CAPÍTULO 12 — A CASA
A estrada até o Lago Ashford parecia diferente à noite.
Talvez fosse a chuva.
Talvez fosse o silêncio.
Ou talvez fosse porque, depois de tantos anos, Liam finalmente estava voltando para um lugar que havia tentado esquecer.
Os limpadores de para-brisa se moviam de um lado para o outro.
O som repetitivo quase hipnotizava.
Yasmin observava a estrada pela janela.
Nenhum dos dois havia falado nos últimos minutos.
Ela olhou para Liam.
Ele dirigia com as duas mãos no volante.
Os dedos estavam tensos.
— Você está nervoso.
— Não.
— Está sim.
— Estou concentrado.
— Liam.
Ele soltou o ar lentamente.
— Estou nervoso.
Yasmin sorriu de leve.
— Melhor.
— Melhor?
— Pelo menos você admitiu.
Ele olhou rapidamente para ela.
— Você está ficando muito confortável em me confrontar.
— Talvez eu tenha aprendido com você.
Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.
Foi rápido.
Mas Yasmin percebeu.
— Você ainda faz isso.
— Isso o quê?
— Sorri de lado quando tenta esconder que está feliz.
Liam voltou os olhos para a estrada.
— Você lembra disso?
— Algumas coisas.
— Eu lembro de quase tudo.
Yasmin ficou em silêncio.
Aquelas palavras fizeram alguma coisa dentro dela.
— Então me conta.
— O quê?
— O que você lembra de mim.
Liam demorou.
— Você quer mesmo saber?
— Quero.
Ele respirou fundo.
— Quando você ficava nervosa, mexia no cabelo.
Yasmin tocou uma mecha.
— Ainda faço.
— Quando estava mentindo, falava rápido.
Ela franziu a testa.
— Eu não faço isso.
— Faz.
— Não faço.
Liam olhou para ela por um segundo.
— Está fazendo agora.
Yasmin riu.
— Idiota.
Ele sorriu.
Por alguns segundos, parecia que os anos haviam desaparecido.
Como se fossem novamente duas crianças dentro daquele carro imaginário que costumavam desenhar quando brincavam de viajar.
Mas a sensação desapareceu quando o lago surgiu ao longe.
Liam parou de sorrir.
O passado havia voltado.
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O LAGO ASHFORD
O carro estacionou perto da antiga estrada de terra.
A chuva havia diminuído.
Liam saiu primeiro.
Yasmin pegou o casaco e o seguiu.
O lago estava quase completamente escuro.
Apenas os relâmpagos iluminavam a água.
— Eu lembrava dele maior — disse Yasmin.
— Nós éramos pequenos.
— Verdade.
Ela caminhou alguns passos.
Parou.
Olhou para uma árvore.
— Ali.
Liam se aproximou.
Havia marcas antigas no tronco.
Quase apagadas.
Duas letras.
L + Y
Yasmin passou os dedos pela madeira.
— Fomos nós?
— Fomos.
— Você que fez?
— Você segurou a faca.
Ela olhou para ele.
— Eu não faria isso.
— Você tinha sete anos.
— Então provavelmente faria.
Liam soltou uma risada baixa.
Yasmin ficou olhando para ele.
— Você quase não ri.
— Não tenho muitos motivos.
Ela se aproximou.
— Tinha quando era criança.
— Você era meu motivo.
O sorriso dela desapareceu.
Liam percebeu o que havia dito.
Os dois ficaram em silêncio.
Yasmin desviou os olhos.
— Você lembra daquela tarde?
— Qual?
— Quando eu caí no lago.
Liam sorriu.
— Você tentou pegar uma flor.
— Eu achei que era rasa.
— Eu falei para não entrar.
— Você tinha oito anos.
— E já era mais inteligente que você.
— Convencido.
Ela deu um pequeno empurrão no ombro dele.
Liam segurou o braço dela.
Por um instante, ficaram próximos.
Então uma lembrança atravessou a mente de Yasmin.
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A LEMBRANÇA
Ela tinha sete anos.
