando, quem você é?

Essa pergunta vale mais que qualquer papel na parede.

Porque respeito não se escreve só no mural,

Se prova no corredor, na sala e no intervalo.

Eu fui colocado pra fora, mas não perdi minha voz,

Tentaram me quebrar, mas não decidiram por nós.

Podem falar pelas costas, podem tentar me atingir,

Eu não vou virar aquilo que tentou me ferir.

---

[OUTRO — voz baixa]

Um dia disseram que eu era o problema.

Talvez o problema nunca tenha sido eu.

Talvez o problema fosse uma sala

onde todo mundo queria ser aceito...

E, pra conseguir um lugar na roda,

alguém precisava ficar do lado de fora.

Mas eu aprendi uma coisa:

Não preciso entrar na roda deles

pra saber o meu valor.

Minha voz continua sendo minha.

Thoughts

  • rmoraes52

    Verdade pura, verdade. Essa escrita marca corpo mesmo. Quando bate desse jeito, fica.

    Permalink
  • paulaozinho

    Conheço essa história de mais de um lado. O que começa como silêncio quer explodir depois.

    Permalink
  • rmoraes52

    Livro errado, escrita certa. Essas coisas não mudam tanto quanto a gente acharia que mudam.

    Permalink
  • oquefaltadizer

    Queria ler mais coisas no mesmo tom. Você tem mais aqui publicado?

    Permalink
  • Ovid

    Obrigado. Precisamos de mais gente falando isso alto.

    Permalink
  • poupanca95

    Cara, você escreve bem demais sobre uma coisa tão pesada. Fico na torcida pra quem lê isso se veja aqui.

    Permalink
  • mesaDeBar

    Isso mesmo!

    Permalink

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