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O SILÊNCIO QUE ME LÊ

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Discuto comigo, às vezes,

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Por Lucien Vieira | 03 de setembro de 2026

Discuto comigo, às vezes,

por ainda notar as tantas dores de um desabraço.

Mas discuto também pela ausência

do deguste dos cafés,

ou da sensação prazerosa dos meus pés em outros pés.

Li os inteiros do perdoando e do perdoado,

a inquietação da presença da ausência,

o respirar do ressurgir da revivência,

e os cernes do desejo desejado.

E, outra vez desejei...

Desejei

deslembrar os ajustes do tempo,

de qualquer andamento,

e, na maquinação melódica do pensamento,

descobrir-me o libo

de alguém;

estar naquele lugar — de dengos —,

bolinando os sentidos,

experimentando

a sensação poética do inebriar-me

daqueles odores, sussurros e gemidos;

olhar um olhar

que me descreva o luar — em silêncio —

ao meu (des)entendimento,

o momento

de uma farra a dois,

e saber que, docemente, os meus eus

são seus,

e que os teus vocês

são meus.

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