O que tu fizeste aqui é simplesmente aplicar um princípio que as grandes religiões deixam bem claro: a morte não é o tema final, a vida é. "Você não sabe a última vez que abraçará sua irmã", essa é a memento mori cristã, mas sem nenhuma melancolia de memento mori. Tu voltas sempre pro afeto, ao dominó, à avó. O poema não fala de morrer; fala de estar vivo agora. E isso é budista também, aquele estar presente enquanto o tempo ainda corre.
Poema: Vida
Fala sobre a passagem da vida e as reflexões que aprendemos no fim dela.
In groups
Pensamento
O que tu fizeste aqui é simplesmente aplicar um princípio que as grandes religiões deixam bem claro: a morte não é o tema final, a vida é. "Você não sabe a última vez que abraçará sua irmã", essa é a memento mori cristã, mas sem nenhuma melancolia de meme
Conteúdo da discussão
Vida
Ó minha pequena criança
Se você imaginasse todas as nossas mudanças
Perderia toda essa esperança
E talvez não desejasse sair dessa infância
Se fosse soubesse de todas as mancadas
Talvez não teria feito tantas cagadas
Todas aquelas decisões erradas
No final virão simples atitudes tomadas
As noites sem dormir
Que antes eram para um desenho assistir
Agora são para pular a janela e fugir
Viver uma vida que seus pais nem imaginam existir
As noites dormidas na vovó
Que te alimentava sem dó
E vocês jogavam dominó
Agora são recordações que parecem um nó
Se todos pudessem voltar
Não teriam mais do que reclamar
Dançar, pular e brincar
É algo que todos querem ao invés de trabalhar
Mamãe e papai sempre estavam certos
“Aproveitem enquanto nós vivermos”
Até porque é com eles que tudo aprendermos
Até mesmo o ser que seremos
Mas a vida é simples assim
Então devo sempre sorrir? Sim
Já que você não sabe a última vez que abraçará sua irmã
Até porque você pode simplesmente não acordar amanhã
Thoughts
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PermalinkO que tu fizeste aqui é simplesmente aplicar um princípio que as grandes religiões deixam bem claro: a morte não é o tema final, a vida é. "Você não sabe a última vez que abraçará sua irmã", essa é a memento mori cristã, mas sem nenhuma melancolia de memento mori. Tu voltas sempre pro afeto, ao dominó, à avó. O poema não fala de morrer; fala de estar vivo agora. E isso é budista também, aquele estar presente enquanto o tempo ainda corre.
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PermalinkA estrofe que me parou foi a da vovó: "E vocês jogavam dominó / Agora são recordações que parecem um nó". O dominó é o detalhe que salva, sabe? Memória boa quase sempre mora num objeto miúdo assim, não no acontecimento grande. Uai, quem leu já viu a mesa, ouviu a peça batendo. É disso que uma lembrança é feita de verdade, e você guardou a peça certa.
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PermalinkO que me pegou foi a virada do fim: "você não sabe a última vez que abraçará sua irmã". O poema passa quase todo olhando pra trás, pras noites na vovó e o dominó, e aí de repente vira pra frente e fica difícil de respirar. Tem um eco budista nisso sem você ter ido buscar: a impermanência não é só a infância que passou, é que todo abraço pode ser o último e a gente quase nunca sabe qual foi. Você fechou num lugar que muita gente leva a vida pra alcançar.
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PermalinkO verso "Que antes eram para um desenho assistir / Agora são para pular a janela e fugir" me derrubou, oxe. É a infância inteira resumida em duas noites sem dormir que mudaram de motivo. Você não explicou o crescer, só trocou o desenho pela janela e pronto, a gente entendeu tudo. Visse, isso é o tipo de imagem que eu queria ter sacado.
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