"confiamos tão pouco na nossa própria certeza" - frase que vou guardar. é verdade mesmo, a gente sabota a si mesmo sem parar
Pergunta #003 - Por que conferimos se a porta está trancada mais de uma vez? Spoiler Pergunta Sem resposta
Tem uma cena que acontece quase todos os dias.
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"confiamos tão pouco na nossa própria certeza" - frase que vou guardar. é verdade mesmo, a gente sabota a si mesmo sem parar
Conteúdo da publicação
Tem uma cena que acontece quase todos os dias.
Você fecha a porta.
Gira a chave.
Dá dois passos.
E, de repente, para.
Volta.
Segura a maçaneta.
Confere mais uma vez.
Não porque a porta pareça aberta.
Mas porque alguma coisa dentro de você ainda não acredita que ela está fechada.
É curioso.
Confiamos tão pouco na nossa própria certeza.
Às vezes não voltamos por causa da fechadura.
Voltamos porque a dúvida tem um jeito silencioso de nos acompanhar.
Ela anda ao nosso lado até o elevador.
Até o portão.
Até a esquina.
E sussurra:
"Será?"
Talvez seja por isso que conferimos.
Não a porta.
A possibilidade de que tenhamos esquecido alguma coisa.
Mas percebi que fazemos o mesmo com a vida.
Voltamos para reler mensagens que já conhecemos de cor.
Repassamos uma conversa inteira procurando uma frase que pudesse ter sido diferente.
Pensamos, pela décima vez, na decisão que já foi tomada.
Como se insistir no passado pudesse mudar o que ele decidiu ser.
É uma tentativa bonita, embora cansativa, de acreditar que tudo ainda está sob o nosso controle.
Mas nem tudo está.
Há portas que precisam ser fechadas uma única vez.
O difícil não é girar a chave.
É continuar caminhando sem olhar para trás.
Porque existe uma parte de nós que acredita que, se conferir mais uma vez, talvez nada se perca.
Talvez ninguém vá embora.
Talvez a vida não mude.
Só que muda.
Sempre mudou.
E continuará mudando.
A verdade é que quase nunca temos medo de deixar a porta aberta.
Temos medo da vulnerabilidade de seguir adiante sem garantias.
Queremos a certeza de que a casa está protegida.
De que o amor está seguro.
De que o trabalho continuará ali.
De que as pessoas que amamos voltarão.
Mas a vida nunca nos deu esse tipo de promessa.
Ela apenas nos pede confiança.
E talvez seja isso que torna tudo tão difícil.
A gente aprende a trancar portas.
Mas ninguém nos ensina a descansar a mente.
Então, da próxima vez que você voltar para conferir a fechadura, talvez valha a pena fazer outra pergunta.
O que, exatamente, eu estou tentando proteger?
Porque, às vezes, a porta já está trancada.
É o coração que ainda permanece aberto para os medos.
—
Até a próxima pergunta.
Respostas
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Permalinkessa pergunta do final "o que estou tentando proteger" me pegou demais. tipo, a porta já tá trancada, eu não?
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Permalinko medo de que as pessoas que amamos não voltem... como é conviver com isso sem enlouquecer? você encontrou jeito?
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Permalinkeu faço isso com mensagens. releio pra ver se falei algo errado. é chato porque sei que já passei, mas fico checando mesmo
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Permalinklembrei de uma rota que abandonamos faz anos. todo dia alguém pregava que era segura de nova. nunca foi. precisamos seguir adiante
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Permalinkaquele momento de "descansar a mente" - vocês conseguem fazer isso? ou fica sempre esse ruído de fundo?
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Permalinkquando você era criança, quem cuidava da sua casa? como era aprender que as coisas continuam quando a gente se vai?
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Permalinkno ônibus tem passageiro que quer descer, volta pro banco pra pegar algo que não deixou. depois quer descer de novo. entendo a ansiedade
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