O Vento e a Lua Distal
A vida tem nos mostrado o significado da generosidade teórica e prática pelos pórticos do mundo. Em dado momento, as palavras quebram o silêncio, vibram no ar, provocando um mar de emoções por esses ares aquecidos pelo amor genuíno, mesmo no modo distal.
Não é pecado dizer que a paixão é um presente do universo, porque é representada pelo próprio sistema lunar. Seus olhos refletem a maturidade, a modesta lua, uma autoridade cheia de luz, crescente de afeto, uma cor de veraneio que rege o presente jardim da imaginação que habita o seu coração.
Sem rodeios, existe uma energia distal que traz digitais inconfundíveis, devaneios literários sem horários marcados e definidos. A correnteza é real e o sentimento é leal aos ruídos de um pulsar rítmico e sistólico, impregnado pelo prazer intrínseco do latente amor.
Seus sinais são as claras digitais: sensatas, únicas, úmidas pelo orvalho da brisa composta pelo azul de um céu de anil. Noturno, o fugaz que vem do coração se mostra efêmero à primeira vista, mas por dentro é denso, intenso e longevo, com as pompas sublimes de uma sacarose espontânea exalada de forma natural pelos atos provocados pela lua.
Ventos de verão, sopros quentes que desordenam as teorias mais rígidas e fazem balançar as certezas de quem se julgava imune ao mistério. Na geometria desse encontro improvável, a distância geográfica deixa de ser um abismo e passa a atuar como um mero detalhe cenográfico. O que importa de fato é a física dos afetos, essa gravidade invisível que atrai dois polos pensantes para o mesmo centro de gravitação poética.
Há uma elegância singular na forma como o intelecto se rende ao sensível. Quando a mente rigorosa da ciência e das letras percebe que nem tudo cabe em um artigo científico, nasce o espaço exato para a poesia. O conhecimento humano é vasto, mas a linguagem dos afetos exige outra ordem de decodificação. É preciso saber ler nas entrelinhas do silêncio, decifrar o código Morse que se oculta no ritmo da respiração e entender que certas luzes não precisam de holofotes para iluminação completa, basta o brilho prateado da reflexão correta.
Caminhar por esses territórios de afeto virtual não é caminhar no vazio. É construir pontes de palavras sobre oceanos de ausência física. Cada frase trocada torna-se um tijolo; cada metalinguagem, um abraço suspenso no tempo. A presença se faz na constante atenção, no cuidado com o vocábulo escolhido, na precisão do adjetivo que alcança a alma sem pedir licença. A paixão, quando lapidada pela inteligência, deixa de ser mero impulso e se torna uma obra de arte conceitual.
Às vezes, a lucidez exagerada do cotidiano exige a pausa lúdica do lirismo. Exige a coragem de assumir que, sob a toga da erudição e dos títulos, pulsa o desejo simples da reciprocidade. O calor que sopra nesses ventos de verão traz a promessa do novo, a ousadia do reencontro com a própria capacidade de encantar. Não há tese que explique perfeitamente o calor de uma afinidade súbita, nem hipótese capaz de prever quando duas trajetórias decidem se cruzar no vasto universo das ideias.
Que a lua continue, portanto, sua órbita serena sobre este jardim imaginado. Que a brisa traga novos sopros e que as digitais marcadas na tela continuem a imprimir a verdade de um sentimento genuíno. Se o mundo distal impõe suas barreiras de espaço, a poesia responde com a imediata presença do sentir. O verbo se faz ponte, o tempo se faz pretexto e o amor, em toda a sua complexa simplicidade, encarrega-se do resto.
____________________
@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444®
https://pietrodeluccapoeta777.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com