Há um horror silencioso em habitar um corpo que parece chamar atenção antes mesmo que eu diga qualquer coisa. Curvas que existem sem minha permissão, uma cintura fina, costas largas, formas que os outros parecem enxergar antes de enxergarem a mim.
Às vezes sinto como se meu corpo fosse uma vitrine aberta, exposta aos olhos de quem acredita ter o direito de observar, comentar ou se aproximar. Eu odeio o toque, odeio mãos que chegam sem convite e a sensação de que meu espaço deixou de ser somente meu.
Olho para meu reflexo e, muitas vezes, não me reconheço. A bunda grande, a cintura marcada, as costas largas — tudo parece pertencer a uma versão de mim que eu não escolhi. Não quero que essas partes sejam admiradas, desejadas ou tocadas. Só quero poder existir dentro do meu próprio corpo sem sentir que preciso fugir dele.
Paulo-MARQUES 03/10/2026 #