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Estou escrevendo um história de fantasia/sobrenatural

Silva
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Estou escrevendo um história de fantasia/sobrenatural.

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Pensamento

Pensamento

Karolbook25

Uai seu texto ficou incrível, gostei muito 😭😭🤌🏾

Uai seu texto ficou incrível, gostei muito 😭😭🤌🏾

Conteúdo da publicação

Gostaria da opinião quando ler, obrigado.

Estou escrevendo um história de fantasia/sobrenatural.

Mais a frente, pretendo fazer um mangá dessa história, queria compartilhar com vocês e um feedback.

Não sou um escritor profissional, muito menos sei sempre onde por as pontuações. Mas é o primeiro projeto então estou bem animado.

Não sei se posso por todos os capítulos que tenho ate agora, então vou por até o capítulo 2;

Capítulo 01 – Um Sábado Comum


Hã…?


O que está acontecendo?


Que lugar é esse?


Onde eu estou?


É tudo tão…


Pliiim!


07h30.


— Cara! Estou muito atrasado para a aula! Minha mãe vai me matar!


Mark saiu do quarto às pressas.


— Tchau, mãe! Tenho que ir!


— O qu…?


Antes que ela terminasse a frase, a porta já havia batido.


Ela apenas balançou a cabeça e sorriu.


— Ah… esse garoto ainda vai acabar comigo. Eu te pego na volta, Mark.


Esse menino acha que pode dormir a hora que quiser, fazer o que bem entender e depois sair correndo como se nada tivesse acontecido…


Ah, mas eu acerto as contas com ele.


Meu nome é Mark Jones. Tenho 17 anos e estou no terceiro ano do ensino médio.


Eu não podia estar tão atrasado…


Tenho prova logo no primeiro horário!


— AAAAAAH!


Depois de correr por vários minutos, Mark finalmente chegou à escola.


Parou na entrada.


Franziu a testa.


— Ué…


Que estranho…


A escola está tão quieta…


Será que saíram para alguma viagem e me deixaram para trás?


— Não… isso não pode ser. Hoje temos prov…



Ele olhou lentamente para o celular.


Sábado.


Silêncio.


— …


— Eu…


— Não acredito.


Agora fazia sentido.


Não havia ninguém.


Porque…


— HOJE É SÁBADOOOOOOOOOOO!



Algum tempo depois…


— Oi, mãe… bom dia.


— Você sabia que hoje era sábado?


Ela segurou o riso.


— Claro que sabia.


— E a senhora me deixou ir até a escola mesmo assim?


— Isso é pra você aprender a me escutar, garoto. Tá achando que só porque vai fazer dezoito anos não precisa mais ouvir a sua mãe?


Mark suspirou.


— É… você tem razão.


Logo em seguida, seu estômago roncou.


— O que temos pro café da manhã? Tô morrendo de fome!


Ela sorriu.


— Pra sua sorte, eu amo demais esse meu filho.


— Então hoje fiz o seu café da manhã preferido.


Os olhos de Mark brilharam.


— Não acredito…


— Temos misto quente?!


— Obrigado, mãe! Eu te amo demais!



— Nossa…


— Tá uma delícia.


Alguns minutos depois…


— Acabei!


— Muito obrigado!


Mark espreguiçou.


— E agora…


— Pra aproveitar o sábado…


Abriu um enorme sorriso.


— Vou voltar a dormir.


— Negativo, mocinho.


Mark congelou.


— Ih…


— O senhor vai lavar toda a louça que deixou suja ontem à noite.


Ele virou lentamente a cabeça.


A pia estava completamente lotada.


— Ah… qual é…


Logo depois, soltou uma risada sem graça.


— Droga…


— Eu adoro cozinhar, mas preciso aprender a não sujar tanta louça.



Uma hora e meia depois…


— Eu não acredito…


— Passei uma hora e meia lavando louça!


— Tem umas aqui que nem fui eu que sujei.


