Nossa, a tensão entre eles era tanta que eu tava com o coração acelerado só lendo. E depois vem aquele "Larga isso"... como assim ela sabia?
O Livro dos Sonhos
CAPÍTULO 8
In groups
Pensamento
Nossa, a tensão entre eles era tanta que eu tava com o coração acelerado só lendo. E depois vem aquele "Larga isso"... como assim ela sabia?
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Capítulo 7 - GIRASSÓIS DE VAN GOGH
GIRASSÓIS DE VAN GOGH
O quadro que eu não tive coragem de tocar
Depois de tantas histórias, tantas quedas e tantas tentativas de sobreviver a mim mesmo, eu finalmente estava tentando viver.
Não era uma vida completamente nova.
Ainda existiam cicatrizes.
Ainda havia noites em que a lembrança do que vivi parecia voltar sem pedir licença. Seis meses haviam se passado desde o fim do meu segundo casamento, e, mesmo com o tempo avançando, existia uma dor silenciosa escondida em algum lugar dentro de mim.
Uma daquelas dores que não gritam.
Apenas permanecem.
Eu seguia trabalhando, conversando, sorrindo, conhecendo pessoas. Por fora, a vida parecia continuar. Mas, por dentro, havia um homem tentando descobrir como recomeçar depois de ter acreditado, mais uma vez, que havia encontrado algo para sempre.
Mesmo assim, eu queria seguir em frente.
Queria novos lugares.
Novas pessoas.
Novos ares.
Novas sensações.
Queria sentir que ainda existia vida depois daquilo.
E foi tentando encontrar um novo caminho que, inesperadamente, eu encontrei os girassóis de Van Gogh.
Não os verdadeiros girassóis.
Mas alguém que me fez compreender por que algumas obras de arte parecem sobreviver ao tempo.
Eu a conheci através das palavras.
E talvez tenha sido exatamente isso que mais me surpreendeu.
Ela não entrou na minha vida com promessas grandiosas. Não chegou dizendo que mudaria a minha história. Não apareceu tentando ocupar espaços que ainda estavam quebrados dentro de mim.
Ela simplesmente conversou comigo.
Mas não eram conversas comuns.
Não eram aquelas palavras vazias que começam com um simples:
— Oi, tudo bem?
— Como foi o seu dia?
Não.
Com ela, as conversas pareciam começar onde as conversas normais terminavam.
Falávamos sobre literatura.
Sobre música.
Sobre arte.
Sobre sentimentos.
Sobre vinho.
Sobre os mais caros e os mais simples.
Sobre o sabor das coisas e sobre a forma como cada pessoa aprende a encontrar beleza até naquilo que parece pequeno.
Falávamos sobre compositores, concertos, músicas clássicas.
Beethoven.
E tantos outros artistas que haviam deixado sentimentos eternizados em notas, telas e palavras.
A música clássica nos atravessava de uma maneira difícil de explicar.
Era como se algumas melodias não fossem feitas para serem apenas ouvidas.
Eram feitas para serem sentidas.
Havia momentos em que uma simples música parecia dizer tudo aquilo que nós dois não conseguíamos explicar.
E foi em meio a essas conversas que chegamos aos girassóis de Van Gogh.
Falávamos sobre aquele homem intenso.
Um homem que carregou dores.
Rejeições.
Solidão.
Problemas que talvez o mundo nunca tenha conseguido compreender completamente.
Mas, mesmo ferido, ele continuou criando beleza.
Transformou dor em cor.
Transformou caos em pinceladas.
Transformou aquilo que o machucava em algo que faria o mundo olhar para ele, mesmo depois que já não estivesse aqui.
Talvez fosse por isso que Van Gogh nos fascinava tanto.
Porque, de alguma maneira, nós também tentávamos fazer isso.
Transformar aquilo que nos doía em alguma coisa que pudesse sobreviver.
Eu escrevia.
Ela sentia.
E, entre palavras, músicas e silêncios, fomos criando um universo que parecia existir apenas quando estávamos conversando.
Quanto mais eu a conhecia, mais tinha a sensação de que estava diante de algo raro.
Ela era uma mulher de uma beleza impressionante.
Sua pele negra parecia ganhar ainda mais vida quando encontrava a luz.
Seu sorriso era intenso.
Seus dentes brancos contrastavam de uma forma que fazia qualquer sorriso parecer ainda maior.
