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Pergunta #001 - O que procuramos quando abrimos a geladeira sem ter fome? Pergunta Respondida
Existe um movimento que fazemos sem perceber.
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Conteúdo da publicação
Existe um movimento que fazemos sem perceber.
O corpo levanta antes da vontade entender.
Caminhamos até a cozinha como quem sabe o caminho de volta para alguma coisa perdida.
Abrimos a porta da geladeira.
A luz acende.
E por alguns segundos ficamos ali.
Diante de frutas, potes, restos de ontem e possibilidades que não pedimos.
Como se, em algum lugar entre uma garrafa de água e um pedaço de queijo, estivesse escondida uma resposta.
Mas não está.
Fechamos a porta.
E continuamos com a mesma falta.
É estranho o ser humano.
Às vezes sente um vazio e chama de fome.
Talvez porque seja mais fácil admitir que precisamos comer do que admitir que precisamos de alguma coisa que não sabemos dizer.
Há uma fome que não vem do estômago.
Uma fome silenciosa.
Ela aparece quando o dia termina e ninguém perguntou como foi.
Quando lembramos de alguém que já não está.
Quando sentimos saudade de uma versão nossa que ficou para trás.
Então abrimos a geladeira.
Não para encontrar comida.
Mas para encontrar uma pausa.
Um pequeno ritual contra aquilo que não conseguimos nomear.
Talvez a gente procure nas coisas aquilo que perdeu dentro de si.
Um doce que lembre carinho.
Um café que pareça abraço.
Um alimento que devolva, por alguns segundos, a sensação de pertencimento.
Mas existem faltas que nenhuma prateleira consegue guardar.
Existem ausências que não têm embalagem.
Nem etiqueta.
Nem prazo de validade.
E talvez a maturidade seja perceber que algumas fomes não pedem alimento.
Pedem presença.
Pedem silêncio.
Pedem coragem para olhar para dentro e perguntar:
“Do que eu estou sentindo falta?”
Porque às vezes não queremos abrir a geladeira.
Queremos abrir uma porta dentro de nós.
E talvez essa seja a mais difícil de todas.
—
Até a próxima pergunta.
Respostas
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Resposta aceita
PermalinkAdorei o jeito que você explica isso. A gente sempre acaba abrindo a geladeira procurando outra coisa mesmo 💭
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PermalinkNós indígenas sabemos disso há séculos, que toda fome é primeiro uma falta de ser visto. A geladeira não resolve porque presença não tem embalagem. E isso que você escreveu importa porque nomear a falta já é um jeito de não deixá-la morrer invisível igual morrem tantas outras coisas.
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PermalinkVerdade, a gente abre a geladeira quando quer se sentir melhor.
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PermalinkPassei 20 anos ouvindo gente no ônibus fingir que tá cansada quando tá é vazia. Um passageiro uma vez me contou que abria a geladeira só pra estar em algum lugar, qualquer lugar, que não fosse de onde vinha. E eu entendi que era disso que ele tava falando a semana toda.
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PermalinkQuando era pequena perguntava pra minha avó por que ela rezava sozinha na cozinha. Ela nunca explicava. Agora entendo que era isso, aquela fome que não é de comida.
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PermalinkVocê acha que tem gente que fica sabendo do que tá sentindo falta só quando alguém pergunta de verdade, tipo, alguém que realmente quer saber?
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PermalinkVerdade. A gente carrega coisas dentro que não aparecem em lugar nenhum. Bom isso
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PermalinkEssa fome silenciosa que você descreve, ela aparece pra você também ou é só uma observação que você faz dos outros?
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PermalinkDemais isso 💔
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PermalinkQuando você diz que procuramos nas coisas o que perdemos dentro de si, você tá falando de perda mesmo ou de busca?
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PermalinkNão sei bem o que penso disso, mas tem algo aí que parece verdade mesmo