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Pergunta #005 — Por que a gente ensaia conversas que provavelmente nunca vai ter? Spoiler Pergunta Sem resposta

Tatianeturcatti
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Algumas das conversas mais importantes da nossa vida nunca acontecem em voz alta.

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Vinte anos dirigindo ônibus e confirmo: no trânsito é que a gente ganha todas as discussões. Depois desce e fala nada.

Vinte anos dirigindo ônibus e confirmo: no trânsito é que a gente ganha todas as discussões. Depois desce e fala nada.

Conteúdo da publicação

Algumas das conversas mais importantes da nossa vida nunca acontecem em voz alta.

Elas acontecem no banho.

No caminho de volta para casa.

Enquanto dirigimos sem prestar atenção na música.

Antes de dormir, quando o quarto está escuro e finalmente não existe mais nada disputando nossa atenção.

De repente, alguém aparece na nossa mente.

E começa uma conversa que nunca foi marcada.

A gente explica o que gostaria de ter explicado.

Responde aquilo que ficou sem resposta.

Encontra a frase perfeita que não veio naquele momento.

Às vezes, até ganha uma discussão que nunca aconteceu.

E é curioso perceber isso.

Porque passamos minutos, horas ou até anos conversando com pessoas que talvez nunca mais sentem diante de nós.

Mas talvez essas conversas nunca tenham sido realmente sobre elas.

Talvez sejam sobre nós.

Sobre a frase que ficou presa.

Sobre o abraço que não aconteceu.

Sobre a despedida que terminou antes da hora.

Sobre aquilo que gostaríamos de ter dito quando ainda existia espaço para dizer.

A psicologia chama isso de necessidade de fechamento: essa tendência humana de buscar respostas, conclusões e sentidos para aquilo que ficou incompleto.

Quando uma história termina sem uma última página, alguma parte da nossa mente continua voltando até ela, como quem procura uma forma de compreender aquilo que permaneceu aberto.

Não estamos tentando mudar o passado.

Estamos tentando reorganizar a forma como ele continua vivendo em nós.

O psiquiatra e filósofo Viktor Frankl defendia que o ser humano é movido pela busca de sentido.

Talvez seja exatamente isso que fazemos quando ensaiamos diálogos que nunca teremos: tentamos encontrar significado para aquilo que as palavras não conseguiram resolver.

Porque, no fundo, algumas conversas não precisam de um outro participante.

Elas precisam de compreensão.

Existe uma versão nossa escondida nessas conversas imaginárias.

A criança que não soube responder.

O adulto que engoliu palavras para evitar conflitos.

A pessoa que foi embora, mas carregou uma última frase presa na garganta.

Talvez seja por isso que alguns diálogos parecem tão reais.

Porque sentimentos não entendem muito bem a diferença entre uma porta que se fechou e uma porta que nunca foi completamente fechada.

E existe algo curioso nisso:

Nas conversas que nunca teremos, muitas vezes encontramos a coragem que faltou nas conversas que tivemos.

Somos mais claros.

Mais honestos.

Mais rápidos para encontrar a resposta certa.

Criamos a versão de nós mesmos que gostaríamos de ter sido naquele instante.

Mas a vida raramente acontece com roteiro.

Ela acontece no improviso.

Com palavras atravessadas.

Com silêncios.

Com a maturidade de perceber que nem tudo que ficou sem dizer precisa continuar pesando.

Algumas conversas existem apenas para revelar algo que ainda precisamos compreender.

No fim, talvez a gente não ensaie conversas porque espera que elas aconteçam.

Talvez a gente ensaie porque, em algum lugar silencioso dentro de nós, ainda está tentando conversar consigo mesmo.

Preciso confessar: eu já ganhei muitas discussões no banho. 😂
E você, também já venceu uma discussão inteira no banho?

Respostas

  • duvidaHonesta

    Quando você diz que é uma conversa com a gente mesmo, não com a outra pessoa... você acha que a gente sempre soube disso ou foi aprendendo?

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  • Clara_V

    Achei muito real isso do no banho mesmo kkk não é só a gente que ganha discussão ali?

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  • tresCafes

    E tipo, você acha que quem não ensaia conversas é porque já soltou tudo na hora ou porque nem sabe que tá deixando coisas presas?

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  • rotaAntiga

    Pois é, a conversa imagin sempre sai mais certa porque não tem interrução, não tem a gente nervoso. Verdade mesmo.

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  • perguntaAberta

    Essa necessidade de fechamento que você fala... a gente consegue realmente fechar assim ou fica sempre aberto de um jeito diferente?

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  • oquefaltadizer

    Quando você ensaia e encontra a frase perfeita, depois que você encontra, aquela versão imaginária da pessoa muda também ou fica a mesma?

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  • mesaDeBar

    Vinte anos dirigindo ônibus e confirmo: no trânsito é que a gente ganha todas as discussões. Depois desce e fala nada.

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  • guardo_uma_frase

    Mas nesses ensaios a gente muda de ideia também, certo? Tipo, começa falando uma coisa e muda de rumo no meio da conversa imaginária?

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