E havia algo em seu corpo, em sua presença, em sua maneira de caminhar, que simplesmente chamava atenção.
Era impossível não olhar.
Impossível não admirar.
Mas, por mais que sua beleza física me encantasse, não era isso que mais me prendia.
Era a profundidade.
Ela parecia uma pintura.
Uma daquelas obras que você observa durante alguns segundos e pensa que já entendeu.
Mas, quando olha novamente, percebe um novo detalhe.
E depois outro.
E outro.
Quanto mais eu olhava, menos acreditava que alguém assim pudesse realmente existir.
Ela parecia uma obra de arte viva.
Uma pintura que respirava.
Foi então que marcamos nosso primeiro encontro.
Cabo Frio.
O mar.
A noite.
As estrelas.
E duas pessoas que já haviam se conhecido profundamente antes mesmo de se tocarem.
Quando a vi sentada, olhando para o mar, senti que algumas imagens não precisam de moldura para se tornarem inesquecíveis.
O vento brincava com seus cabelos.
As ondas se movimentavam diante de nós.
E o céu parecia grande demais para tudo aquilo que eu estava sentindo.
Eu me aproximei.
E, antes mesmo de qualquer conversa, me inclinei próximo ao seu ouvido.
Sussurrei:
— Oi, bonequinha.
Ela olhou para trás.
E sorriu.
Foi um daqueles sorrisos que parecem encontrar você antes mesmo de você conseguir encontrá-los.
Nossos olhos não apenas se cruzaram.
Eles se tocaram.
De alguma maneira estranha, parecia que já nos conhecíamos havia muito tempo.
Como se a nossa história tivesse começado antes daquele encontro.
E as palavras continuaram fluindo.
Como sempre.
Sentamos ali, olhando para o mar, conversando sobre tudo.
E sobre nada.
Ela, inicialmente tímida, foi se aproximando.
Em determinado momento, apoiou os cabelos sobre meu ombro.
E, por alguns minutos, eu simplesmente fiquei ali.
Olhando o mar.
Sentindo o vento.
E tentando entender como alguém que eu havia conhecido há tão pouco tempo podia despertar em mim uma sensação tão familiar.
Foi naquele período que nasceu o apelido.
Bonequinha.
À primeira vista, talvez parecesse apenas um nome carinhoso.
Mas, para mim, havia mais coisas por trás dele.
Eu a via como algo precioso.
Como uma boneca de porcelana.
Não porque fosse frágil.
Mas porque despertava em mim um desejo imenso de proteger.
Ao mesmo tempo, entre nós, aquele apelido também carregava uma intimidade que apenas nós compreendíamos.
Existia provocação.
Desejo.
Confiança.
Uma linguagem própria construída entre olhares, palavras e vontades que só pertenciam àquele universo que criamos.
Nossa intimidade cresceu.
E cresceu rapidamente.
Havia uma química impossível de ignorar.
Falávamos abertamente sobre desejos, fantasias e curiosidades.
Sobre aquilo que despertava nossos sentidos.
Sobre o que nos atraía.
Sobre os limites que existiam entre confiança e entrega.
Era uma relação intensa.
E, justamente por existir respeito e consentimento entre nós, havia liberdade para conversar sobre coisas que talvez não conseguiríamos falar com qualquer outra pessoa.
Descobrimos que algumas fantasias combinavam.
Que algumas diferenças também se encontravam.
Que, de alguma maneira, aquilo que despertava desejo em mim encontrava espaço naquilo que despertava desejo nela.
E a intensidade não ficava apenas nos momentos de intimidade.
Ela estava em tudo.
Na forma como conversávamos.
Na maneira como nos olhávamos.
Nas mensagens.
Nas provocações.
Nas promessas ditas em tom de brincadeira, mas carregadas de desejo.
Ela sabia me ouvir.
E, mais do que isso, parecia guardar cada detalhe.
Uma vez, em nossas conversas, contei a ela sobre algo simples que despertava muito em mim: a cor vermelha.
A intensidade daquela cor.
O simbolismo.
A maneira como ela, em determinadas situações, parecia incendiar todos os sentidos.
Não precisei pedir nada.
Não precisei repetir.
Em um de nossos encontros, ela simplesmente apareceu vestida de uma forma que havia escolhido especialmente para mim.