Estava sentada debaixo da árvore.
Liam estava ao lado.
Os dois com os pés sujos de terra.
Yasmin chorava.
— Minha mãe brigou comigo.
Liam olhou para ela.
— Por quê?
— Eu quebrei o copo.
— Foi sem querer?
Ela assentiu.
Liam pensou por alguns segundos.
Então pegou uma pedrinha.
— Quer saber um segredo?
— Qual?
— Quando meu pai fica bravo, eu conto estrelas.
Yasmin olhou para o céu.
— De dia não tem estrela.
— Então inventa.
Ela sorriu.
— Uma.
— Duas.
— Três.
Os dois começaram a contar estrelas que não existiam.
Até que Yasmin parou de chorar.
A lembrança desapareceu.
Ela abriu os olhos.
Uma lágrima escorreu.
Liam percebeu.
— O que você lembrou?
— Você.
— Eu?
— Você me fazia parar de chorar.
Ele não respondeu.
Yasmin sorriu.
— Você sempre fazia isso.
Liam olhou para o lago.
— Depois eu parei.
— Por quê?
— Porque você foi embora.
Yasmin franziu a testa.
— Eu não fui embora.
— Sua família se mudou.
— Eu tinha sete anos.
— Eu sei.
— Eu não escolhi.
— Eu sei.
Mas havia dor naquela resposta.
Uma dor antiga.
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A CASA
No final da margem havia uma pequena casa.
Era antiga.
Madeira escura.
Janelas quebradas.
O telhado estava parcialmente destruído.
Yasmin apontou.
— O que é aquilo?
Liam ficou parado.
— A casa.
— Que casa?
— Minha mãe costumava ficar aqui.
Yasmin olhou para ele.
— Sozinha?
— Às vezes.
— E você vinha?
— Quando ela deixava.
— Por que eu não lembro?
Liam respondeu:
— Porque você não deveria ter vindo.
Yasmin sentiu um arrepio.
— Mas eu vim.
Ele olhou para ela.
— Sim.
Os dois caminharam até a casa.
A porta estava aberta.
Liam entrou.
O interior estava coberto de poeira.
Uma mesa antiga.
Uma lareira.
Um sofá rasgado.
Uma estante.
E, no corredor, várias fotografias antigas.
Yasmin se aproximou.
— Liam...
Ele olhou.
Havia uma fotografia dos dois.
Naquela mesma casa.
Yasmin estava sentada no chão.
Liam ao lado.
Os dois seguravam uma caixa de madeira.
— Eu não lembro disso.
— Eu também não.
Ele pegou a fotografia.
No verso estava escrito:
"Eles encontraram antes da hora."
Yasmin sentiu um frio no estômago.
— Encontraram o quê?
Liam procurou ao redor.
— A caixa.
— Qual caixa?
Ele olhou para a fotografia.
— Essa.
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O QUARTO
Encontraram um pequeno quarto nos fundos.
Havia uma cama infantil.
Um armário.
E desenhos nas paredes.
Yasmin passou a mão sobre um deles.
Era um desenho de uma casa.
Uma mulher.
Um homem.
Duas crianças.
E uma grande mancha preta no céu.
— Eu desenhei isso?
Liam olhou.
— Você.
— Como sabe?
— Sua assinatura.
No canto estava escrito:
Yasmin Almeida.
Ela franziu a testa.
— Por que eu desenharia isso?
Liam se aproximou.
— Talvez porque você viu.
— Viu o quê?
— Algo.
Ela olhou novamente.
No desenho, a mulher estava com os braços abertos.
O homem estava atrás dela.
As duas crianças estavam escondidas.
E a mancha preta parecia uma nuvem.
Yasmin fechou os olhos.
Outra lembrança.
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O DIA DA CHUVA
Ela tinha sete anos.
Aquela mesma casa.
Estava escondida embaixo da mesa.
Liam estava ao lado.
— Não faz barulho.
— Estou com medo.
— Eu também.
Uma discussão acontecia do lado de fora.
Vozes.
