Vagantes condenados: Besta fera
Ungido pela luz do luar que banhava a noite, o solo se abriu assim como a mandíbula de um predador, de onde escapou o rugido de uma besta selvagem. Suas patas abalavam o solo a cada pisada; a terra se levantou com força, causando tremores que se espalharam pela região.
“Kieeek… Waaaaaaah!” O casco de suas ferraduras rasgava a terra enquanto sua matilha de cães ferozes o acompanhava, latindo e uivando em uma sinfonia de terror. Eles corriam com uma velocidade assombrosa, deixando um rastro de destruição em seu caminho.
Passando por cemitérios antigos e abandonados, a criatura anunciava sua chegada a todas as cidades da região. O barulho aterrorizante de sua marcha encheu o coração dos cidadãos de medo e pavor. As pessoas correram desesperadamente para suas casas, trancando-se firmemente em um esforço desesperado de se proteger.
Um silêncio mórbido e gelado tomou conta das ruas. Ninguém ousava sequer olhar pela janela com medo de cruzar o olhar com aquela abominação. Famílias inteiras se agarravam umas às outras, rezando em silêncio para que aquele pesadelo terminasse.
“Grrrrrrr… Grrrrrrr… Waaaaaaah!” Uma fumaça vermelha e sulfurosa exalava da boca da criatura, cujos grunhidos ecoavam pelas trevas como um prelúdio da destruição.
Os rugidos ferozes de seus cães ecoavam pelo ambiente, com suas patas devastando o solo por onde passavam e deixando um rastro de terra revolvida e pedaços de vegetação arrancados. Brandindo seu chicote flamejante, a besta relinchava e batia seus cascos com força, cortando tudo à sua passagem com golpes rápidos e violentos. Quando finalmente chegou à frente de uma pequena casa, seus cães se espalharam ao redor do local, impedindo a fuga de qualquer pessoa.
“Hááá… finalmente o encontrei!”, exclamou a criatura em um urro gutural, erguendo sua enorme mão e tocando a porta, que se desintegrou instantaneamente sob seu toque.
Exibia um corpo avermelhado coberto de músculos extremamente definidos, veias pulsantes saltando por sua pele, a parte superior em forma humanoide e a inferior em forma de cavalo — tão alto que era forçado a se curvar para não bater a cabeça ao passar pela entrada.
“Saia já daqui, seu demônio!”, gritou um homem que se colocou à frente de sua esposa, apenas para ser derrubado com um rápido gesto da mão da besta. Ignorando o homem, a criatura monstruosa galopou em direção à mãe que segurava seu filho nos braços.
“Uh… ugh… por favor, não o machuque, por…”
Tocando sua testa, a besta colocou a mulher para dormir. Pegando o recém-nascido em seus braços, liberou seus pontos celestes principais presentes na cabeça do bebê, fazendo-o passar por uma transformação. Sua pele rachou, desencadeando um brilho único e forte de cores, dividindo-o em *Yin-Yang* e dando forma à chegada de um irmão.
“Bem-vindo… de volta… companheiro.”
Ao acordarem, os pais estavam com suas mentes rodeadas de dúvidas e questionamentos sobre a noite anterior — algo que ficaria para sempre guardado na história, sem nunca encontrar a luz da verdade.