Vermelho.
Intenso.
Marcante.
Ela havia me ouvido.
De verdade.
E talvez seja isso que tenha tornado tudo ainda mais intenso.
Não era apenas desejo.
Era a sensação de ser percebido.
De ser escutado.
De alguém guardar, em algum lugar da memória, aquilo que você disse quando ninguém estava prestando atenção.
Mas nossa história não era feita apenas de noites intensas.
Existia carinho.
Existia família.
Ela conheceu minha mãe e meu pai.
E houve um gesto que ficou marcado em mim.
No aniversário da minha mãe, ela preparou um bolo.
Não um bolo qualquer.
Ela era confeiteira profissional.
A arte também vivia em suas mãos.
Criava doces, cores, detalhes.
Transformava ingredientes em celebrações.
E naquele dia ela preparou algo especial para a minha mãe.
Um gesto simples para algumas pessoas.
Mas gigantesco para mim.
Porque eu via carinho nos detalhes.
E ela tinha uma maneira especial de demonstrar carinho.
Aos poucos, fui conhecendo também a história dela.
Sua vida.
Suas dores.
As pessoas que haviam passado por seu caminho.
Os abandonos.
As perdas.
As cicatrizes que ela também carregava.
Percebi que aquela mulher que parecia tão forte também havia enfrentado tempestades que poderiam ter destruído muita gente.
Ela tinha filhos.
Tinha uma família.
Tinha uma vida construída.
E, em determinado momento, percebi que havia algo naquela estrutura que tocava diretamente em um sonho antigo que eu carregava.
Era como se, por alguns instantes, eu estivesse diante de uma vida que sempre imaginei.
Uma família já formada.
Uma casa cheia de histórias.
A sensação de pertencimento.
E talvez isso tenha me assustado ainda mais.
Porque, quando algo parece perfeito demais, quem já foi machucado começa a procurar onde está o perigo.
Vivemos momentos incríveis.
Saímos.
Rimos.
Conversamos.
Criamos memórias.
Mas houve um momento que, para mim, ultrapassou todos os outros.
Eu a convidei para ir à igreja.
Ela aceitou.
E, em determinado momento, aconteceu algo que nunca vou esquecer.
Diante daquela multidão, fomos ao altar.
Eu me ajoelhei.
E ela se ajoelhou atrás de mim.
Ali.
No chão.
Diante de Deus.
Ela entregou sua vida a Jesus Cristo.
E eu estava ali para testemunhar aquele momento.
Duas pessoas que haviam conversado sobre arte, desejo, música, vinho e tantas coisas da vida agora estavam ajoelhadas diante da mesma cruz.
Naquele instante, tudo parecia fazer sentido.
E talvez tenha sido justamente por isso que minha confusão se tornou ainda maior.
Porque, mesmo vivendo algo tão bonito, eu ainda estava ferido.
A tristeza não havia desaparecido.
Eu tentava escondê-la.
Tentava seguir.
Tentava amar.
Tentava oferecer a ela a melhor versão de mim.
Mas existia uma guerra acontecendo dentro do meu peito.
Uma guerra silenciosa.
Uma guerra que ela não merecia enfrentar comigo.
E, mesmo assim, ela parecia perceber.
Eu desabafava com ela.
Contava meus medos.
Minhas dores.
Os pensamentos que eu não dizia para mais ninguém.
E ela dizia que cuidaria de mim.
Que faria o que pudesse.
Que me abraçaria mesmo quando eu não soubesse como pedir um abraço.
Eu nunca tinha visto alguém demonstrar uma vontade tão grande de permanecer.
E, paradoxalmente, foi isso que também começou a me dar medo.
Um medo profundo.
Porque eu já havia vivido situações intensas demais.
Já conhecia o peso que uma relação pode carregar quando uma das pessoas coloca toda a própria existência nas mãos da outra.
E eu não queria ser responsável por destruir alguém que parecia me amar tanto.
Era um sentimento estranho.
Amor misturado com medo.
Desejo misturado com culpa.
Fé misturada com pecado.
Esperança misturada com tristeza.
Eu vivia um verdadeiro buquê de emoções.
E, em meio a tudo isso, comecei a cair novamente.
Não de uma única vez.
Mas aos poucos.
Comecei a fazer coisas que havia prometido a mim mesmo que não faria novamente.
Voltei a fumar.
