FIBROMIALGIA FEMININA
Ela vem de repente.
A dor tira o sentido da vida.
Ela começa aos 20 anos.
Você não entende
por que consegue
ficar de pé
de tantas dores.
Remédios viram contínuos.
Mas consegue ficar de pé.
Você vicia em drogas
por um período da vida.
Necessita de droga.
Quando chega à idade de 30,
as dores parecem
vir mais fortes.
Dores nos ossos
são como facas.
Pernas sendo esquartejadas.
Mãos, acho que nem sei.
Quando não durmo,
ombros, não sei
como louvo a Deus
por 5 min.
Joelho, nem sei se choro.
Apenas respiro
porque acordei
desanimada
ou triste.
Tive que me submeter
a drogas para dizer
que estou bem.
Mas, no fundo,
só quero chorar,
ficar numa cama,
deitar para a dor passar.
Ela não passa,
mas preciso levantar,
dizer que está tudo bem.
Pulmão já não,
porque eu acordo em grito.
Não há remédio que faça
parar de doer.
Apenas preciso
de remédio na veia
para acalmar a dor,
dizer que tudo fica bem,
mesmo que quero chorar.
Sei que preciso de mais
dias de força e esperança.
A dor nos ossos não passa,
mas ela se vive.
A gente precisa viver,
um dia de cada vez.
Se a dor vier, viva.
Hoje, amanhã é outro dia.
Apenas pensa
que o dia está próximo.
Só respira, sinal
que tudo vai ficar bem.
Mesmo se você chorar
ou não,
você só respira.
Olha o céu.
Rezei, pense longo, você.
Vê o céu,
que o tempo é curto.
Quanto à dor nos ossos...
Ana Cristina Poronhak de Carvalho