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O Amor Impossível Entre o Sol e a Lua

Dudaah
Pensamento

Pensamento

Antonio_Goncalves

O eclipse tem seus mistérios. Belo poema. Bem longo, mas belo. rs

O eclipse tem seus mistérios. Belo poema. Bem longo, mas belo. rs

Conteúdo da publicação

O Sol amava a Lua em silêncio,

desde antes de compreender o que era amar.

Havia nela uma tristeza tão bonita

que até sua luz parecia querer descansar.

A Lua, por sua vez, amava o Sol de longe,

guardando seu calor na memória da pele,

como quem conhece a existência do fogo,

mas nasceu sob o destino de nunca pertencer a ele.

E assim viveram, amantes do impossível,

separados não pela falta de amor,

mas pelas leis antigas do universo,

que lhes deram o mesmo céu

e lhes negaram o mesmo tempo.

O Sol partia quando ela chegava.

A Lua se escondia quando ele nascia.

E entre um adeus e outro,

cada um aprendia a existir

com a ausência daquilo que mais queria.

Talvez esse fosse o castigo de amarem tanto:

conhecer a existência um do outro

sem poder transformar esse conhecimento

em uma vida compartilhada.

Porque o Sol não podia abandonar o dia,

assim como a Lua não podia renunciar à noite.

E nenhum dos dois, por mais que amasse,

poderia destruir a própria natureza

para caber no mundo do outro.

Até que, certa vez,

o universo alinhou os seus caminhos.

Não houve promessas,

nem pedidos para que o tempo parasse.

Houve apenas um instante

em que a Lua atravessou a luz do Sol,

e o céu, por alguns minutos,

testemunhou aquilo que os dois

haviam sonhado em silêncio.

O dia escureceu.

As sombras se curvaram sobre a Terra.

E, diante de um mundo que mal compreendia

a grandeza daquele encontro,

o Sol e a Lua finalmente se tocaram.

Não como quem vence uma guerra,

mas como quem encontra descanso

depois de uma eternidade de saudade.

Ele a envolveu com sua luz.

Ela atravessou o seu brilho.

E, naquele breve abraço celeste,

não existiram distância,

nem espera,

nem o doloroso desencontro

que lhes acompanhara desde sempre.

Existiram apenas os dois.

Mas o universo não lhes prometera eternidade.

Prometera somente aquele instante.

E talvez seja isso que torne o amor tão doloroso:

nem tudo o que é verdadeiro pode permanecer,

nem tudo o que é intenso pode durar,

e nem todo encontro foi feito

para se transformar em morada.

A sombra começou a desaparecer.

A luz voltou a ocupar o céu.

A Lua seguiu sua órbita,

e o Sol retomou o seu caminho.

Não houve culpa.

Não houve abandono.

Nenhum dos dois escolheu amar menos.

Apenas chegou a hora

em que a natureza pediu de volta

aquilo que, por alguns instantes,

havia emprestado ao amor.

E o mundo voltou a ser mundo.

O Sol continuou a iluminar os dias.

A Lua continuou a velar as noites.

E, embora separados outra vez,

ambos carregavam a lembrança

de terem se encontrado além da distância.

Talvez nunca mais pudessem se tocar

daquela mesma maneira.

Talvez o céu jamais lhes concedesse

um encontro sem despedida.

Ainda assim, o Sol não deixou de brilhar.

E a Lua não deixou de iluminar a escuridão.

Porque amar não significava

deixar de ser quem eram.

E a despedida não tornava mentira

aquilo que viveram.

O eclipse terminou.

Como tudo o que pertence ao tempo,

o instante passou.

Mas, por alguns minutos,

o impossível não foi uma promessa,

nem um sonho,

nem uma espera sem resposta.

Foi real.

E talvez o amor entre o Sol e a Lua

nunca tenha sido sobre permanecerem juntos,

mas sobre descobrirem que,

mesmo destinados a caminhos diferentes,

eram capazes de se encontrar

e reconhecer um no outro

algo que a distância jamais conseguiu apagar.

Pois há encontros que não mudam o destino.

Há amores que não vencem o tempo.

E há despedidas que não anulam a beleza

daquilo que um dia existiu.

O Sol voltou a ser Sol.

A Lua voltou a ser Lua.

E o universo continuou girando,

indiferente à saudade dos dois.

Como se nada tivesse acontecido.

Mas aconteceu.

Por um breve instante,

no silêncio imenso do céu,

dois amantes contrariaram a distância.

E, embora não pudessem ficar,

por alguns minutos

foram exatamente onde desejavam estar:

um no caminho do outro.

Thoughts

  • Gal

    Ó, até fui procurar quando é o próximo eclipse total pra ver se esses dois se encontram de novo! Fico torcendo como se não soubesse a resposta.

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  • Antonio_Goncalves

    O eclipse tem seus mistérios. Belo poema. Bem longo, mas belo. rs

    Permalink
  • Angelin

    Eu achei o poema muito lindo, e de certa forma, fofo. Me parece uma história que você contaria para crianças, pois ele oferece mensagens simples, mas muito importantes:

    Você não precisa mudar para a pessoa que você ama

    E o amor persistente, independente das condições.

    São mensagens que seriam transmitidas para crianças em um livro infantil, a simplicidade e a clareza é o que faz tudo isso tão especial e, adorável, pelo menos no meu ponto de vista.

    Mas além disso, eu acho tão linda a realização que o amor não é duradouro; "nem tudo que é verdadeiro pode permanecer". Ele é efêmero, assim como transmitido em seu poema. Quando uma pessoa aceita este fato de forma leve, a vida é mais bela.

    Acho que, talvez, em algum futuro, o Sol e a Lua talvez não vão se amar mais. E está tudo bem com isso.

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  • Gilsao

    Muito bom👏🏽👏🏽❤️

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