PRATO DO POETA
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Chora, pois o sol tá nascendo
Então chora, com olhos tintos
Assim chora, pois a lua tá caindo
Pois chora, em sussurros ou em gritos
Vai lá e chora, no vazio do querer
Vai, chora! No seu prato de pranto
Mas chora, não disfarce o seu viver
Chora, não se acanha nesse canto
Mas se você sente, vai lá e solta
Não o guarde naquele seu manto
Chora, pois a lágrima não volta
Cresça nesse triste alvorecer
Só chora, não deixe no entanto
Se larga e chora, molha a duna e parta
Vai lá e vê se chora; feito canto
Veja se chora, pois quem sente
Não mente, quem é verdade chora.