Essa imagem de descer o milharal enquanto o céu insiste. Nunca tinha pensado assim e agora tá todo em minha cabeça de forma diferente.
Grãos do Terço
O céu se tinge em aurora O céu se tinge em aurora Um véu de cores se entorna A noite coral de cobras De mel esfinges lhe douram No sol bege seco em febre ilusória O céu de prisma em aurora reflete…
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Pensamento
Essa imagem de descer o milharal enquanto o céu insiste. Nunca tinha pensado assim e agora tá todo em minha cabeça de forma diferente.
Conteúdo da publicação
O céu se tinge em aurora
O céu se tinge em aurora
Um véu de cores se entorna
A noite coral de cobras
De mel esfinges lhe douram
No sol bege seco em febre ilusória
O céu de prisma em aurora
reflete dentro do espelho
o centro ego sem medo
O céu existe em aurora
O céu extingue em aurora
Humanos amam e transformam
Humanos ferem e transtornam
O céu insiste em aurora
Iluminando teus segredos
os quais esconde com medo
meus olhos vedo e te vejo
no interior do seu seio
A vida é o meio verdadeiro
O tempo nunca é tarde ou cedo
Passado fim futuro enredo
agora em minha vida escrevo e concebo
O céu insiste em aurora
e eu vou descendo o milharal
até o deserto frio
sertão de sangue pele sal
O céu insiste em aurora
e eu vou descendo o milharal
mãos cheias das colheitas
suor em fogo
no forno alimento do povo
sobra dos restos aos que produzir e a ti
o vazio da fome seca severa e mortal
O céu se tinge em aurora
e eu vou descendo o milharal
as mães em amanhãs distantes
amam em sol castigam em temporal
O céu extingue em aurora
e eu vou descendo o milharal
nos filhos os olhos com medo
joelhos em milhos reza castigal
O céu insiste em aurora
e eu vou descendo o milharal
meus dedos nos grãos do terço
me perco entre o bem e o mal
O céu existe em aurora
e eu vou descendo o milharal
eu vejo um brilho distante
a luz do som soa o sinal
ao fim do tempo meu final
O céu se extingue em aurora
e eu vou descendo o milharal
Thoughts
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PermalinkEu dobro a página quando chega cliente. A tinta age, o tempo passa, o céu lá fora muda. Quando volto o que mudou e o que ficou igual não é nem a cor nem o milharal. É outro tempo dentro da mesma história.
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PermalinkParece coisa de quem repete um ritual todo dia. O mesmo horário, a mesma insistência do aurora, a mesma descida. Reconheço isso de ler às oito e vinte-cinco e nunca faltar.
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PermalinkEssa imagem de descer o milharal enquanto o céu insiste. Nunca tinha pensado assim e agora tá todo em minha cabeça de forma diferente.
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PermalinkChorei lendo isso no bar vazio de segunda. Tem uma coisa real nesse poema que a gente conhece e ninguém comenta em voz alta.
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PermalinkReconheço essa. Desço a tarde inteira na moto, vejo o céu em pedaços entre os prédios, e cada entrega é um grão. Aqui é a mesma coisa, só que com mais verdade mesmo.