"Eu te odeio." Avisou Dante, como se estivesse cuspindo veneno em Jonathan. Seu olhar foi afiado e pesado.
"Por que você me odeia estando deitado do meu lado?" Questionou Jonathan, completamente confuso com as ações do 'amigo' que levava pra casa já se faziam anos.
Dante virou levemente o corpo na cama, agora encarando o telhado, preferindo encarar qualquer coisa, menos o homem que estava do seu lado. Seu cabelo curto estava espalhado pelo travesseiro macio.
"Tudo. Eu te odeio por tudo." Fechou os olhos momentaneamente, gesticulando com as mãos. "O jeitinho doce que você me olha... Isso me dá nojo. Eu caio toda vez nesse seu papo furado de um 'eu te amo, razão do meu viver' e depois eu tenho que explicar para os meus pais o motivo que eu sumi junto com você!"
Massageou o próprio rosto. Sua voz tinha sido mais fina e alta do que tinha planejado para jogar na cara de Jonathan tudo o que estava pensando sobre aquela relação de amizade com mais cores que um mosaico de igreja.
"Ah tá, Dante, eu já entendi o que..."
"Tá vendo?! Você é... É muito doce! Muito amoroso!"
Jonathan riu alto. Suas mãos foram para a parte traseira da cabeça, apoiando a área enquanto também se deitava para encarar o teto, imitando o amante. A diferença, não só pela aparência, mas pelo modo de pensar que tinham ali era absurda.
"Que esquisito." Deu uma pausa longa. "Você sempre volta e depois diz que me odeia e sempre fala desculpas diferentes, Dante."
"Não falo não! É culpa sua que esse seu rostinho é bonitinho demais quando me convida pra chegar mais perto em silêncio."
"Mas a culpa também é sua por querer estar mais perto."
Dante revirou os olhos, virando a cabeça para o lado e vendo o perfil do maior.
"Cala a boca. Isso não muda o fato que eu te odeio."
Jonathan sorriu, olhando para Dante também. Seus olhos ganharam um brilho a mais, as pupilas dilataram e conseguiu jurar que o mundo inteiro tinha parado só por um instante.
Hipócrita? Jamais.
Dante se aproximou de Jonathan, com aquela expressão de estresse e de assuntos mal resolvidos. Mesmo que estivesse com um bico enorme por pura birra, ele jamais admitiria isso.
"Eu já não deixei explícito que é pra parar?" E depositou um selo de lábios em Jonathan uma última vez aquela tarde.