— Ah… ela me paga.


— O que você tá resmungando aí, mocinho? — perguntou sua mãe da sala.


Mark respondeu imediatamente:


— Nada!


Ela sorriu.


— Você tava pensando: “Tem louça aqui que nem fui eu que sujei.”


Mark arregalou os olhos.


— Mas…


— Como?!


Ela lê mentes?!


— Quer saber como eu descobri?


— Não é possível…


— Ela é telepata?!


— Nada disso.


— É porque realmente não foi você quem sujou.


— Eu deixei essas de propósito pra lavar depois que você terminasse as suas.


Ela olhou para a pia.


— Mas, já que você lavou tudo…


— Não preciso mais me preocupar.


Ela sorriu.


— Obrigada, filho.


Mark ficou alguns segundos em silêncio.


— Fala sério…


— Eu realmente achei que ela fosse telepata.


Nesse instante, a porta da frente se abriu.


— Pai!


— Ainda bem que o senhor chegou!


— A mãe tá abusando dos meus serviços domésticos!


O pai olhou para a esposa.


Depois para o filho.


— Bom…


— Sendo assim…


Fez uma pequena pausa.


— Eu tenho que ficar do lado…



— DELA! HAHAHAHA!


Mark fechou os olhos.


— Ah…


O pai continuou.


— Ah, e eu deixei meu carro lá fora.


— Aproveita e dá uma lavada nele também, meninão.


Mark ficou completamente imóvel.



— Cara…


— Eu devia ter ficado calado.


Arrastando os pés, caminhou até a garagem.


— Vamos ver o tamanho dessa bucha…


Assim que chegou…


— Mas qu…?!


— Pai!


— Onde o senhor andou com esse carro?!


O carro estava completamente coberto de barro.


— MEU SÁBADO JÁ ERAAAAAAAAAAA!



Mais tarde…


Mark estava largado no sofá.


— Ah…


— Ah…


— Eu preciso deitar…


Grrrrrr…


Roncos altos preencheram a sala.


O pai riu.


— Acho que ele tá cansado.


A mãe sorriu.


— Também…


— Tá acordado desde cedo.


— Foi até a escola sem perceber que hoje era sábado.


O pai olhou para ela.


— E você deixou?


Ela deu de ombros.


— Minha mãe fazia muito isso comigo.


Os dois caíram na risada.


De repente…


Mark deu um pequeno pulo enquanto dormia.



Algumas horas depois…


— Que lugar é esse…?


— Ele é tão…


— Lindo…


Uma brisa atravessou o campo.


Mar…


Mark…


MARK!


— Hã?


— Quem me chamou?



Ele acordou no sofá.


Confuso.


— Ah…


— Custava me chamar pra dormir na cama?


Resmungando, começou a subir as escadas.


MARK!


Ele parou imediatamente.


— Oi?


— Tem alguém aí?


— Mark…


— Sou eu…


— O quê?


— Não consegui ouvir.


— Sou eu…


A voz desapareceu.


— Acho que tô ficando maluco.


Continuou caminhando.


O corredor estava completamente escuro.


A única luz vinha da lua atravessando a janela.


Silêncio.


Então…


Algo gelado tocou seu tornozelo.


Mark congelou.


Olhou lentamente para baixo.


Nada.


— Deve ser impressão minha…


Quando levantou o pé para dar mais um passo…


Uma mão completamente negra emergiu da sombra da escada e agarrou sua perna.


Mark perdeu o ar.


— O… o que é isso?!


— ME LARGA!!


A mão apertou ainda mais.


A sombra começou a subir lentamente por sua perna.


Então…


Tudo ficou branco.



— ME LARGAAAA!!


Mark despertou assustado.


Ainda estava deitado no sofá.


Respirando com dificuldade.


— Foi…


— Foi só um pesadelo…


Mesmo assim, decidiu ir para o quarto.



— Isso tá ficando estranho…


— Não faz sentido sonhar três vezes seguidas com o mesmo lugar.


