A estrutura de repetição é deliberada? Cada 'presença' que aparece traz uma 'ausência' logo depois. Parece esculpir o sentimento pela oposição.
O corpo nunca soube o que era você. A minha alma, sim.
Existe uma pergunta que me acompanha desde que você foi embora. Como é possível sentir tanta falta de alguém que eu nunca pude abraçar?
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Pensamento
A estrutura de repetição é deliberada? Cada 'presença' que aparece traz uma 'ausência' logo depois. Parece esculpir o sentimento pela oposição.
Conteúdo da discussão
O corpo nunca soube o que era você. A minha alma, sim.
Existe uma pergunta que me acompanha desde que você foi embora.
Como é possível sentir tanta falta de alguém que eu nunca pude abraçar?
O mundo me ensinou que o amor nasce do toque.
Das mãos que se encontram.
Dos beijos.
Da convivência.
Dos domingos preguiçosos dividindo o mesmo sofá.
Mas ninguém me preparou para amar alguém cuja presença cabia inteira dentro de uma tela.
E, ainda assim...
Era presença.
Porque amor nunca foi uma questão de proximidade.
Foi de reconhecimento.
Eu aprendi o ritmo da sua voz antes de conhecer o peso do seu abraço.
Aprendi a identificar seus silêncios antes de decorar o contorno do seu rosto.
Sabia quando você estava sorrindo apenas pela forma como escrevia.
Sabia quando alguma coisa tinha partido você por dentro antes mesmo de você encontrar coragem para contar.
É curioso...
Nunca dividimos a mesma cidade.
Mas dividimos medos.
Sonhos.
Madrugadas.
Planos que pareciam maiores do que a distância.
Enquanto o mundo dizia que éramos duas desconhecidas, eu sentia que estava, finalmente, conhecendo alguém que a minha alma já esperava havia muito tempo.
Então vieram os desafios.
A distância.
As inseguranças.
A falta de confiança.
E, um dia, você fez o que talvez acreditasse ser o melhor para nós.
Foi embora.
As pessoas costumam dizer que o tempo cura.
Talvez cure.
Mas ninguém fala sobre o espaço que algumas pessoas deixam.
Porque você não levou apenas as conversas.
Levou a versão de mim que fazia planos olhando para o futuro sem medo.
Hoje, às vezes, alguém aparece.
Alguém gentil.
Alguém disposto a oferecer o céu.
E eu me pego pensando como explicar uma ausência que não cabe em comparações.
Não é que o céu não seja bonito.
É que ele não tem o seu nome.
Como explicar que o coração não funciona por mérito?
Que ele não escolhe quem parece melhor.
Escolhe quem parece casa.
E você...
Sem nunca ter segurado a minha mão...
Conseguiu morar em lugares dentro de mim que ninguém jamais alcançou.
Existe um tipo de intimidade que não depende do toque.
Ela nasce quando conhecemos o silêncio de alguém.
Quando percebemos a mudança quase imperceptível da voz.
Quando entendemos o significado de uma mensagem curta.
Quando aprendemos a ouvir até aquilo que nunca foi dito.
Foi assim que amei você.
Não pela distância que nos separava.
Mas pela proximidade que existia entre as nossas almas.
Talvez seja isso que mais me confunda.
O meu corpo nunca teve a chance de sentir a sua presença.
Mas a minha alma ainda insiste em sentir a sua ausência.
E, de todas as perguntas que o amor deixou, existe uma que ainda não encontrei coragem para responder.
O que fazemos quando alguém ocupa todos os espaços que existem dentro de nós...
...sem nunca ter ocupado o mesmo lugar no mundo?
Talvez eu passe a vida inteira sem descobrir.
Mas existe uma certeza que continua respirando em mim.
Há pessoas que atravessam a nossa existência com um abraço.
Outras...
Com um olhar.
Você fez isso apenas com a sua presença.
E, desde então, toda vez que alguém me pergunta como é possível amar tanto alguém que nunca toquei...
Eu apenas sorrio.
Porque existem encontros que acontecem primeiro na alma.
E, quando isso acontece...
Nem a distância consegue convencer o coração de que aquele amor foi pequeno.
Thoughts
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PermalinkCONCORDO
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PermalinkA estrutura de repetição é deliberada? Cada 'presença' que aparece traz uma 'ausência' logo depois. Parece esculpir o sentimento pela oposição.
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PermalinkO reconhecimento que descreve - 'conhecer o silêncio de alguém' - é o que muitas tradições chamam de intimidade verdadeira. Foge do físico e toca no espiritual.
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