(Intro - Batida de Lo-fi, relaxada, mas com um baixo bem presente)
(Voz calma)
Senta aqui, vamos conversar...
Vocês acham que estão no topo, né?
Mas deixa eu mostrar o que o reflexo de vocês tá dizendo.
(Verso 1)
Meninas, escutem, vou falar com elegância
É triste ver tanta beleza servindo à intolerância.
Vocês se juntam, fazem a ponte, o muro, o complô
Mas o brilho que é forçado nunca teve valor.
Usar "gay" como ofensa em pleno século atual?
Mostra que a mente de vocês parou no nível elementar.
Tão modernas no look, no post, no celular
Mas no caráter, o software precisa atualizar.
(Verso 2)
Falam de "autista" como se fosse um defeito
É falta de leitura ou só falta de respeito?
A neurodivergência é um mundo, uma cor, um saber
Enquanto o preconceito de vocês só faz a alma encolher.
Vocês se acham as "donas" da régua social
Mas quem precisa de plateia pra ser alguém é bem banal.
Apontar o dedo pro outro pra se sentir superior
É o recibo mais claro de um vazio interior.
(Refrão)
Ô meninas, a conta não fecha, a lógica é rasa
O ódio que vocês soltam, um dia volta pra casa.
Ser "popular" à custa do choro alheio?
É um troféu de vidro, um destino cheio de receio.
A simpatia aqui é o meu jeito de dizer:
Quem precisa pisar no outro, ainda tem muito que aprender.
(Verso 3)
A união de vocês devia ser pra construir
Não pra ser uma arma e ver um menino cair.
A força feminina que a história sempre pregou
Não foi pra virar bullying que o tempo a libertou.
Ser "queen" não é ter súditos pra humilhar no corredor
É ter a nobreza de espírito de não causar a dor.
O menino que vocês isolam, que vocês tentam marcar
Tem uma luz própria que o deboche não vai apagar.
(Outro)
(Batida suave, apenas estalar de dedos)
Fica a dica, com todo o meu carinho.
O mundo gira, e quem faz a ponte pro abismo
Acaba atravessando ela sozinha.
Melhorem. O mundo já tem gente pequena demais.
(Fim)