O Salgueiro e o Vento
Em um bosque qualquer, um salgueiro existia sem muitos problemas. Havia crescido bem, e sua folhagem pendia até o chão, proporcionando uma sombra agradável aos animais da região.
Não era a árvore mais velha, tampouco era considerada a mais bela. Sua altura não lhe conferia o título de alta ou baixa. Era somente uma árvore, parada.
Um vento que sempre passava pela região parou diante daquele salgueiro e, assim como fazia com as demais árvores, questionou:
— O que te faz ser especial? Assim como tantas outras, você apenas muda o ar. O que te faz especial?
A árvore pensou e, então, simplesmente devolveu a pergunta ao vento. A lufada de ar respondeu animadamente:
— Eu? Nunca parei para pensar nisso! Há tanto para conhecer, tanto para descobrir! Por que perder tempo pensando no que me torna especial quando posso simplesmente continuar existindo?
— Somos semelhantes, então — disse a árvore, sentindo os passarinhos terminarem seus ninhos em seus galhos. — Por que eu pensaria nisso, quando posso simplesmente continuar existindo?
E assim, tanto o salgueiro quanto o vento permaneceram confortáveis e satisfeitos com aquilo que eram.
Nem sempre precisamos procurar algo diferente. Nosso valor não depende de sermos especiais aos olhos dos outros.
Afinal, há quem encontre felicidade em percorrer o mundo, como o vento andarilho, e quem prefira permanecer em um só lugar, como o salgueiro silencioso.
(Autoral de Sids)