Há em mim um desejo enorme,
desses que não cabem no silêncio,
que atravessam a noite
e chegam até você
como uma onda inquieta.
É saudade do teu toque,
da pele encontrando a minha,
das mãos dizendo aquilo
que os lábios ainda não ousaram dizer.
Saudade do beijo
que ficou suspenso no tempo,
do instante em que o mundo desaparece
e só existem duas bocas,
dois corpos,
e um coração perdendo o juízo.
Queria você perto,
tão perto que a distância
se tornasse apenas uma lembrança.
Queria sentir teu abraço
como quem mergulha no oceano:
sem medo da profundidade,
sem vontade de voltar à superfície.
Porque meu desejo por você
é feito mar aberto —
imenso, salgado,
quente sob o sol
e misterioso quando a noite chega.
E se algum dia
a saudade nos levar um ao outro,
quero que seja assim:
um toque demorado,
um beijo sem pressa,
o coração acelerado
e o oceano diante de nós.
Que as ondas guardem nossos segredos,
que a lua ilumine nossos corpos,
e que, por uma noite,
eu possa finalmente descobrir
se existe alguma distância
capaz de sobreviver
ao tamanho do meu desejo por você.