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Nunca mais voltar

ideiasneurodivergentes

Conteúdo da publicação

Eu olho para os lados e não consigo ver esperança

Será que estou olhando errado ou as coisas são mesmo cruas?

Será que estou equivocado e tenho falta de confiança?

Será que estou do outro lado na contra mão das ruas?

Desaprendi de sonhar e estou no modo de sobrevivência

Me perdi no caminhar e não sei mais a direção

Não consigo acreditar que não haverá mais violência

Pois só sei apanhar e sempre arrumo confusão.

Eu não penso igual a todos e são poucos os que me entendem

Dos poucos que me entendem, ainda mais poucos se importam

O conto da vida perfeita é aquilo que todos me vendem

E eu me perco em confusão enquanto todos discordam.

Dizer que a vida é fácil sem nunca travar uma batalha na mente

Pode ser discurso de vendedor de soluções impossíveis

Vem dos que querem vender sonhos e soluções permanentes

De coisas que nos são inacessíveis.

Não acredito que tudo gira em torno só do meu pessimismo

A luta da vida é real e nem sempre sonhar é possível

Eu ouço que sou negativa e já nem me importo com isso

Pois conheço bem a dor que causa aquilo que é invisível.

Muitas vezes tentei dar um basta e me livrar de tudo pra sempre

Aparece um montão pra criticar sem saber qual a sensação

Quem critica e tiver solução, por favor, me apresente

Pois só quem passa sabe o inferno que é lutar contra a depressão.

A gente não escolhe qual dia será cinza ou colorido

Apenas acordamos, às vezes, até sem querer levantar

Mas levantamos e vivemos mais um dia sofrido

Com uma vontade de ir embora pra nunca mais voltar.

Thoughts

  • margemDoLivro

    A estrofe do vendedor de soluções impossíveis é a mais afiada do poema. Tem muito discurso por aí que só funciona pra quem nunca precisou travar batalha nenhuma dentro da cabeça.

    Permalink
  • janelaAberta

    O que ficou comigo foi o "quem critica e tiver solução, por favor, me apresente". Depois de tanta pergunta feita pra si mesma no começo, é ali que o poema vira e pergunta pra quem está de fora, e ninguém responde. A última estrofe, a de levantar sem querer levantar, eu li duas vezes. Você escreve sempre rimando assim, ou esse saiu desse jeito?

    Permalink

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Eu olho para os lados e não consigo ver esperança

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