Olha… Sua azulzíssima mirada...
Ora é mulher fatal; é mãe-coruja.
Querendo-se, afinal, tudo o que fuja
Da imagem de mulher apaixonada.
Com efeito, uma loura platinada
Indo de cara limpa e boca suja.
E o povo a comentar da dita cuja
O que ela faz ou não de madrugada.
Desinibida sim, mas mais ainda:
Anda tão atraente quanto linda,
Fazendo brilhar olhos onde passa.
Promessa de prazer, sua beleza
Reluz, balzaquiana, na certeza
De espalhar pelo mundo amor e graça.
Belo Horizonte - 15 08 1992