Subi as escadas com um copo de suco de maracujá nas mãos, tomando cuidado para não derramar nada pelo caminho. Eu sabia que a garota precisava de um tempo para se acalmar depois de tudo o que havia acontecido, e esperava que aquele pequeno gesto pudesse fazê-la se sentir melhor.
Quando cheguei ao corredor, caminhei em direção à biblioteca, mas, antes mesmo de entrar, percebi que a porta estava entreaberta.
Estranhei aquilo.
Aproximei-me devagar e, quando olhei para dentro, acabei parando por alguns segundos.
Neithan estava lá.
Encostado perto da porta, com as mãos nos bolsos e aquela expressão séria de sempre, ele conversava com a garota. O mais surpreendente, porém, era que ele não parecia irritado. Na verdade, havia algo diferente em seu comportamento, como se estivesse tentando encontrar as palavras certas para dizer alguma coisa.
Franzi levemente a testa, curioso.
—Espera... o Neithan está mesmo conversando com ela sem arrumar uma discussão?
Entrei na biblioteca, segurando o copo de suco.
— Acho que estou interrompendo alguma coisa?
Perguntei, erguendo uma sobrancelha enquanto olhava de um para o outro.
Neithan virou o rosto na minha direção e imediatamente fechou a expressão.
Neithan:
— Não começa, Eithan.
Deixei escapar uma risadinha, aproximando-me da garota.
— Calma, eu não falei nada!
Respondi, colocando o copo de suco sobre uma mesinha ao lado dela.
— Trouxe seu suco de maracujá. Espero que você goste.
Voltei meu olhar para meu irmão, percebendo que ele parecia um pouco desconfortável com a minha presença.
Aquilo era tão raro que eu quase quis rir novamente.
— Você veio pedir desculpas para ela?
Perguntei, com um pequeno sorriso.
Neithan:
— Cuida da sua vida.
Ele respondeu imediatamente, revirando os olhos.
Balancei a cabeça, divertido.
— Tudo bem, rabugento. Não precisa ficar bravo.
Neithan:
— Eithan...
— Tá bom, tá bom! Já parei.
Levantei as mãos em sinal de rendição, contendo o sorriso, e depois me virei para a garota.
— Então, conseguiu encontrar algum livro interessante?
Perguntei gentilmente, olhando para o livro que ela segurava.
Por alguns instantes, esqueci completamente a discussão de mais cedo. Ver os dois ali, conversando sem brigar, era algo que eu sinceramente não esperava presenciar tão cedo.
Entretanto, enquanto observava meu irmão pelo canto dos olhos, notei que ele desviava o olhar da garota sempre que nossos olhos se encontravam.
Aquilo me fez sorrir discretamente.
Talvez o Neithan não seja tão insensível quanto gosta de fingir.
Mas, conhecendo meu irmão, eu sabia muito bem que, se dissesse aquilo em voz alta, ele provavelmente me expulsaria da biblioteca.