Ele ficou pensativo.


— Espera…


— Quando eu era criança…


— Eu também sonhava com esse lugar.


Olhou ao redor.


— Eu lembro daquela torre.


— Ela sempre esteve aqui.


Então percebeu outra construção.


— Aquela casa…


— Ela não existia antes.


Sorriu de canto.


— Ah…


— Como é um sonho…


Antes que terminasse a frase…


Uma criatura sombria surgiu diante dele.


Alta.


Silenciosa.


Seus olhos eram apenas dois pontos brancos.


Ela avançou como uma flecha.


Uma lâmina negra apareceu em sua mão.


Ela alcançaria Mark em menos de um segundo.



Mark acordou ofegante.


Agora estava em sua cama.


O quarto permanecia mergulhado na escuridão.


Seu coração parecia querer sair pela boca.


Silêncio.


Então…


Uma voz quase imperceptível sussurrou.


— Ainda bem que deu tempo…


Outra respondeu.


— Ele ainda não está pronto.



Na semana seguinte…


— Bom dia, Jhon!


— Bom dia, Mark. Como vai?


— Nada bem. Tive um pesadelo terrível essa noite.


— Sonhou que tinha arrumado um emprego, Mark?


Jhon caiu na risada.


— Não é isso…


— Qual é, cara. Tô brincando.


— Ânimo!


— Além do mais, a gente tem prova agora.


— O quê?!


— Eu não lembrava disso…


— Mark…


— Essa prova tá marcada faz uns dois meses.


— Jhon… você não tá ajudando.


Jhon riu.


— Relaxa.


— A prova é em dupla.


— E, pra sua sorte, eu estudei.


Mark juntou as mãos.


— Obrigado, meu Deus!



Algum tempo depois…


Jhon largou a prova sobre a carteira.


— A gente tá ferrado.


— Por quê?


— Não caiu nada do que eu estudei.


Mark apenas arqueou uma sobrancelha.


— Estava bom demais pra ser verdade…



Horas depois…


— Pensando bem…


— Nada que uma recuperação não resolva, né?


Mark riu.


— Cara…


— Agora que você falou…


— Não é de tudo ruim.


O sinal tocou.


— Bora.


— Hora do intervalo.


— O que você trouxe hoje?


Mark abriu um enorme sorriso.


— Uhhhhhh!


— Eu amo o intervalo!


— Trouxe meu lanche favorito.


— Misto quente!


Os olhos de Jhon brilharam.


— Sua mãe que fez?


— Sim!


— E o melhor…


— Trouxe um pra você.


— Sério?!


Mark olhou para frente.


Seus olhos encontraram Leah caminhando pelo pátio.


— Cara…


— Olha lá.


— É a Leah.


— Ela tá vindo pra cá.


— Jhon…


— Haja naturalmente.


— Relaxa.


Leah se aproximou.


— Oi, meninos. Tudo bem?


— Oi! Tudo certo. E você? — respondeu Jhon.


Mark engoliu em seco.


— Oi… bem, tudo e você?


— Tudo bem.


Sem pensar, Mark estendeu o misto quente.


— Eu trouxe misto quente…


— Você quer?


Leah olhou para o sanduíche.


Depois para Mark.


— Claro.


— Obrigada.


Ela pegou o lanche.


— Tenho que ir.


— Tchau!


— Tchau…


Mark acompanhou Leah com os olhos até ela desaparecer de vista.


O silêncio durou alguns segundos.


— Cara…


— Que sensação é essa?


— COMO VOCÊ OUSA?!


Mark deu um pulo.


— AI!!


— O MEU MISTO! O MEU MISTO!


— Ei!


— Esse misto era meu!


— Exatamente!


— Da próxima vez, não entrega o meu misto pra sua paixonite.


— Agora você fica sem.


Mark abaixou a cabeça.


Suspirou.


— Ahhh…


— Eu realmente não dou uma dentro.