Depois de anos sem colocar um cigarro na boca, lá estava eu outra vez.
Tentando encontrar fumaça onde eu deveria encontrar cura.
Tentando preencher um vazio que nenhum cigarro poderia preencher.
E houve um momento que nunca consegui explicar completamente.
Eu estava sozinho.
Em um lugar escondido.
Com um cigarro na mão.
Longe de qualquer pessoa.
Ninguém sabia onde eu estava.
Ninguém poderia me ver.
Foi então que meu celular recebeu uma mensagem.
Era dela.
Duas palavras.
“Larga isso.”
Eu congelei.
Olhei para a mensagem.
Olhei para o cigarro.
E fiquei tentando entender.
Como ela sabia?
Ela não estava comigo.
Não havia ninguém por perto.
Não existia nenhuma forma lógica de ela saber o que eu estava fazendo naquele momento.
Mas ela disse.
“Larga isso.”
E eu larguei.
Naquele instante, não tentei procurar explicações.
Não sei se foi coincidência.
Não sei se ela simplesmente sentiu que eu não estava bem.
Não sei se foi Deus usando alguém para me alcançar.
Só sei que, para mim, aquilo pareceu uma resposta.
Como se Deus pudesse falar através das coisas mais improváveis.
Através de uma mensagem.
Através de uma música.
Através de uma pessoa.
Naqueles dias, ela também compartilhou um louvor que mexeu profundamente comigo.
E uma das mensagens daquela canção parecia conversar diretamente com aquilo que eu estava vivendo:
“Jesus, quebra meu orgulho...”
Aquelas palavras chegaram em um momento em que eu precisava olhar para mim mesmo.
Precisava reconhecer que ainda havia coisas quebradas dentro de mim.
Que eu não podia simplesmente entrar na vida de alguém e fingir que estava inteiro.
Porque eu não estava.
Eu ainda carregava espinhos.
E foi então que comecei a perceber algo doloroso.
Eu a achava perfeita demais para receber minhas feridas.
Eu olhava para ela como quem olha para um quadro raro.
Bonito demais.
Valioso demais.
Intenso demais.
E pensei:
Eu não tenho o direito de colocar a minha dor sobre essa obra de arte.
Ela já havia sofrido demais.
Já havia enfrentado histórias difíceis.
Já conhecia o peso de situações que eu jamais gostaria de repetir dentro de uma relação.
E eu não queria me tornar mais uma cicatriz.
Não queria que ela tivesse de olhar para mim e lembrar de vícios, excessos, recaídas ou dores que pertenciam a um homem que ainda estava tentando se reconstruir.
Eu precisava me curar.
Antes de amar alguém completamente.
Foi então que tomei uma das decisões mais difíceis.
Decidi terminar.
Não porque não existisse sentimento.
Mas porque existia.
Talvez esse tenha sido o problema.
Eu a amava o suficiente para reconhecer que, naquele momento, eu não conseguia oferecer a ela aquilo que merecia.
Nós choramos.
Eu a abracei.
E tentei explicar.
Disse que estava passando por uma situação difícil.
Que precisava me curar.
Que não queria que ela fosse atingida por uma guerra que era minha.
Eu era, naquele momento, um homem cheio de espinhos.
E ela parecia um jardim.
Eu tinha medo de machucá-la tentando permanecer.
Então, por amor, escolhi ir embora.
E não existe beleza em dizer isso.
Porque amor também dói quando decide fazer a coisa certa.
Hoje, a vida seguiu.
Ela seguiu seu caminho.
Eu sigo o meu.
Ainda existe carinho.
Ainda existe respeito.
Ainda existem algumas mensagens.
Às vezes, mensagens de amor.
Às vezes, lembranças.
Às vezes, provocações que nos fazem recordar a intensidade que um dia existiu entre nós.
Mas não existe mais o relacionamento.
Não existem mais os encontros.
Existe uma espécie de silêncio.
Um silêncio que, curiosamente, ainda parece me responder.
E, em alguns momentos, uma pergunta volta.
Será que um dia nossos caminhos vão se encontrar novamente?
Será que tudo isso aconteceu apenas para que eu me preparasse?
Para que ela se preparasse?
Será que algumas pessoas precisam se afastar não porque a história terminou, mas porque ainda não chegou o momento de continuar?
Eu não sei.