Uma delas era a mãe de Liam.
— Você prometeu!
Um homem respondeu.
— Eu não prometi nada.
Outra voz.
— As crianças estão aqui.
Silêncio.
Depois:
— Então tire as crianças daqui.
Yasmin apertou a mão de Liam.
Ele sussurrou:
— Não solta.
— Não vou.
A porta abriu.
Uma sombra entrou.
Yasmin viu apenas os sapatos.
Sapatos pretos.
O homem parou.
Liam puxou Yasmin para mais perto.
Então uma voz disse:
— Eles já sabem demais.
A lembrança terminou.
Yasmin abriu os olhos.
Estava respirando rapidamente.
Liam segurou seus ombros.
— Yasmin.
Ela olhou para ele.
— Eu lembro.
— O quê?
— Tinha alguém aqui.
— Quem?
— Um homem.
— Você viu o rosto?
Ela balançou a cabeça.
— Não.
— Alguma coisa que possa identificar?
Ela fechou os olhos.
Pensou.
— Um relógio.
Liam ficou imóvel.
— Como era?
— Preto.
— Mais alguma coisa?
— Tinha uma marca.
— Qual?
Ela abriu os olhos.
— Uma serpente.
Liam ficou pálido.
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A SERPENTE
Ele conhecia aquele símbolo.
Não era uma marca comum.
Era usada pela família Blackwood em documentos antigos.
Mas não oficialmente.
Era um símbolo interno.
Uma serpente enrolada em torno de uma chave.
Liam tinha visto aquele desenho quando criança.
No escritório do pai.
— Meu pai usava isso.
Yasmin olhou para ele.
— Você acha que era ele?
— Não sei.
— Mas você reconheceu.
— Reconheci o símbolo.
Ele caminhou até uma estante.
Começou a procurar.
— O que está fazendo?
— Tentando lembrar.
Depois de alguns segundos, puxou uma gaveta.
Dentro havia uma pequena caixa.
Liam abriu.
Vazia.
Exceto por um pedaço de tecido preto.
Yasmin tocou.
— Isso é de quê?
— Não sei.
Mas Liam sabia.
A textura.
O cheiro.
A memória.
Ele tinha visto aquele tecido naquela noite.
No braço do homem.
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O PASSADO DE LIAM
Liam sentou na cama antiga.
Yasmin permaneceu diante dele.
— Eu tinha oito anos — começou.
— Quando aconteceu?
— Sim.
Ele olhou para o chão.
— Meu pai me ensinava a jogar xadrez.
— Você gostava?
— Não.
— Então por que fazia?
— Porque ele dizia que eu precisava aprender a pensar antes de agir.
Yasmin sentou ao lado.
— E você aprendeu?
Liam sorriu sem humor.
— Aprendi demais.
Ele pegou uma peça de xadrez quebrada que estava sobre a mesa.
— Quando eu fazia uma jogada errada, ele retirava uma peça minha.
— E quando acertava?
— Ele dizia que eu estava fazendo apenas o que deveria.
Yasmin sentiu uma tristeza profunda.
— Ele nunca elogiava você.
— Não.
— Nunca?
— Minha mãe elogiava.
Liam apertou a peça.
— E meu pai odiava isso.
— Por quê?
— Porque ele dizia que elogio criava fraqueza.
Yasmin olhou para ele.
— Foi daí que veio seu jeito de controlar tudo?
Liam ficou alguns segundos em silêncio.
— Talvez.
Ele respirou.
— Quando você cresce ouvindo que qualquer erro pode custar alguma coisa, começa a tentar prever tudo.
— E pessoas?
— Principalmente pessoas.
— É por isso que você tenta controlar quem está perto de você.
— Sim.
— Porque tem medo de perder.
Liam levantou os olhos.
— Porque tenho medo de ser pego desprevenido novamente.
Yasmin ficou em silêncio.
Não estava justificando o que ele fazia.
Mas começava a entender.
A máscara.
O homem frio.
O controlador.
O implacável.
E, por baixo dela...
um menino que ainda tinha medo de perder alguém.