Em algum lugar distante…


O salão permanecia em absoluto silêncio.


Diante dos anciões, uma antiga inscrição permanecia gravada na pedra havia mais de mil anos.


Leônidas quebrou o silêncio.


— Está escrito… ele será o nosso salvador.


Tharok desviou o olhar da inscrição.


— Você realmente deposita toda a sua esperança em uma profecia que não se cumpre há mais de mil anos?


Um clima pesado tomou conta do salão.


Os demais anciões permaneceram em silêncio. Em seus rostos havia apenas preocupação.


Após alguns instantes, uma voz ecoou entre eles.


— Será que ele está pronto?


Leônidas respirou fundo.


— O nosso mundo nunca mais foi o mesmo desde que Lycanor nos deixou.


Ele ergueu os olhos para a antiga inscrição.


— Desde então, ninguém voltou a ser digno de carregar a Coroa.


Tharok permaneceu calado por um momento.


— Talvez a era dos reis tenha chegado ao fim.


Leônidas balançou a cabeça.


— Não.


— Enquanto a profecia existir… ainda haverá esperança.


Tharok soltou um leve suspiro.


— Você tem esperança demais, Leônidas.


— Se os senhores me permitirem… eu gostaria de trazê-lo até aqui.


— Precisamos ver com nossos próprios olhos até onde ele já chegou.


Os anciões permaneceram em silêncio.


O salão foi tomado por uma tensão quase sufocante.


Inconformado, Tharok deu um passo à frente.


— Leônidas… não existe a menor chance de esse garoto ser o nosso salvador.


— Para mim, esse assunto deveria ter sido encerrado há muito tempo.


Sem esperar uma resposta, ele virou as costas e deixou o salão.


O silêncio voltou a dominar o ambiente.


Os anciões trocaram olhares entre si.


Após alguns instantes, Kaelor, o mais antigo entre eles, ergueu-se lentamente.


— Se você tem tanta convicção…


Ele fez uma breve pausa.


— Então devemos lhe dar essa oportunidade.


Leônidas inclinou levemente a cabeça em sinal de respeito.


— Obrigado.


Pela primeira vez desde o início da reunião, um discreto sorriso surgiu em seu rosto.


— Prometo que não vou decepcioná-los.

Alguns dias depois…


— Jhon, anda logo! Você demora demais para se aquecer…


— Vai tirando esse sorrisinho da cara, porque hoje quem vai ganhar esse sparring sou eu!


— Quero ver você tentar.


Antes que os dois assumissem suas posições, uma voz firme ecoou pelo dojô.


— Mark, Jhon… venham até aqui.


— Sim, mestre.


Os dois caminharam até ele e fizeram uma breve reverência.


— Hoje tenho um desafio diferente para vocês. Neste combate, vocês não lutarão um contra o outro.


Mark e Jhon trocaram um olhar de surpresa.


— Em dupla? — perguntaram ao mesmo tempo.


O mestre fez um leve aceno com a cabeça.


— Exatamente.


Ele apontou para dois rapazes que aguardavam próximos à entrada do dojô.


— Estes são Ben e Derryl. São irmãos gêmeos e acabaram de chegar à nossa cidade.


Os dois apenas cruzaram os braços, exibindo um sorriso confiante.


— Eles afirmam ser excelentes lutadores. Disseram que conseguem derrotar qualquer aluno desta academia.


O mestre respirou fundo antes de continuar.


— Se realmente forem tudo isso… e conseguirem vencer meus melhores alunos, considerarei permitir que treinem aqui.


Ben deu um passo à frente.


— Esperamos que vocês não nos decepcionem.


Jhon sorriu de canto.


— Pode deixar… vocês é que vão se surpreender.


O mestre ergueu a mão, encerrando a conversa.


— Eles são bastante arrogantes. Quero que vocês deem tudo de si.


— OSS!


O silêncio tomou conta do dojô.