Talvez o tempo saiba.
Talvez Deus saiba.
Talvez existam histórias que não precisam ser respondidas imediatamente.
Algumas obras precisam de distância para serem admiradas.
Alguns quadros precisam permanecer intocados para que possamos compreender seu verdadeiro valor.
E talvez ela tenha sido isso para mim.
Uma obra de arte viva.
Os meus girassóis de Van Gogh.
Ela chegou quando eu estava tentando reencontrar as cores depois de um período escuro.
Chegou com palavras.
Com música.
Com profundidade.
Com desejo.
Com fé.
Com amor.
Com medo.
Com tudo.
Ela me mostrou que uma pessoa pode carregar muitas coisas ao mesmo tempo.
Pode ser arte e tempestade.
Pode ser desejo e cuidado.
Pode ser pecado e oração.
Pode ser abrigo e perigo.
Pode ser uma resposta e, ao mesmo tempo, uma pergunta.
Eu nunca vou esquecer a sensação de olhar para ela e pensar:
Como alguém assim existe?
Talvez essa seja a verdadeira essência de uma obra de arte.
Ela não precisa ser compreendida para ser admirada.
Não precisa ser possuída para ser amada.
Não precisa ser tocada para transformar quem a observa.
E, por mais que tenha doído, foi exatamente isso que escolhi fazer.
Eu não toquei no quadro.
Eu não porque não quisesse.
Mas porque, naquele momento, minhas mãos ainda carregavam espinhos.
Eu precisava aprender a não ferir tudo aquilo que era bonito apenas porque ainda não sabia lidar com a dor que existia dentro de mim.
Por isso, eu a deixei partir.
Não sem lágrimas.
Não sem medo.
Não sem desejo de voltar atrás.
Mas a deixei partir.
E, ainda hoje, quando penso naquela história, não me lembro apenas de uma mulher.
Lembro-me de um período.
De uma música.
De um altar.
De uma mensagem dizendo para eu largar aquilo que estava me destruindo.
Do mar de Cabo Frio.
Das estrelas.
Do vento.
Das conversas que pareciam não ter fim.
Dos olhares que não apenas se encontravam.
Se tocavam.
E, principalmente, lembro-me dos girassóis.
Porque talvez seja isso que eu tenha aprendido com Van Gogh e com ela:
Mesmo depois de atravessar períodos escuros, ainda somos capazes de florescer.
Ainda somos capazes de criar beleza.
Ainda somos capazes de oferecer cor ao mundo.
Mas, antes de oferecer um jardim a alguém, às vezes precisamos aprender a arrancar os espinhos de dentro de nós mesmos.
E talvez seja por isso que, entre todas as coisas que vivi, algumas histórias não se encerram completamente.
Elas apenas ficam penduradas na parede da memória.
Como um quadro.
Esperando.
Silenciosamente.
Enquanto, em algum lugar dentro de mim, os girassóis continuam florescendo.
E eu ainda me pergunto se, algum dia, terei coragem de tocar naquele quadro novamente.
Thoughts
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PermalinkAquela coisa de a mulher "saber" que ele tava fumando sozinho... vocês acham que ela realmente sabia, ou era coisa da cabeça dele?
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PermalinkAcordei no meio porque comecei a chorar em cima do telemóvel kk. Mas voltei depois porque tipo, não dá pra abandonar uma história assim.
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PermalinkFico com pulga atrás da orelha com a história toda. Tipo aquele ponto onde ele aparece pedindo desculpas... não bateu direito. Falta coisa.
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PermalinkAquilo de escolher ir embora porque ama demais pra não machucar... eu entendi. Tem gente que pensa amar é ficar, mas às vezes é saber sair.
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PermalinkMe diz, quando você lê um texto assim denso, você consegue parar? Ou fica daquele jeito que não dorme por causa de tudo que ficou por falar?
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PermalinkA história toda era bonita mas aquela hora que ele decide deixar ela ir, algo bateu como certo. A gente sabe quando está ferido demais pra não ferir ninguém.
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PermalinkNossa, a tensão entre eles era tanta que eu tava com o coração acelerado só lendo. E depois vem aquele "Larga isso"... como assim ela sabia?
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PermalinkQuando ele diz que não conseguia ser inteiro pra alguém inteiro... a gente realmente precisa estar pronto, ou é só desculpa pra não arriscar?
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