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AURORA E DOMINIC
Enquanto Liam e Yasmin descobriam mais sobre o passado, Dominic estava em casa.
Sentado diante do espelho.
A camisa estava desabotoada.
Uma garrafa permanecia sobre a mesa.
Ele não havia bebido.
Apenas olhava para ela.
Seu celular estava ao lado.
Nenhuma mensagem de Aurora.
Ele abriu uma pasta de fotografias.
Fotografias da infância.
Dominic com seis anos.
Dominic com oito.
Dominic aos doze.
Em todas, estava sorrindo.
Mas havia algo estranho.
Ele nunca olhava diretamente para a câmera.
Sempre para o pai.
Como se precisasse verificar se estava sorrindo corretamente.
Dominic pegou uma fotografia.
Lembrou.
Tinha dez anos.
Havia ganhado uma medalha.
Correu até o pai.
— Pai, olha!
O homem pegou a medalha.
— Segundo lugar.
Dominic sorriu.
— Mas eu ganhei!
— Não.
O pai devolveu.
— Você perdeu.
— Mas...
— Enquanto você comemora segundo lugar, alguém está comemorando ter vencido você.
Dominic abaixou a cabeça.
— Desculpa.
O pai colocou a mão sobre seu ombro.
— Nunca peça desculpas por perder.
Dominic olhou.
— Então pelo quê?
— Por permitir que alguém tivesse poder sobre você.
A lembrança terminou.
Dominic fechou os olhos.
Talvez fosse por isso que não conseguia aceitar que Aurora escolhesse ir embora.
Para ele, amar alguém significava garantir que essa pessoa nunca tivesse poder suficiente para abandoná-lo.
E ele transformava medo em controle.
Controle em ciúme.
Ciúme em posse.
E posse em destruição.
Dominic pegou o celular.
Abriu a conversa com Aurora.
Digitou:
"Eu sinto muito."
Ficou olhando.
Não enviou.
Apagou.
Digitou novamente:
"Eu vou mudar."
Apagou.
No final, não escreveu nada.
Pela primeira vez, percebeu que talvez seu maior desafio não fosse reconquistar Aurora.
Era descobrir quem ele seria sem controlar alguém.
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A CAIXA
De volta à casa do lago, Yasmin encontrou uma tábua solta no chão.
— Liam.
Ele se aproximou.
— O quê?
— Aqui.
Os dois retiraram a tábua.
Havia um espaço escondido.
Dentro...
uma caixa.
A mesma da fotografia.
Liam ficou imóvel.
— É ela.
Yasmin olhou.
— Abre.
Ele não respondeu.
— Liam.
Ele abriu.
Dentro havia três objetos.
Uma fita cassete.
Uma chave.
E uma fotografia.
Yasmin pegou a fotografia.
Era a mãe de Liam.
Mas havia outra pessoa ao lado dela.
Uma mulher.
Helena Hale.
E entre as duas havia uma pasta.
No verso da fotografia:
"Se vocês encontraram a caixa, então já sabem demais."
Liam pegou a fita.
— Precisamos encontrar um aparelho.
Yasmin olhou para a chave.
— E isso?
Ele examinou.
Pequena.
Antiga.
Tinha uma etiqueta:
M-04
— Não sei.
Yasmin olhou para a fotografia novamente.
— Eu acho que sei.
— O quê?
Ela apontou para o fundo.
Havia uma porta.
Sobre ela, uma placa.
M-04
Liam olhou para ela.
— Onde é isso?
Yasmin respondeu:
— Na antiga estação.
Silêncio.
A estação.
O mesmo lugar onde tudo havia começado.
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A CASA RESPONDE
Um barulho veio do andar de cima.
Os dois olharam.
Liam colocou a caixa no bolso.
— Fica atrás de mim.
Yasmin revirou os olhos.
— Você não consegue evitar, não é?
— Não.
Ele subiu.
Cada degrau rangeu.
No andar superior, havia apenas um corredor.
Nada.
Liam entrou em um quarto.
Vazio.