— Ben e Derryl…


O mestre fez uma breve pausa.


— Contra Mark e Jhon!


— Ha! Muito bem, Jhon! Você acertou ele!


— Mark, foque! Ele está te dando um baile!


Gritou o mestre.


— OSS!


— Eu não estou conseguindo acertá-lo! Aaah!


— Jhon, cuidado!


POW!


— Obrigado, Mark!


— Não foi nada.


“Eles realmente são bons… O mestre não estava brincando.” — pensaram Mark e Jhon.


Mark finalmente encontrou uma abertura. Avançou rapidamente e preparou o golpe que colocaria Ben no chão.


Foi nesse instante que a voz do mestre ecoou por todo o salão.


— PAREM! JÁ CHEGA!


Os quatro interromperam o combate imediatamente.


O mestre caminhou até o centro do dojô com um leve sorriso no rosto.


— Muito bem. Já vi tudo o que precisava ver. Podemos encerrar por aqui.


Disse ele, satisfeito.


Algumas horas depois…


— Jhon, aquele treino foi incrível. Eu estava prestes a derrubar o Ben e, bang… o mestre interrompeu.


— Exatamente. Se você tivesse acertado aquele golpe, ele não teria chance.


No caminho para casa, enquanto conversavam, algo estranho aconteceu.


— Ai!


— Jhon! Tá tudo bem?


— Cara… eu bati em alguma coi…


Antes que terminasse a frase, Jhon caiu desacordado.


— JHON! Acorda!


Uma voz desconhecida ecoou atrás de Mark.


— Ele está apenas descansando, Mark.


Mark se virou imediatamente.


— Quem é você? E como sabe o meu nome?


O homem abriu um leve sorriso.


— Eu te conheço muito bem, Mark Jones.


Houve um breve silêncio.


— Meu nome é Leônidas… e nós precisamos conversar.


Capítulo 02 – O Pedido


A calada da noite parecia sufocante.


Mark jamais havia sentido um desespero como aquele. A presença daquele homem… Leônidas… fazia seu corpo inteiro tremer. Seu coração disparava de forma descontrolada, enquanto o ar parecia simplesmente se recusar a entrar em seus pulmões.


Ele tentou recuperar o fôlego e, com a voz trêmula, gritou:


— O que você fez com o Jhon?!


Leônidas permaneceu imóvel.


— Fique tranquilo. Ele está bem.


— Como eu vou confiar em você? Eu nem sei quem você é!


Leônidas apenas sorriu de canto.


— E por que você está usando um lobo como troféu?


O homem soltou uma breve risada.


— Então… você já consegue vê-lo.


Mark permaneceu em silêncio.


— Não estou usando um lobo como troféu. Ele faz parte de mim… assim como eu faço parte dele.


Mark franziu a testa.


— O quê…? Isso não faz o menor sentido. Você é maluco.


Leônidas não demonstrou a menor reação diante da ofensa. Pelo contrário, continuava observando Mark como se já soubesse exatamente qual seria cada uma de suas respostas.


Após alguns segundos de silêncio, ele perguntou calmamente:


— Mark… me diga, o que você sabe sobre o mundo?


Mark piscou, confuso.


— O que eu sei sobre o mundo? Do que você está falando?


Leônidas deu mais um passo em sua direção.


— Você realmente acredita que pertence a este mundo? Que tudo o que acontece com você é normal?


Mark permaneceu calado.



— As vozes que você escuta… também acha que são normais?


Os olhos de Mark se arregalaram.


— C-como você…


Sua respiração voltou a falhar.


— Isso… isso não está fazendo sentido… Eu… eu quero acordar… Se isso for um sonho…


Mark levou as mãos à cabeça.


— AAAAAAAAAAH!


Leônidas permaneceu com a mesma expressão serena.


— Isso não é um sonho.


O silêncio tomou conta do lugar por um instante.


Então ele completou:


— Assim como aquela torre que você vê há anos nos seus sonhos… também não é um sonho.


