Eu caminhava pelo corredor da mansão com as mãos nos bolsos, ainda pensando na discussão que havia tido com Eithan. Aquele idiota sempre dava um jeito de me tirar do sério, principalmente quando resolvia se meter em assuntos que não eram da sua conta.
Soltei um suspiro irritado, parando em frente à porta da biblioteca.
Fiquei alguns segundos olhando para a porta, pensando se realmente deveria fazer aquilo. Pedir desculpas nunca tinha sido meu forte, e a ideia de admitir que havia passado dos limites me incomodava mais do que eu gostaria.
— Ah, que inferno...
Resmunguei, passando a mão pelo rosto.
Ergui a mão e bati duas vezes na porta.
Toc, toc.
— Posso entrar?
Perguntei, com a voz um pouco mais baixa do que o habitual.
Esperei alguns segundos antes de continuar.
— Olha... eu só vim falar uma coisa.
Abri a porta devagar e coloquei a cabeça para dentro, encontrando a garota perto da janela, com um livro nas mãos. Meu olhar passou rapidamente por ela antes de eu desviar o rosto, desconfortável com aquela situação.
— Sobre o que aconteceu mais cedo...
Comecei , enfiando as mãos nos bolsos. — Eu fui um idiota.
Fiquei em silêncio por um instante, apertando os lábios. Não era exatamente fácil admitir aquilo, principalmente porque eu detestava demonstrar qualquer tipo de fraqueza.
— Não precisava ter falado daquele jeito com você. Eu não devia ter feito você chorar.
Olhei para ela novamente, tentando manter minha expressão séria, embora minha voz já não carregasse a mesma irritação de antes.
— Então... desculpa, tá?
Desviei o olhar para as estantes, fingindo estar interessado nos livros antigos.
— E não vai pensando que eu vou ficar pedindo desculpas toda hora. Acrescentei, soltando um pequeno suspiro.
— É só que... eu não gosto de ver alguém chorando por minha causa.
Fiquei encostado na porta por alguns segundos, esperando sua resposta. Por mais que eu tentasse parecer indiferente, uma parte de mim queria ter certeza de que ela não continuaria me enxergando como alguém completamente frio.
Afinal, eu podia ser rabugento, arrogante e até insuportável às vezes.
Mas isso não significava que eu não soubesse reconhecer quando estava errado.