Outro.
Nada.
Então Yasmin ouviu um som.
— Liam.
Ele virou.
— O quê?
Ela apontou para a parede.
Havia uma fotografia nova.
Ela não estava ali antes.
Liam se aproximou.
Era uma fotografia deles.
Naquela mesma casa.
Tirada naquela noite.
Os dois ficaram imóveis.
Yasmin sussurrou:
— Alguém esteve aqui.
Liam tirou a fotografia da parede.
Atrás havia uma mensagem.
"Vocês sempre voltam aos mesmos lugares."
Abaixo:
"É por isso que é tão fácil encontrar vocês."
Yasmin sentiu medo.
— Ele está nos seguindo.
Liam assentiu.
— Sim.
— Há quanto tempo?
Ele olhou para a fotografia.
— Talvez desde antes de nós sabermos que estávamos sendo seguidos.
Yasmin ficou olhando para ele.
— Então a pessoa que mandou as mensagens...
— Pode estar perto.
Um som veio da janela.
Liam virou rapidamente.
Nada.
Apenas chuva.
Mas, no chão, havia marcas de lama.
Alguém havia estado ali.
Recentemente.
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A DECISÃO
Liam guardou a chave.
— Vamos embora.
Yasmin assentiu.
Antes de sair, ela olhou novamente para a casa.
Sentiu uma estranha sensação.
Como se aquele lugar estivesse guardando uma parte dela.
Uma parte que ainda não conseguia alcançar.
— Liam.
— Sim?
— Eu acho que minhas lembranças não estão voltando sozinhas.
Ele parou.
— O que quer dizer?
— Acho que alguém está tentando fazer eu lembrar.
Liam ficou pensativo.
— Por quê?
— Porque quer que encontremos alguma coisa.
— Ou porque quer que encontremos alguém.
Os dois se olharam.
Nenhum deles disse o nome.
Mas pensaram na mesma pessoa.
Helena Hale.
---
A ÚLTIMA IMAGEM
Quando chegaram ao carro, Liam abriu a porta.
Yasmin entrou.
Antes de fechar, olhou para a casa.
Uma luz apareceu em uma das janelas.
Ela congelou.
— Liam.
Ele olhou.
A luz desapareceu.
— O quê?
— Tinha alguém ali.
Liam saiu do carro.
Olhou para a janela.
Nada.
— Você viu alguém?
— Sim.
— Homem?
Yasmin ficou em silêncio.
— Mulher.
Liam parou.
— Tem certeza?
— Sim.
— Como era?
Ela fechou os olhos.
Tentou lembrar.
Cabelos escuros.
Rosto parcialmente escondido.
Um olhar.
E uma voz.
Uma voz que ela conhecia.
A mulher havia dito:
"Você cresceu."
Yasmin abriu os olhos.
— Liam...
— O quê?
— Ela falou comigo.
— Quem?
Yasmin olhou para a casa.
— Minha mãe.
Liam ficou imóvel.
— Sua mãe está em casa?
— Não.
— Então quem era?
Yasmin não respondeu.
Porque, naquele momento, uma certeza começou a nascer dentro dela.
A mulher que vira na janela não era uma lembrança.
Era alguém real.
E, se sua mãe realmente conhecia aquele lugar...
então talvez o segredo de Blackwood não tivesse começado com o desaparecimento da mãe de Liam.
Talvez tivesse começado muito antes.
Talvez as duas famílias tivessem escondido a mesma coisa.
E talvez Liam e Yasmin tivessem sido preparados, desde crianças, para esquecer exatamente aquilo que agora estavam começando a lembrar.
O carro deixou o Lago Ashford.
A casa ficou para trás.
Mas, no segundo andar, atrás da janela quebrada, uma silhueta permaneceu observando.
A mulher segurava uma fotografia.
A fotografia das duas crianças.
Liam.
Yasmin.
E, entre eles, a pequena caixa.
Ela passou o dedo sobre a imagem.
— Vocês demoraram.
Então guardou a fotografia.
E desapareceu na escuridão.