— Mark, quero que você preste bastante atenção no que vou te fal…


Leônidas interrompeu a própria frase.


— Hum…? Fala sério… agora?


Seu olhar mudou instantaneamente.


— Já senti sua presença a quilômetros daqui. Apareça, criatura nefasta!


Mark olhou ao redor, extremamente perdido.


— O QUE É AQUILO?!


Uma figura sombria surgiu da escuridão. Seu corpo parecia se desfazer em fumaça negra, enquanto um grito agonizante ecoava pelo ambiente.


Leônidas manteve a calma.


— Aquilo, meu amigo… é uma infestação.


Mark engoliu em seco.


— Uma… infestação? O que… é… isso?


— Uma infestação é uma alma perdida… presa às dores do próprio passado. Você entenderá melhor quando chegar a hora.


Assim que Leônidas terminou a frase, a criatura avançou em sua direção com um grito ensurdecedor.


Foi naquele instante que Mark presenciou, pela primeira vez, o verdadeiro poder do homem à sua frente.


Sem demonstrar o menor sinal de preocupação, Leônidas apenas girou o corpo. Sua capa cortou o vento, formando um arco negro ao seu redor.


No momento exato em que a infestação tentou golpeá-lo, ele ergueu o braço esquerdo e segurou a criatura pelo pulso com firmeza, como um adulto impedindo a birra de uma criança.


A infestação se debatia desesperadamente.


Leônidas permaneceu imóvel.


Então…


BOOM!


Um único soco.


Seu punho direito atravessou o peito da criatura com uma força avassaladora.


O impacto ecoou pela floresta.


Em questão de segundos, o corpo da infestação começou a se desfazer em incontáveis partículas escuras, que foram levadas pelo vento como cinzas.


Mark permaneceu completamente imóvel.


Seu cérebro simplesmente se recusava a acreditar no que acabara de testemunhar.


Enquanto os últimos fragmentos da infestação desaparecia, ele teve a impressão de enxergar algo inesperado.


Por apenas um pequeno instante…


A expressão de sofrimento daquela alma deu lugar a um semblante sereno.


Um olhar… de gratidão.


E então, ela desapareceu.


— Sinto muito, mas preciso ir.


Leônidas olhou fixamente para Mark.


— Da próxima vez que nos encontrarmos, quero que esteja mais forte do que está hoje. Então treine… treine até alcançar todo o seu potencial.


Mark deu um passo à frente.


— Mas… o quê…?


Num simples piscar de olhos, Leônidas desapareceu.


Como se jamais tivesse estado ali.



Em um ponto distante da floresta, Leônidas caminhava tranquilamente, preparando-se para voltar para casa.


Foi então que uma voz rompeu o silêncio da noite.


— O que você faz aqui, Leônidas?


O vento balançava as copas das árvores, enquanto a lua cheia iluminava a floresta.


Ao reconhecer aquela voz, Leônidas abriu um leve sorriso.


— É muito bom ver você, Sara.


Ele fez uma breve pausa.


— E quanto ao que faço aqui… acredito que você já saiba a resposta.


Sara respirou fundo.


— Mark?


— Sim.


Ela abaixou a cabeça por um instante.


— Ele não é quem você procura. Durante todos esses anos, ele em nenhum momento demonstrou qualquer sinal de descendência.


Leônidas permaneceu em silêncio por alguns segundos.


— Pode ser que você esteja certa. Mas ele foi o último a nascer entre os dois mundos.


Seu olhar se perdeu entre as árvores.


— Precisamos ter certeza de que ele é… ou não… o nosso salvador.


Sara fechou os olhos por um momento.


— Leônidas… eu te peço. Por favor… não o envolva no nosso mundo.


Leônidas soltou uma breve risada.


— Nosso mundo?


Ele voltou o olhar para Sara.


— Pelo que me lembro… foi você quem decidiu abandoná-lo, maninha.


