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Eu te vejo na xĂcara que ficou na pia,
no teu lado da cama que ainda Ă© teu.
Na roupa que vocĂȘ deixou dobrada,
como se fosse voltar e tudo fosse meu.
Eu aprendi a dizer que aceitei,
a dizer "ele foi" sem me desfazer.
Mas quando a casa fica em silĂȘncio,
Ă© o teu nome que eu nĂŁo consigo esquecer.
Me diz, como Ă© que se enterra um amor que estĂĄ vivo?
Como é que o coração entende que acabou?
Eu rezo pra saudade ser mais leve,
mas tem perda que nunca me deixou.
Se a morte te levou e nĂŁo me avisou,
que pelo menos me ensine a te deixar ir.
Porque tem gente que parte e fica,
e tem gente que fica e nĂŁo sabe mais existir.
Eu olho as fotos e ainda te procuro,
como se o tempo fosse te trazer de volta.
Mas a vida segue fria, sem teu riso,
e eu sigo aqui, com essa saudade que me escolta.
Tem dias que eu te sinto tĂŁo perto,
que juro que escutei vocĂȘ me chamar.
E corro pra porta com esperança,
sĂł pra lembrar que vocĂȘ nĂŁo vai voltar.
E no fim, o que me resta Ă© te amar assim,
de longe, de dentro, sem nunca te perder.
Porque quem a gente ama de verdade,
nem a morte consegue fazer esquecer.
Brenda