Nem sempre fui assim.
Nem sempre meu mundo foi assim.
Nem sempre meu quarto foi assim.
Nem sempre minha arte foi assim.
Assim como eu?
Triste.
É estranho não saber
como agradar a mim mesma.
O escuro já teve desenhos pelas paredes,
raios quentes e aconchegantes de sol.
Já fui colorida.
Hoje sou melancólica, preta e opaca,
vazia,
sem sequer sentir nostalgia
ao olhar para o que um dia fui.
Por que ficou assim?
Por que as paredes ficaram assim,
escuras e sem cor?
Por que as pessoas ficaram assim,
frias e sem rostos?
Por que o sol ficou assim,
escuro e sem calor?
Então, não me culpe.
Não me culpe se não sei o que é o amor.
Não me culpe se não consigo agradar você.
Não me culpe se não demonstro carinho.
Não me culpe.
Não é culpa sua.
Então, não se culpe.
Estou aprendendo de volta
tudo aquilo que um dia eu sabia.
Então, não me culpe
se eu demorar para me acomodar
no seu calor.
Não me culpe.
Pode esperar o meu tempo?
Ou você não vai querer estar aqui
quando eu finalmente melhorar?
Então, não me culpe.
Saiba esperar.
Porque, assim como o tempo
me mudou uma vez,
ele há de devolver
meus dias de luar,
minha esperança
e minha vontade de amar.
Não me culpe
por ainda não saber amar.