Sara sorriu de forma melancólica.


— Sim… eu fui embora.


Sua voz enfraqueceu.


— Porque vi o peso que colocavam sobre você. Eu não queria que meu filho carregasse o mesmo destino.


O silêncio voltou a dominar a floresta.


Leônidas ergueu os olhos para a lua cheia antes de voltar a falar.


— Se esse é o seu desejo, eu vou respeitá-lo. Não serei eu quem mostrará ao Mark de onde ele veio.


Ele respirou fundo.


— Mas você sabe o que vai acontecer.


Seu tom tornou-se mais sério.


— As infestações continuarão vindo atrás dele.


Uma forte rajada de vento atravessou a floresta.


— E torça para que nenhum espectro atravesse a fronteira entre os mundos.


Sara permaneceu imóvel.


— Porque, se isso acontecer… e Mark não estiver preparado… haverá muitas perguntas que você não conseguirá mais esconder.


Leônidas deu mais um passo.


— Inclusive a principal delas.


Ele fitou Sara por alguns segundos.


— Que a mãe dele… é uma de nós.


Sara abaixou a cabeça. Nenhuma palavra saiu de sua boca.


Leônidas virou-se lentamente.


— A escolha é sua, Sara.


Sem olhar para trás, começou a caminhar.


— Adeus.


Sara observou sua silhueta desaparecer entre as árvores, até que fosse inteiramente engolida pela escuridão da floresta.


Com os olhos marejados, murmurou quase sem voz:


— Adeus… meu irmão…


Ela fechou os olhos por um instante.


— Obrigada.


— Jhon… Jhon… Jhon…


— A-ai… Mark…?


Mark respirou aliviado.


— Cara, ainda bem que você acordou! Eu fiquei muito preocupado.


Jhon levou a mão à cabeça.


— O que aconteceu?


— Você… não se lembra?


— Eu… deveria?


— Você simplesmente desmaiou.


Jhon soltou uma breve risada, tentando aliviar o clima.


— Que estranho… Deve ter sido o treino. Hoje a gente pegou pesado.


Mark hesitou por um instante.


— É… deve ter sido isso.



Depois que Jhon se recuperou, Mark o acompanhou até sua casa.


No caminho, os dois caminharam em silêncio por alguns minutos.


— Você está bem, Mark? Parece meio distraído.


Mark demorou alguns segundos para responder.


— Hã…? Ah… sim. Estou bem. Só estou com a cabeça em outro lugar.


Ao chegarem em frente à casa de Jhon, Mark apenas acenou.


— Eu tenho que ir. Até amanhã.


— At…


Jhon nem teve tempo de terminar a palavra.


Mark já havia saído apressado.


— Cara… o que será que está acontecendo com ele?



Durante todo o caminho de volta, uma única frase ecoava na mente de Mark.


“Uma infestação… é uma alma perdida…”


Ele respirou fundo.


— O que será que ele quis dizer com isso?


Continuou andando, ainda perdido em pensamentos.


— E por que eu tenho a sensação de que… no fim… aquela criatura se sentiu livre?


Mark passou a mão pelos cabelos.


— Eu preciso tirar isso da cabeça.


Ele soltou um longo suspiro.


— Não vejo a hora de tomar um banho.


Poucos minutos depois, chegou em casa.


— Cheguei, mãe! Pai!


Nenhuma resposta.


Mark olhou ao redor.


— Ué… não tem ninguém?


Pegou o celular para conferir as horas.


— Nove e meia…


Então se lembrou.


— Ah… claro. Essa semana meu pai está no turno da noite.


Ele caminhou até a sala.


— Isso explica ele não estar aqui… mas a mamãe?


Franziu a testa.


— Estranho… Será que foi à casa de alguma amiga?


Foi então que percebeu algo.


— Hã…?


Seus olhos se voltaram para a garagem.


— O carro está aqui…


Seu coração acelerou.


— Então… ela foi a pé?


