[Intro — Piano sombrio, chuva ao fundo, guitarra limpa crescendo lentamente]
Voz baixa, quase um sussurro:
Engraçado…
Eu aprendi tanto sobre você…
Que esqueci de perguntar
quem eu estava me tornando
tentando fazer você me enxergar.
[Verso 1 — Voz contida, guitarra melódica]
Eu decorei teus silêncios, teus sorrisos, teu olhar,
Aprendi a ler teus gestos, sem saber me interpretar.
Você falava dos teus sonhos, eu fingia não sentir,
Construindo mil caminhos pra você nunca seguir.
Eu conhecia os teus horários, tua maneira de falar,
Mas não tinha um só motivo pra você me procurar.
Eu estava sempre perto, disponível, presente,
Mas estar diante dos teus olhos não me fez estar na tua mente.
E eu guardava cada frase que você deixava escapar,
Como quem junta os pedaços de algo que não vai voltar.
Você nem notava o esforço, nem percebia a minha dor,
Eu chamava aquilo de esperança…
Era medo de aceitar o fim do amor.
[Pré-Refrão — Bateria entrando gradualmente]
E quantas vezes eu calei
O que gritava dentro de mim?
Quantas vezes me abandonei
Pra não aceitar que era o fim?
Eu fiz de tudo pra ser visto,
Me esqueci de quem eu sou.
Você nunca me prometeu o mundo…
Mas fui eu quem se enganou.
[Refrão — Guitarras abertas, bateria pesada, voz rasgada]
EU ESTOU DO OUTRO LADO DA PORTA!
GRITANDO PRA VOCÊ ME ESCUTAR!
Eu fiz do impossível uma promessa,
Mas não se pode obrigar alguém a ficar!
EU DEI MEU MUNDO POR UM OLHAR!
FIZ DA ESPERANÇA O MEU CATIVEIRO!
Você era o centro de tudo que eu sentia,
Mas eu era apenas alguém no teu roteiro!
E quanto mais eu tentava chegar,
Mais longe eu ficava de mim.
Eu passei tanto tempo querendo o teu amor
Que quase esqueci:
EU TAMBÉM PRECISO DE MIM!
[Instrumental — Riff de guitarra distorcida, bateria marcante]
[Verso 2 — Ritmo mais intenso, baixo pulsante]
Teu telefone tocou numa tarde qualquer,
Era você procurando alguém que eu nunca pude ser.
Você falou de outra pessoa, perguntou o que eu achava,
E eu escondi atrás de um riso tudo aquilo que me esmagava.
Eu disse: “Se te faz feliz, então você deve tentar.”
Enquanto a minha própria voz mal conseguia terminar.
Você agradeceu tão leve, como quem não vê o temporal,
E eu fiquei com mil palavras sufocadas no final.
Depois, o quarto ficou grande, o relógio, devagar,
E as respostas que eu inventava começaram a desmoronar.
Não era culpa tua não sentir o que eu sentia,
Mas por que eu fazia da tua escolha a sentença dos meus dias?
Na manhã seguinte, o mundo não parou pra me esperar,
O café perdeu o gosto, mas eu tive que levantar.
Fui sorrir diante dos outros, responder que estava bem,
Só que a dor de amar sozinho não desaparece por ninguém.
[Pré-Refrão 2 — Guitarra crescente, voz mais intensa]
Eu não posso te acusar
Por não sentir o que eu senti.
Mas também não vou continuar
Me esquecendo pra caber aí.
O teu silêncio não é uma promessa,
Tua atenção não é paixão.
E esperar por uma escolha
Não transforma ausência em relação.
[Refrão — Mais pesado, vocais dobrados]
EU ESTOU DO OUTRO LADO DA PORTA!
GRITANDO PRA VOCÊ ME ESCUTAR!
Eu fiz do impossível uma promessa,
Mas não se pode obrigar alguém a ficar!
EU DEI MEU MUNDO POR UM OLHAR!
FIZ DA ESPERANÇA O MEU CATIVEIRO!
Você era o centro de tudo que eu sentia,
Mas eu era apenas alguém no teu roteiro!
E quanto mais eu tentava chegar,
Mais longe eu ficava de mim.
Eu passei tanto tempo querendo o teu amor
Que quase esqueci:
EU TAMBÉM PRECISO DE MIM!
[Ponte — Piano, voz vulnerável, crescendo progressivamente]
Talvez amar também seja entender
Que nem todo sentimento vai florescer.
Que duas pessoas podem seguir direções
Mesmo carregando verdades no coração.
Eu não preciso te odiar pra te deixar,
Nem transformar tua escolha em uma guerra.
Posso aceitar que você não vai ficar
Sem passar o resto da vida à tua espera.
[Construção — Tambores crescendo, guitarra entrando nota por nota]
E se amanhã teu nome ainda doer,
Eu vou sentir… mas não vou me esconder.
Se a lembrança aparecer sem avisar,
Não significa que eu precise voltar.
Eu fui tão longe tentando te alcançar,
Que esqueci que tinha um chão pra caminhar.
E agora, mesmo sem saber aonde vou,
Vou descobrir quem sou sem implorar por amor!
[Breakdown — Silêncio breve, voz rouca e firme]
Chega de medir meu valor
Pelo espaço que você me dá.
Chega de chamar de destino
Aquilo que eu preciso soltar.
Eu não sou menos por não ser escolhido.
Não sou invisível por você não me enxergar.
Eu posso ter perdido o sonho que eu queria…
MAS NÃO VOU ME PERDER
SÓ PRA TE ENCONTRAR!
[Explosão Final — Banda completa, guitarras pesadas, voz rasgada]
EU ESTAVA DO OUTRO LADO DA PORTA!
MAS NÃO VOU MAIS ME HUMILHAR!
Não vou passar outra vida inteira
Esperando alguém me enxergar!
EU DEI TUDO O QUE PODIA!
AGORA É HORA DE ENTENDER:
O AMOR QUE EU TANTO PROCURAVA
NÃO PODE ME FAZER DESAPARECER!
Você foi tudo o que eu quis,
Foi a história que eu tentei escrever.
Mas não existe amor que justifique
Eu deixar de viver a minha vida por você!
EU NÃO PRECISO TE ODIAR!
EU NÃO PRECISO TE ESQUECER!
SÓ PRECISO OLHAR PRA DENTRO
E VOLTAR A ME RECONHECER!
[Último Refrão — Guitarras melódicas, bateria épica, voz intensa]
EU NÃO VOU MAIS BATER NESSA PORTA!
NÃO VOU MAIS ME ABANDONAR!
Se você nunca quis abrir os braços,
Eu não posso te obrigar a me amar!
E SE AINDA DOER, QUE DOA!
EU NÃO VOU FUGIR DO QUE SENTI!
Você pode não ter me escolhido…
MAS EU NÃO VOU DESISTIR DE MIM!
[Outro — Instrumentos desaparecendo, piano e som de chuva cessando]
Amanhã…
O café vai esfriar na mesma xícara.
A rua vai continuar no mesmo lugar.
Talvez eu ainda me lembre de você…
Mas não vou parar de caminhar.
Pausa.
Por tanto tempo,
esperei você abrir aquela porta.
Hoje eu entendi…
Eu também tinha uma.
E estava aberta
o tempo inteiro.
[Última nota de piano — Silêncio]