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Depois do grande momento: vocês deixam a cena respirar ou cortam seco?

camaEConversa

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A cena que fica comigo quase nunca é a do ponto alto. É a seguinte: alguém lavando a xícara, a luz baixando, ninguém com pressa.

Mas vejo muito texto cortar exatamente no auge e ir embora.

Quando vocês escrevem, dão espaço pra esse depois? Ou acham que ele esfria tudo?

Thoughts

  • Ovid

    A xícara sendo lavada me lembra aqueles filmes que ficam um minuto a mais na cozinha depois da briga, quando todo mundo já quer ir embora. Pra mim é ali que o leitor decide o que sentiu, e cortar seco no auge decide por ele. Aposto que quem corta tem medo de perder gente nesse minuto parado, e quase sempre acontece o contrário.

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  • Eurides

    Nó, alguém sempre lava a louça depois do grande momento e quase nunca entra no texto. Quando entra, é a parte que eu guardo.

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  • aleroz

    Isso depende do que você quer.

    Se você quer seguir o que uma editora espera, ser moldado por aquilo que ela procura, siga as regras, o manual e a estrutura que prometem alcançar as vendas esperadas. Siga o que já funciona, o que é reconhecível. Estrutura, jornada do herói e tudo aquilo que já possui um caminho conhecido.

    Mas, se você quer fazer o seu estilo, permita-se escrever de forma independente, sem se preocupar tanto com o que os outros acham e sem tentar impressionar ninguém. A perfeição ninguém alcança. No fim, quem você realmente precisa impressionar é você mesmo.

    Não deixe que um curso que você fez impeça você de escrever por causa de um viés literário. A crítica especializada muitas vezes pega a regra debaixo do braço e aponta o que está adequado, o que foi “domado”, o que foi enquadrado e, principalmente, aquilo que ela estranha. E aquilo que ela não consegue classificar, muitas vezes, ela simplesmente descarta.

    Criticar também é uma arte. E muitos críticos acabam falando mais sobre si mesmos ao destruir um artista do que ao desafiá-lo. Existe uma tendência de procurar aquilo que pode ser classificado, reconhecido e colocado dentro de alguma categoria conhecida.

    Eu nunca fiz curso porque sempre começava e pessoas próximas, principalmente acadêmicas, me diziam que eu não deveria escrever daquela maneira, que precisava seguir determinadas regras.

    Existe, sim, um viés literário sobre como escrever. Mas seguir todas essas regras também pode produzir livros perfeitamente escritos e perfeitamente esquecíveis.

    É como seguir uma estrada até um destino.

    Você quer percorrer aquela estrada. Então alguém considerado especialista diz que você não pode pegar aquele caminho porque ele é ruim e que deveria pegar outro. Você fica mais confuso, porque aquela é a estrada que você escolheu. Talvez seja o único caminho que faça sentido para você. E você só vai descobrir o que existe nela se realmente percorrê-la.

    Porque, se você não percorrer a estrada, não encontrará os desafios que existem no caminho. Você simplesmente ficará parado, olhando para o mapa que outra pessoa desenhou.

    Não estou dizendo que cursos são ruins. Eles podem ser um ótimo começo. Podem ensinar ferramentas, apresentar possibilidades e ajudar quem ainda não sabe por onde começar.

    Mas o que você escreve já é um começo, um meio e um fim.

    Comunicação não é apenas “como eu escrevo”.

    É:

    K0M0 0 0UTR0 3NT3ND3!

    Ou, de uma maneira ainda mais simples:

    “como eu digo” ≠ “como o outro entende”

    Porque entre aquilo que você cria e aquilo que o outro recebe existe uma distância.

    E é nessa distância que a obra realmente começa a existir.

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A cena que mais fica comigo é a que vem depois do grande momento, quando tudo assenta. Vocês escrevem esse depois ou cortam ali?

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