Odeio muito esse espelho desgraçado,
Este reflete tudo que eu tenho evitado,
Dor e sentimento são jogados na minha cara,
Maldito seja o reflexo deste corpo já sem alma.
Eu vejo os olhos aflitos do outro eu.
Tão vazios e sem brilho, já sem vaidade,
É nítido na sua face que ele perdeu,
E eu temo que seja esse o eu de verdade.
Eu tento me mostrar são, tento sentir forças,
Mas eu suspeito que as vezes sejam só farsas.
Minhas esperanças estão rasas como uma poça
E um sorriso no rosto nunca me basta.
Talvez eu não odeie tanto esse espelho,
Drástica a oposição, ele quem me mostrou.
Tenho que aceitar a realidade que não creio,
Pois pelo visto, eu odeio muito quem sou.