Um amigo de quinze anos me pediu indicação para uma vaga no meu time. Ele é bom. Em 2019 pegou um serviço travado havia dois meses e entregou num fim de semana. Eu li o código, não é lenda de bar.
Também vi ele sumir duas vezes. Não pediu demissão, não avisou: parou de responder. Motivo existia nas duas: salário três meses atrasado numa, e na outra o negócio do pai dele em Sorocaba quebrando sem ninguém mais para resolver. O que não mudou foi a forma. Ninguém recebeu o bastão. Numa delas o pager ficou comigo seis semanas.
Ele é bom o bastante para eu querer ele aqui, e é bom o bastante para o time montar coisa em cima dele em um mês, que é o que dói quando some.
Indicação aqui não é botão. O time tem cinco pessoas, e a gerente que abriu a vaga me disse com essas palavras que currículo que eu não mando ela não abre. O formulário tem duas linhas, e ela lê. Ressalva ali não é ressalva, é um não escrito com a minha letra. Combinar por fora dá no mesmo: ele sabe que eu sou a única porta e vai perguntar o que houve, e aí eu minto ou eu conto. Falar na cara dele custa igual a negar, porque ele perguntou olhando pra mim, sabendo o que falam dele.
Nos dois caminhos eu gasto uma coisa que não volta. De um lado, doze anos de crédito que não são só meus, são dos dois caras que entraram aqui por minha causa. Do outro, quinze anos de amizade e a única porta que ele tem aberta hoje.
Você indicaria?