não posso odiá-lo. por mais que tenha me abandonado, destratado, rebaixado para nada. eu não posso odiá-lo.
por não participar, por se ausentar, pensar apenas em sí, deixar-me sozinha quando precisei de seu colo, seus conselhos... não posso odiá-lo.
quando foi o primeiro a quebrar o meu coração, a instalar padrões, a deixar um espaço em branco, espaço não preenchível com o amor de outrem, com sexo, drogas, livros ou religiosidade. não posso odiá-lo.
quando cada parte de mim deseja a sua desgraça, que sinta a dor que a mim inflingiu. não posso odiá-lo.
quando cada átomo do meu corpo desejo a sua presença, o seu amor, quando deseja a sua reparação e redenção. não posso odiá-lo.
por todos os momentos, datas, comemorações. por todos os vazios, ausências e solidões. não posso odiá-lo.
mas o posto que deixou, não posso preenche-lo. sinto muito. não consigo perdoá-lo.