Ninguém avisa quando um abraço será o último.
Ele chega simples, sem música, sem despedidas grandiosas, sem o peso que teria se soubéssemos o que estava por vir.
Os braços se encontram, o tempo desacelera por um instante, e o coração guarda um retrato que a memória passará a visitar nas madrugadas mais silenciosas.
Depois a vida segue.
As portas se fecham, os caminhos se dividem, as estações mudam de nome, e aquilo que parecia eterno se transforma em saudade.
Mas o último abraço não acaba quando os corpos se afastam.
Ele continua morando nas roupas que ainda lembram um perfume, nas fotografias esquecidas, nos lugares onde o riso daquela pessoa ainda parece ecoar.
Às vezes eu penso que os abraços foram inventados porque existem despedidas.
Como se o mundo soubesse que algumas ausências seriam pesadas demais para serem enfrentadas de mãos vazias.
E então lembro daquele instante.
O calor dos ombros, o silêncio entre duas respirações, a vontade inexplicável de permanecer mais alguns segundos.
Talvez o coração soubesse o que os olhos não conseguiam enxergar.
Talvez a alma tenha percebido que estava guardando um adeus dentro de um gesto comum.
E hoje, quando a saudade aperta, não choro apenas pela partida.
Choro pela pessoa que fui naquele último abraço, sem saber que estava segurando, pela última vez, um pedaço inteiro do meu mundo.