DEPOIS DA TEMPESTADE
Falo do tempo,
tempo de floresta,
como a Arca de Noé,
ou também animais em aflição.
Dilúvio,
chuva,
barco,
uma família
em busca de terra,
sem nome,
sem dono,
como se precisasse
começar do zero.
Depois da tempestade,
vem a abundância,
vem a fartura.
Mais lindo
quando uma pomba branca
traz um galho de oliveira,
sinal de que está tudo limpo.
Aquilo que parecia uma prisão
dá a hora de soltar
os bichos da aflição.
Cada galho no galho,
quando se vê o sol,
quando as nuvens se afastam,
sabemos que o sol
continua brilhando lá fora.
Depois da tempestade,
a calmaria do oceano,
do mar e dos rios.
Até as sereias,
porque se conta
que o marinheiro
era enfeitiçado
pelo canto da sereia
ou pelo assobio vaginal.
Todos nós,
com sentidos de animais,
seguimos pelo caminho,
sem estradas, sem sinais,
tirando as pedras do lugar
para nunca olhar para trás.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho