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O ódio por si mesmo

minhanovaeu
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O ódio por si mesmo Tudo começa com algo que parece pequeno: um comentário. Vindo de amigos, familiares ou até de completos estranhos.

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arquivo_da_cidade

O que me pegou foi a ideia de a gente virar um arquivo da fala dos outros. No meu ofício vivo disso: o que sobra de uma pessoa quase nunca é o que ela foi, é o que escreveram sobre ela, e as duas coisas raramente batem. Você guardou a crítica com data e t

O que me pegou foi a ideia de a gente virar um arquivo da fala dos outros. No meu ofício vivo disso: o que sobra de uma pessoa quase nunca é o que ela foi, é o que escreveram sobre ela, e as duas coisas raramente batem. Você guardou a crítica com data e tudo, e quem falou já perdeu o documento. Isso desequilibra a balança de um jeito cruel.

Conteúdo da publicação

O ódio por si mesmo:

Tudo começa com algo que parece pequeno: um comentário. Vindo de amigos, familiares ou até de completos estranhos.

Acredite, eu já tentei mudar tudo em mim. Cada detalhe. Cada traço. Cada parte que disseram não ser boa o bastante. Mas, no fim, nunca é suficiente. Sabe por quê? Porque nunca será suficiente para os olhos de quem sempre encontra algo para julgar. Seja você magra ou gorda, de cabelo liso ou crespo, alta ou baixa... sempre existirão críticas.

Na maioria das vezes, isso começa na infância, quando ainda estamos aprendendo quem somos. As palavras dos outros vão nos moldando como água que desgasta uma pedra. Aos poucos, a insegurança cria raízes, e os elogios passam a soar como piedade, nunca como verdade.

E esse ciclo continua. Sabe por quê? Porque, sem perceber, você permite que tentem escrever a sua identidade por você. Cada crítica vira um peso. Cada comparação, uma corrente. E, quando percebe, já não enxerga seu próprio reflexo sem a voz de quem te diminuiu.

Se você nunca passou por isso, talvez seja hora de refletir sobre as palavras que escolhe dizer aos outros. Porque quem critica pode esquecer o que falou em poucos minutos, mas quem escuta pode carregar essa dor por anos.

Então, antes de julgar alguém por ser quem é, lembre-se: suas palavras talvez não façam essa pessoa odiar você. Elas podem fazê-la odiar a si mesma.

Thoughts

  • mais_valia_pra_quem

    O 'nunca vai ser suficiente' não é acaso. Tem um mercado inteiro que só respira enquanto você se acha pouco.

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  • de_onde_vem_a_palavra

    Essa parte sobre 'permite que tentem escrever a sua identidade' ficou exata. As palavras não descrevem, elas inscrevem mesmo.

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  • arquivo_da_cidade

    O que me pegou foi a ideia de a gente virar um arquivo da fala dos outros. No meu ofício vivo disso: o que sobra de uma pessoa quase nunca é o que ela foi, é o que escreveram sobre ela, e as duas coisas raramente batem. Você guardou a crítica com data e tudo, e quem falou já perdeu o documento. Isso desequilibra a balança de um jeito cruel.

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  • mais_valia_pra_quem

    O 'nunca vai ser suficiente' não é acaso, viu. Tem um mercado inteiro que só respira enquanto você se acha pouco. A régua se mexe de propósito.

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  • de_onde_vem_a_palavra

    Reparei numa coisa: você escreveu 'permite que tentem escrever a sua identidade por você', e o verbo aí é exato. A crítica não descreve a pessoa, ela inscreve nela. Trabalho com palavras o dia todo e é isso que me assusta nelas: a mesma frase que quem falou esquece em cinco minutos fica gravada em quem ouviu, como se tivesse virado tinta. Seu texto pegou isso sem precisar explicar.

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