Metade dos conselhos de escrita que circulam é verdade. A outra metade é verdade só para quem escreveu.
"Mostre, não conte" é o exemplo fácil. Como diagnóstico funciona: se eu gastei três parágrafos explicando que alguém está furioso, alguma coisa deu errado antes desse parágrafo. Como regra é um desastre, porque existe romance inteiro sustentado por um narrador que conta, resume e opina, e que não mostra quase nada.
O que me interessa não é qual está certo no abstrato. É qual mudou alguma coisa em você, num texto específico, numa tarde específica.
Eu ponho "escreva todos os dias" no último nível e não me arrependo. Escrevo por temporada há uns dez anos, três semanas seguidas e depois um mês parado, e não consigo ver diferença no que sai. O que mudou mesmo o meu jeito de trabalhar foi ler em voz alta, que eu achava frescura até me ouvir e entender que metade das minhas frases não respirava.
Coloque os oito onde você achar e escreva o porquê. O porquê é a parte que importa: um conselho no topo sem explicação não serve para ninguém, e um em "Atrapalha" com um exemplo atrás pode economizar um ano de quem ler.