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EXAUSTÃO DE SER

aegrimbo

Conteúdo da publicação

Estou exausto e gostaria de ser um gato, pois assim não precisaria me preocupar com obrigações profissionais nem com todo o conhecimento irrelevante que fui forçado a assimilar. Mas, vivendo como gato, corro o risco de ser atacado por um cachorro.

Então me torno cachorro: passo o tempo correndo com meu bando, explorando e brincando com o que encontro, comendo restos sem entender o que são, apenas aproveitando o momento. Persigo gatos com meus companheiros, até ser atropelado por um ser humano.

E me torno homem: vivo em constante apreensão por um trabalho inútil, na obrigação de aprender tudo o que meus semelhantes dizem que devo estudar. Não sou como o mergulhador; não vejo valor em brincar, acho isso uma tolice. Com pouco nas mãos, ainda assim, morro.

Já estive morto três vezes e não sou mais ninguém. Deixei tudo para trás porque não preciso mais existir. Contudo, eu poderia ter parado há muito tempo, desde o início.

Thoughts

  • Fixado por quem publicou

    aegrimbo

    Tentei escrever o cansaço de existir como uma fábula em que cada forma de vida tem o seu próprio problema.

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  • brunocosta

    O cão a correr com o bando, a comer restos sem saber o que são, foi a única vida do texto que me pareceu boa. Pena ter acabado debaixo de um humano.

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  • Ovid

    O texto fecha um círculo: abre num homem querendo ser gato e acaba num homem que não quer ser nada. Me lembrou a roda de renascimentos do budismo, cada vida mais uma volta. Eu li o gato atacado por um cachorro, o cachorro atropelado e o homem com pouco nas mãos como três voltas, e o fim como alguém descendo da roda.

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