Naquele instante, uma voz fria surgiu atrás dele.


Cada palavra parecia se aproximar lentamente.


— Por acaso isso são horas de chegar, mocinho?


Mark congelou.


“De novo…?”


Seu coração disparou.


“Outra infestação?”


Ele se virou rapidamente.


Ao reconhecer quem estava atrás dele, levou a mão ao peito e soltou o ar de uma vez.


— Mãe! Você quer me matar do coração?


Sara soltou uma leve risada.


— Você parece ter visto um fantasma.


Ela o observou por alguns segundos.


— Aconteceu alguma coisa?


Mark forçou um sorriso.


— Nada demais.


Ele desviou o olhar.


— É que o Jhon desmaiou no meio da rua. Acho que ainda estou um pouco abalado.


Sara permaneceu em silêncio por um instante.


— Entendo…


Ela sorriu com carinho.


— Tenha uma boa noite, filho.


— Eu te amo.


Mark sorriu de volta.


— Eu também te amo, mãe.


Sara observou o filho subir as escadas.


Seu sorriso permaneceu… mas seus olhos revelavam uma preocupação que Mark jamais percebeu.

A porta do banheiro então se fechou, e o chuveiro foi ligado.


Enquanto a água escorria sobre seu corpo, Mark não conseguia tirar Leônidas da cabeça.


— “Então treine… fique forte e atinja todo o seu potencial.”


— “Uma infestação é uma alma perdida, presa ao próprio sofrimento.”


— “Na próxima vez que nos encontrarmos, espero que esteja mais forte do que agora.”


Mark passou a mão pelos cabelos.


— São tantas coisas… e nenhuma delas faz sentido.


Ele respirou fundo.


— O que ele fez com o Jhon? Por que ele desmaiou do nada? Eu não lembro de ter visto Leônidas atacando ele em nenhum momento…


Mark permaneceu em silêncio por alguns instantes.


— Eu devo confiar nele?


Seu olhar mudou.


— Não… eu preciso ficar mais forte. Da próxima vez que ele aparecer, eu mesmo vou arrancar todas as respostas dele.


Logo em seguida, lembrou-se da facilidade com que Leônidas derrotou a infestação.


Mark soltou uma breve risada.


— Mas… ele acabou com aquela coisa com apenas um soco.


Ele abaixou a cabeça.


— O que ele poderia fazer comigo?


Mark fechou os olhos e apenas sentiu a água quente escorrer por seu corpo.


Um leve sorriso surgiu em seu rosto.


— Isso era exatamente do que eu precisava.


Ao abrir os olhos…


Seu corpo estremeceu.


— Ai!


Por um pequeno instante, teve a impressão de ver uma silhueta diante dele.


Piscou rapidamente.


Não havia mais nada.


— O que aconteceu aí?


A voz de Sara ecoou do outro lado da porta.


— Nada, mãe! Eu escorreguei e quase caí.


— Cuidado. Hahaha.


— Pode deixar.



Mais tarde…


— Estou indo me deitar. Até amanhã.


— Até, filho.


A noite estava estranhamente silenciosa.


Nem mesmo o vento parecia soprar.


Olhando para a lua, Sara passou longos minutos pensando nas palavras de Leônidas.


“Se ele não estiver preparado, mais infestações virão atrás dele. E torçamos para que nenhum espectro atravesse a fronteira entre os mundos. Caso isso aconteça… você terá muitas coisas para explicar a ele.”


Sara fechou os olhos.


Uma lágrima escorreu por seu rosto.


— Me perdoa, mamãe…


— Eu não consegui mantê-lo fora do nosso mundo…


Ela permaneceu em silêncio por alguns instantes.


Em seguida, caminhou lentamente até seu quarto, abriu a gaveta do criado-mudo e guardou um pequeno objeto em seu interior.


Após fechar a gaveta, permaneceu com a mão sobre ela por alguns segundos.


Então apagou a luz.


Thoughts