Você chama o terremoto de arquitetônico e depois só derruba coisa que nunca teve parede: salmo, promessa, riso. Gostei dessa mistura de prédio caindo com o que não se constrói com tijolo.
.masoquista.sado.
Pensamento
Você chama o terremoto de arquitetônico e depois só derruba coisa que nunca teve parede: salmo, promessa, riso. Gostei dessa mistura de prédio caindo com o que não se constrói com tijolo.
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A dor não chega em linha reta.
Ela serpenteia. Aprende o caminho do meu corpo como quem estudou um mapa antigo, rabiscado por alguém que me odeia e me ama na mesma frase. Não importa onde esteja, ela acha caminhos para te encontrar, como uma besta que nasceu com apenas um propósito: você, não importa se isso soa bom ou ruim.
Mesmo assim... eu viro o pescoço invisível para olhar.
Não porque quero, mas porque há algo em mim que precisa testemunhar a própria desgraça. Como se fugir fosse pior do que assistir ao mundo quebrando de perto. Então eu olho. Olho as ruínas, os cacos de tudo o que tremeu, tudo o que um dia foi chão firme — e penso nela como quem pensa numa tempestade que já passou, mas ainda deixou o céu ferido de cinza.
O terremoto não foi só por fora, foi interno, arquitetônico e íntimo.
Colunas caíram dentro do peito. Salmos viraram poeira. Promessas se transformaram em vento passando por janelas sem vidro. Os risos doíam como cordas grossas não tratadas friccionando o pescoço.
E mesmo assim, há uma beleza cruel nisso tudo.
Não sei admitir o quão sádico sou, mas sei que vivo nos extremos de cada palavra.
SM.
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A dor não chega em linha reta.