Cristo menino,]
na esquina da infância,
um olhar vazio me pediu pão.
Eu passei apressado,
como quem não vê,
e a criança órfâ dissolveu-se
no ruído da cidade.
Na calçada molhada,
pele negra, voz quebrada,
um pedinte me chamou de irmão.
Eu virei o rosto,
como quem não escuta,
o Cristo dormiu no frio chão,
Um senhor idoso,
na tarde cansada,
suas mãos trêmulas buscaram apoio.
Eu fechei a porta,
como quem não sente,
e o velho Cristo ficou só.
A eternidade pesou sobre mim.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)