Bom texto e boa análise.
Vou expor um pouco o que penso sobre alguns pontos interessantes de como o Brasil tem se comportado como país emergente e quais nuances necessitam de consideração urgente para, pelo menos, amenizar parte da situação.
A instabilidade do setor industrial e comercial brasileiro — o chamado voo de galinha — ocorre porque o crescimento do país é impulsionado pelo consumo e pelo ciclo de commodities, e não por ganhos reais de produtividade, inovação e sustentabilidade fiscal. Sem reformas que eliminem o Custo Brasil, o país esbarra na baixa qualificação de sua mão de obra e em gargalos estruturais que interrompem qualquer ciclo duradouro de ascensão econômica.
O primeiro grande obstáculo está na educação nacional. Embora o Brasil invista cerca de 5% do seu PIB na área, o problema central reside na má gestão e no descompasso com o mercado técnico, o que reflete nos péssimos resultados do país no ranking do Pisa. Como as escolas e universidades não formam profissionais competentes em áreas de fronteira tecnológica — como engenharia de software avançada, automação e biotecnologia —, gera-se um grave "apagão de talentos". Como consequência direta, as empresas nacionais são obrigadas a importar serviços prestados por estrangeiros, gastando bilhões de dólares anualmente com consultorias, técnicos e softwares de fora por tarefas que os brasileiros deveriam fazer. Essa evasão de divisas encarece a produção e mantém o país na base da cadeia de valor mundial, exportando matéria-prima bruta e importando inteligência.
Para agravar o cenário, o Brasil enfrenta uma transição demográfica acelerada, onde a população idosa cresce rapidamente enquanto a base de jovens e trabalhadores ativos encolhe. O sistema previdenciário de repartição simples está se tornando matematicamente insustentável, pois o governo precisa desviar recursos que deveriam ir para infraestrutura, saúde e educação para cobrir o rombo das aposentadorias. Para combater essa crise fiscal e demográfica, o país deve focar no estímulo à formalização do mercado de trabalho — trazendo a massa de informais para o sistema de contribuição —, incentivar regimes de capitalização e previdência complementar, e aumentar drasticamente a produtividade de cada trabalhador, já que haverá menos pessoas gerando a riqueza que sustentará o país no futuro.
Romper essa ciranda exige um ponto de partida claro, dividido em ações de curto e longo prazo. No curto prazo, deve-se simplificar o sistema tributário (mesmo com a recente aprovação da Reforma tributária no final de 2023) para reduzir a burocracia empresarial e expandir as Parcerias Público-Privadas (PPPs) em infraestrutura logística para baratear o escoamento da produção. No longo prazo, a virada depende de um pivot educacional e tecnológico: é preciso fazer acontecer da maneira correta o Ensino Técnico Integrado (Modelo Dual), inspirado na Alemanha, onde o estudante divide seu tempo entre a escola e o estágio na indústria de alta tecnologia, além de vincular as verbas universitárias à criação de patentes, startups e soluções para os gargalos reais do setor produtivo, estancando de vez a fuga de cérebros e consolidando um avanço econômico sem retorno.