Estou exausto e gostaria de ser um gato, pois assim não precisaria me preocupar com obrigações profissionais nem com todo o conhecimento irrelevante que fui forçado a assimilar. Mas, vivendo como gato, corro o risco de ser atacado por um cachorro.
Então me torno cachorro: passo o tempo correndo com meu bando, explorando e brincando com o que encontro, comendo restos sem entender o que são, apenas aproveitando o momento. Persigo gatos com meus companheiros, até ser atropelado por um ser humano.
E me torno homem: vivo em constante apreensão por um trabalho inútil, na obrigação de aprender tudo o que meus semelhantes dizem que devo estudar. Não sou como o mergulhador; não vejo valor em brincar, acho isso uma tolice. Com pouco nas mãos, ainda assim, morro.
Já estive morto três vezes e não sou mais ninguém. Deixei tudo para trás porque não preciso mais existir. Contudo, eu poderia ter parado há muito tempo, desde o início.